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“Não ter experiência política é uma vantagem”

“Não ter experiência política é uma vantagem”

Mafalda Tello Silva 19/08/2019 13:18

Dois deputados, um engenheiro, uma feminista e um youtuber. Estes são os cabeças-de-lista mais jovens nas listas dos partidos com assento parlamentar. Focados, principalmente, em reformar as áreas do ambiente, natalidade, educação e saúde, a maioria dos candidatos disse ao i que considera a falta de experiência política um benefício e uma forma de demonstrar que se movem pelas causas que defendem, e não por interesses pessoais ou partidários.

CDS. Patrique Alves prioriza incentivos à natalidade

Nascido em França, Patrique Alves, de 38 anos, é o cabeça-de-lista mais novo apresentado pelos centristas nestas legislativas. Pelo distrito de Vila Real, o candidato com origens familiares em Murça e Valpaços vive desde 1999 na região do círculo eleitoral que representa.

Licenciado em Engenharia do Ambiente, o candidato, que se considera “transmontano com muito orgulho”, contou ao i que é do CDS “desde que se lembra” e que mal teve hipótese se inscreveu na Juventude Popular, por volta dos 14 anos.

Ainda que recente, Patrique Alves já conta com mais experiência política que a maioria dos cabeças-de-lista, tendo em conta que, atualmente, é deputado municipal em Vila Real e que, há dez anos, foi o candidato centrista à câmara da mesma localidade.

Para estas eleições, a maior preocupação do candidato, que se encontra a terminar o mestrado em Gestão Pública pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, relaciona-se com a natalidade e a demografia. “É uma matéria que tem sido sempre uma prioridade para mim. Tendo em conta que represento o interior, a natalidade e a demografia são as áreas das minhas prioridades”, destacou o candidato do CDS, acrescentando que se tem deparado com um cenário “verdadeiramente assustador” no seu distrito. “É chocante ver a quantidade de casas fechadas, ruas sem ninguém e aldeias sem crianças”, sublinhou Patrique Alves.
O candidato centrista reforçou que, independentemente de quem vai para a AR, é “essencial” o Parlamento discutir a criação “de políticas públicas que garantam o desenvolvimento rápido do interior na próxima legislatura”.

PSD. Hugo Carvalho quer discutir os problemas dos jovens

Hugo Carvalho é o cabeça-de-lista mais novo no PSD. Tanto para o candidato como para muitos sociais-democratas, o convite para encabeçar a lista do Porto foi uma verdadeira surpresa. No entanto, o jovem de 28 anos, mestre em Engenharia Eletrotécnica e Computadores, considera que a aposta do líder do PSD em jovens para as listas do partido é um sinal muito positivo para os sociais-democratas, pois representa uma visão de futuro, assegurou Hugo Carvalho ao Diário de Notícias, em junho. “Foi uma surpresa muito positiva o convite do dr. Rui Rio para encabeçar a lista do Porto. Foi um ato de coragem que representa muito para mim”, acrescentou ainda o candidato na referida entrevista.

Considerando que falta representatividade dos jovens no Parlamento, Hugo Carvalho garantiu também que sente a responsabilidade de que as suas prioridades, enquanto futuro deputado, reflitam as dos mais novos, hoje em dia.

 Isto é, para o diretor de operações numa consultora alemã ligada à tecnologia, as suas principais bandeiras deverão focar-se no acesso à profissão, à carreira, à habitação e à saúde.

Hugo Carvalho quer assim emprestar a visão da sua geração à Assembleia da República e, apesar de ter “imenso respeito pelos que estão no partido há muitos anos”, vem “para fazer diferente”, assegurou ainda ao Expresso, no mês passado. Neste sentido, o jovem social-democrata espera também restaurar a confiança do eleitorado no sistema político atual através de uma intervenção baseada no diálogo, sempre a pensar no futuro.

PS. Luís Testa contra o despovoamento no interior

Pelo círculo de Portalegre, Luís Testa é o cabeça-de-lista mais velho entre os mais novos. Aos 41 anos, o deputado socialista é o número um deste grupo com mais experiência política, destacando-se o seu trabalho na atual legislatura como coordenador da Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas no Parlamento.

Em conversa com o i, o jurista esclareceu que apesar de ser uma prioridade para o PS trazer novas caras para o Parlamento, há que encontrar “um equilíbrio entre a experiência política, através de um conjunto de deputados que transitam para a próxima legislatura, e uma aposta na renovação de forma a garantir a representatividade daquilo que são os desafios do futuro”.  Salientando que o partido está “muito confortável com as suas escolhas, incluindo as referentes aos mais novos”, Luís Testa quer voltar em outubro para a Assembleia da República a fim de continuar o trabalho que tem desenvolvido nos últimos anos e de lutar contra o despovoamento e a desertificação da região do círculo eleitoral que representa.

“As alterações climáticas estão a provocar no território do Alto Alentejo questões tão graves como a seca dos solos, ao ponto de estes se tornarem incultiváveis. Portanto, temos uma agenda muito precisa e focada naquilo que é uma transição muito acelerada a nível energético”, enfatizou o deputado. O desenvolvimento económico de Portalegre através do turismo, do acolhimento de imigrantes e da promoção de relações bilaterais com Espanha é uma das ideias que Luís Testa quer levar a discussão no Parlamento.

BE. Bárbara Xavier focada em salvar o planeta (na foto)

Com 26 anos, Bárbara Xavier, psicóloga e especialista nas matérias de igualdade de género, é a cabeça-de-lista mais nova do BE. Natural da Guarda, a ativista da Plataforma Já Marchavas! e da Rede 8 de Março candidata-se como independente por Viseu. Ainda que tenha pensado em tornar-se militante do partido porque apoia “totalmente o projeto nacional e distrital” dos bloquistas, a jovem, que vive atualmente em Viseu, destacou ao i que acredita que o facto de ser independente e não ter experiência política demonstra que quer ir para o Parlamento por um “real interesse comunitário”, e não partidário ou pessoal.  “Ou seja, acho que o facto de não ter experiência política é um benefício, aliado a não ser militante do BE, porque mostra que o que me move é acreditar que podemos fazer alguma coisa diferente”, esclareceu. Com dificuldade em apontar uma só prioridade, tendo em conta que “há tanta coisa para fazer”, Bárbara Xavier ressaltou que “se não tivermos um planeta habitável, não há mais luta nenhuma que possamos travar”, escolhendo assim a defesa e promoção de um planeta sustentável como a sua grande bandeira. No entanto, a ativista quis recordar que assuntos como a defesa da igualdade de género, o combate ao trabalho precário, o acesso a habitações acessíveis e a uma saúde de qualidade, e a revitalização do comércio local e da ferrovia em Portugal são causas pelas quais se propõe lutar caso esteja em outubro no hemiciclo.

PAN. Rafael Pinto na luta por uma medicina preventiva

Rafael Pinto é licenciado em Direito, está a tirar o mestrado em Direito da União Europeia, é youtuber de conteúdos educativos na área da nutrição e do fitness e é o cabeça-de-lista mais novo do PAN nestas eleições.

Com 23 anos, o candidato pelo círculo de Braga juntou-se ao partido liderado por André Silva há três porque “finalmente” encontrou uma estrutura partidária com a qual se identificava e “um líder político que vive de acordo com aquilo que defende”, começou por contar ao i Rafael Pinto, um dos responsáveis pela criação do núcleo do PAN em Braga.

Sem qualquer experiência política fora do partido, o candidato ressaltou que, porém, não é novo na área do ativismo e que quando vê “a inércia e incompetência de vários políticos portugueses há anos em funções” considera que esse fator é tudo menos determinante para se “fazer boa política”.

Tendo em conta que há mais de dois anos se dedica intensamente ao estudo científico das áreas de nutrição e fitness – para os seus canais digitais, que têm como objetivo ajudar as pessoas a serem mais saudáveis –, as suas principais preocupações relacionam-se com a educação e a saúde. “Na saúde precisamos de apostar numa medicina preventiva. Temos de ensinar as pessoas a comer, incentivar a prática de exercício físico, e temos de incluir tudo isto nos conteúdos programáticos das escolas. Não faz sentido gastarmos milhões de euros todos os anos e perdermos milhares de vidas devido a doenças que podiam ser prevenidas com um bom estilo de vida. Isto é algo que me choca”, sublinhou ainda Rafael Pinto ao i.

Nota da Redação: Contactada pelo i, fonte oficial da CDU referiu que ainda não era possível determinar o cabeça-de-lista mais novo para as legislativas, sendo impossível incluir um candidato desta coligação no presente artigo.

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