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Movimento Zero. GNR e PSP ameaçam fazer greve ilegal

Movimento Zero. GNR e PSP ameaçam fazer greve ilegal

José Sérgio Jornal i 20/08/2019 14:05

Movimento clandestino quer violar Constituição, que não permite que membros das forças de segurança façam greve.

O Movimento Zero, composto por militares da GNR e da PSP, surgiu nos últimos dias em público a ameaçar fazer greve. A Constituição não permite que estas forças de segurança façam greve, pelo que seria ilegal.

O movimento surgiu em maio deste ano, quando vários elementos da PSP foram condenados por ofensas à integridade física e injúrias a moradores do Bairro da Cova da Moura. Inicialmente defendia uma postura de proatividade nula, ou seja, o movimento esclarece que jamais se recusará a aceder a ocorrências; contudo, os profissionais pensarão duas vezes antes de entrar em bairros considerados problemáticos.

No entanto, o atual estado das forças de segurança da GNR e da PSP levaram o movimento – que se assumiu oficialmente, embora não dando a cara, enquanto movimento este fim de semana – a ameaçar uma greve, mesmo sendo esta ilegal. Reivindica melhores condições de trabalho, melhores salários, progressão de carreiras e ainda respeito perante uma das profissões com maiores taxas de suicídio.

Nos últimos tempos, o Movimento Zero incentivou, nas redes sociais, os agentes a não se apresentarem ao serviço e ficarem de baixa entre os dias 15 e 18 de agosto.

Coincidência ou não – até porque a identidade dos membros do Movimento Zero é secreta –, a verdade é que nenhum dos agentes das equipas de intervenção rápida da esquadra do Seixal se apresentou ao serviço entre as 8h de quinta-feira e as 20h de sexta.

No total, faltaram ao trabalho três equipas que deviam ter feito três turnos. Dos 12 agentes, 11 meteram baixa médica e um justificou a ausência com assistência familiar. A Direção Nacional desconfiou, abriu um inquérito e exigiu aos polícias que se apresentem a um médico.

Segundo Pedro Carmo, presidente da Organização Sindical dos Polícias (OSP), esta forma de luta acaba por não ser a mais viável para os agentes, até porque estas baixas, de sexta a domingo, por exemplo, têm “um custo mínimo de 200 euros e muitos têm famílias para sustentar”.

Os sindicatos recusaram qualquer ligação ao movimento, que foi criado através das redes sociais, afirma contar com mais de 16 mil membros e que ganhou força na cerimónia de aniversário da PSP, a 12 de julho, com vários profissionais a virarem costas ao discurso de Luís Farinha, diretor nacional da PSP, e a abandonarem o espaço com a mão a fazer um zero aquando do início do discurso do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, em forma de protesto.

 

Agentes fizeram 70 horas semanais

Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), afirma que esta ameaça de greve deve-se a “várias situações que têm criado grande insatisfação e revolta” nos últimos anos. Segundo o sindicalista, “há um conjunto de decisões políticas que não foram tomadas e têm sido proteladas que levaram a um esgotamento por parte dos agentes”.

Em declarações ao i, o presidente da ASPP explica que, nos últimos anos, a PSP tem “perdido praticamente todos os direitos que significavam alguma coisa de concreto e que foram completamente destruídos”. Paulo Rodrigues refere que durante a recente greve dos motoristas de matérias perigosas, por exemplo, houve polícias que “ficaram sem férias, vários trabalharam 24 horas seguidas e outros trabalharam 70 horas numa semana”. “Quando se trabalha três vezes o que é previsto e o vencimento é sempre o mesmo, a situação começa a ser insuportável”.

O sindicalista acusou o Governo de “olhar para o lado” relativamente a esta saturação, falta de efetivos e situação da polícia, há vários anos.

 

Movimento acusado de aproveitar proximidade eleitoral

Já o presidente da OSP considera que “o timing desta ameaça surge por forma a aproveitar a recente greve dos motoristas e, acima de tudo, a proximidade eleitoral”. Refere ainda que esta “greve é relativa” pois, visto que “a Constituição da República portuguesa não nos permite fazer greve”, terá de ser através das tais “baixas de serviço e coisas do género”. Pedro Carmo mostrou-se solidário com o Movimento Zero, mas rejeita apoiá-lo por colocar em causa a profissão.

Por seu lado, o Movimento Zero garante que a segurança dos cidadãos nunca ficará em causa.

 

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