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Os rostos da paralisação

Os rostos da paralisação

Rita Pereira Carvalho 20/08/2019 14:14

Uma greve que trouxe mais vencedores do que vencidos. Governo e Antram saíram vitoriosos do braço-de-ferro com os trabalhadores e Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas tenta agora recuperar da derrota e continuar as negociações depois de uma greve que não parou o país.

Pedro Pardal Henriques

Assessor Jurídico do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP)

O advogado dos motoristas, que se destacou logo na greve de abril por não ser motorista, passou para segundo plano na última semana. Se antes aparecia em todas as conferências a dar voz aos trabalhadores, agora Pedro Pardal Henriques segreda palavras ao ouvido de Francisco São Bento, presidente do sindicato. Não sai da mesa das negociações, como queria André Matias de Almeida, e é protagonista de algumas das declarações mais polémicas: “As pessoas que aqui estão não vão cumprir nada [serviços mínimos]”.

André Matias de Almeida
Porta-voz Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram)

O porta-voz dos patrões – que acumula cargos públicos, é advogado e militante do PS –, aproveitou a fraqueza entre os sindicatos e a ajuda do Governo durante a greve. André Matias de Almeida bateu o pé e recusou todos os convites do SNMMP para reunir. No dia em que teve a certeza que os dois sindicatos estavam de costas voltadas, elogiou o sindicato que tinha cancelado a greve e aproveitou para deixar o recado ao sindicato
de matérias perigosas: estavam sozinhos e não restava alternativa.

Anacleto Rodrigues
Porta-voz Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM)

Ao longo da semana passada, Anacleto Rodrigues preferiu o silêncio e, enquanto o sindicato dos motoristas de matérias perigosas se multiplicava em declarações, o SIMM mantinha-se longe da comunicação social. Anacleto Rodrigues admitiu que a greve não teve o impacto esperado e, sem o conhecimento do outro sindicato, o SIMM cancelou a greve e reuniu de imediato com os patrões. Os dois sindicatos que entregaram juntos o pré-aviso de greve estão agora de costas voltadas.

Francisco São Bento (na foto)
Presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP)

Francisco São Bento, presidente do sindicato que representa os motoristas de matérias perigosas, ganhou destaque durante a segunda greve, quando substituiu Pardal Henriques nas declarações aos jornalistas. Passar Francisco São Bento para primeiro plano foi uma das estratégias usadas pelo sindicato para tentar chegar a um acordo com a Antram, já que os patrões tinham deixado o recado para o sindicato substituir Pedro Pardal Henriques nas negociações.

Pedro Nuno Santos
Ministro das Infraestruturas e da Habitação

A última reunião em que Pedro Nuno Santos esteve presente – com o Sindicato de Matérias Perigosas – durou dez horas e terminou com o sindicato a continuar a greve. Depois desse encontro, que decorreu na sexta-feira, o ministro disse que a greve “já era demais”. Mediador no processo negocial desde abril, Pedro Nuno Santos antecipou-se e avisou os portugueses para abastecerem os veículos antes de começar a greve.

António Costa
Primeiro-ministro

O primeiro-ministro garantiu que nesta greve não havia vencidos, nem vencedores, mas certo é que o Executivo de António Costa apertou o cinto à greve ao decretar serviços mínimos entre os 50% e os 100%. A requisição civil logo ao primeiro dia de paralisação trouxe um conforto à Antram que lhe permitiu dizer sempre que não negociaria com a greve a decorrer. Com os olhos postos nas legislativas, Costa não podia correr o risco de ver o país parar novamente, como aconteceu em abril.

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