13/12/19
 
 
Manuel J. Guerreiro 19/08/2019
Manuel J. Guerreiro

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Há Verão na ilha (parte 3)

Na ilha o Verão prossegue ao ritmo que é o seu… Por aqui, o “sinal horário” é registado - durante o dia, mais ou menos de duas em duas horas - não pelo repique de quaisquer sinos de igreja, mas sim pelo não menos musical buzinar dos barcos da carreira que ecoam pela ilha à chegada, fazendo-se notar mais intensamente cerca de dois minutos antes de cada nova partida.

Sabemos assim muito facilmente que horas são na ilha… Porém, o conceito de hora certa é, como vimos, algo diferente do normal, uma vez que o buzinar dos barcos está em linha com os horários das duas respectivas carreiras que a ligam a terra, via Olhão ou via Faro.

Esta semana tivemos uma novidade importante na ligação Olhão – Culatra – Farol digna de registo e divulgação pública. Uma novíssima e moderna embarcação de seu nome “RAIANO” começou a navegar nestas Formosas águas da Ria, dando aos passageiros um outro conforto e uma agradável experiência quanto à viagem daquele percurso. Reduzindo sensivelmente para metade do tempo que antes demorava uma ligação directa entre Olhão – Farol. Ou seja, de 45 para 22 minutos, de resto, à semelhança da outra recente embarcação denominada “JOSÉ GUERREIRO” já em funcionamento desde o Verão de 2017, mas que, intercalava semanalmente os percursos entre Olhão – Culatra – Farol e Olhão – Armona com o velho ferryboat “RIO GUADIANA” agora parcialmente substituído pela nova estrela da companhia e que outrora fazia em Vila Real de Santo António juntamente com outros seus semelhantes aquilo para o qual foi efectivamente concebido, i.e., a travessia do rio que lhe dá o nome, transportando consigo os veículos dos passageiros que pretendiam ir de Vila Real a Ayamonte e vice-versa num tempo em que no Algarve era esta a única forma de ligação entre Portugal e Espanha. Naturalmente que após a abertura da imponente ponte internacional sobre o Rio Guadiana que nos liga por terra ao país de “nuestros hermanos”, a utilização do ferry caiu em desuso, tendo vindo tal travessia do rio a assumir uma alternativa de interesse meramente turístico. Foi neste contexto que o ferryboat de que falamos zarpou do Rio em direcção à Ria onde tem estado nos últimos 25 anos (pelo menos) a fazer a travessia entre Olhão e as ilhas barreira da Armona e Culatra - Farol.

Creio que este foi um excelente investimento que trará consigo ainda mais visitantes às nossas paradisíacas ilhas por via Olhão, garantindo-se assim a inevitável visita de todas estas pessoas à Cidade da Restauração, onde perante os seus encantos e a sua originalidade singular, ficarão por certo rendidas. Como mera sugestão de melhoria futura, julgo que a aquisição de um terceiro barco idêntico aos demais, porventura mais pequeno, poderia ser a solução perfeita para separar a rota actual, criando-se apenas nos meses de Verão duas rotas directas autónomas. Designadamente, Olhão – Culatra e Olhão – Farol.

Por outro lado, está mais do que na altura de se retirar destas águas aquele “monstro” de navegação que apenas oferece garantias de transporte em quantidade de passageiros sem, contudo, lhes proporcionar nenhuma qualidade no serviço prestado. No entanto, o “RIO GUADIANA” poderá vir a ser útil no futuro, ou já mesmo no presente como uma alternativa à única (felizmente) ponte rodoviária de uma só faixa de rodagem para ambos os sentidos que permite levar automóveis para cima do cordão dunar – caso isolado em toda a extensão da Ria Formosa – e que é a Praia de Faro na Península do Ancão…

Voltando à ilha, esta foi também a semana de um outro natural acontecimento. A noite de lua cheia. E que lua… Incrivelmente grande e de cor alaranjada que emergiu lá ao longe naquele mar imenso perante aquelas praias. As pessoas ficaram ali especadas a assistir àquele portentoso espectáculo da natureza. Houve quem, simplesmente, interrompesse o jantar ou parasse de fazer o que estava a fazer para acorrer ao molhe, à duna, à praia, à varanda, etc., e desfrutar daquele momento formidável. É certo que muitos acabaram por perder parte daquele autêntico “moonrise over ocean”, na tentativa absolutamente inútil e conscientemente frustrante de tentar tirar fotos com os seus telemóveis… Por melhores câmaras e smartphones que se tenha, por enquanto, não se consegue tirar uma única fotografia a um fenómeno natural deste tipo que seja minimamente fidedigna com aquilo que estamos a ver com a objectiva dos nossos olhos e que gravamos, isoladamente ou em conjunto com quem socialmente estivermos a viver o momento, na nossa memória cerebral que é mais, muitíssimo mais poderosa do que uma qualquer “rede webica”. Aliás, para à qual se poder aceder, é necessário ter outra “rede”, o que na ilha é muito difícil de obter (pelo menos para alguns) em condições aceitáveis de modo a permitir publicar o que quer que seja. Até mesmo uma perfeitamente desfocada quanto ridícula lua cheia.

Nada desfocada e muito menos ainda com fraco sinal, foi a Festa Branca do “MAR-A-MAIS” que atraiu umas centenas largas de pessoas que ali se juntaram e se divertiram, como de resto é usual todas as tardes, mas numa noite mágica perante uma lua de facto brutal que iluminou todos quantos lá estiveram naquele bar que é da praia e da ilha e que é também das pessoas. As que o fazem com muito amor. E as que o visitam e dele retiram o seu melhor!

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