20/9/19
 
 
Casas. Vale tudo: de contentores a rulotes no jardim

Casas. Vale tudo: de contentores a rulotes no jardim

É possível encontrar de tudo. Desde contentores, rulotes no jardim e garagens adaptáveis a casas-gruta. Estas são algumas das ofertas que o i encontrou na internet e são resultado dos atuais preços especulativos no mercado imobiliário.

O verniz voltou a estalar em torno dos preços que são praticados no mercado de habitação com o recente anúncio na internet sobre apartamentos de 12 metros quadrados instalados em contentores, em Marvila, Lisboa. Promovidos como “Expo Marvila ecotainer”, estes contentores estavam localizados no quintal de um prédio. O preço estava fixado nos 600 euros mensais e os contentores contavam “com camas de casal e beliches para duas pessoas em cada unidade, uma zona de preparação de refeições e sala comunitária para 6 apartamentos”, referia o anúncio.

A resposta da Câmara de Lisboa não se fez esperar: a oferta era ilegal e, apesar de o terreno ser “privado”, a autarquia defendeu que as “estruturas são ilegais por não terem sido precedidas do respetivo licenciamento nos serviços de urbanismo da câmara, estando em causa condições de habitabilidade e de segurança/acesso ao local”.

A verdade é que esta polémica fez espoletar uma guerra antiga. No início do ano surgiu um anúncio para venda de um apartamento T2 inserido numa gruta, em Campo de Ourique, por 170 mil euros. O estado de degradação era visível pelas fotografias, assim como a gruta “escavada sob a colina, com cerca de 150 metros quadrados”. Nas imagens percebe-se que uma da duas casas de banho do imóvel estava mesmo dentro da gruta, onde existia ainda uma espécie de sala. Mas apesar das várias obras de intervenção exigidas por parte do comprador para tornar aquele espaço habitável, a mediadora garantia que se tratava de uma “oportunidade para investidores”.

Mas os casos não ficam por aqui. Também polémico foi o anúncio do arrendamento de um quarto numa autocaravana, por 600 euros mensais, no jardim de uma vivenda no Estoril. Este valor já contava com as despesas da água, eletricidade e internet. Os inquilinos tinham ainda acesso a uma casa de banho com chuveiro. Tratava-se de uma carrinha convertida, com cama, mesa e algum espaço de arrumação no topo.

Outros anúncios insólitos O certo é que há preços para todos os gostos, tanto para arrendar como para comprar. Na internet há quem esteja a vender rulotes para instalar em quintais ou terrenos. O vendedor diz que é uma solução para “apartamentos T0, T1, T2, etc., com a vantagem de estar mobilada e equipada”. O preço está fixado em 5295 euros.

Outra alternativa passa por comprar uma casa-contentor. Há vários modelos à venda na internet. Numa ronda feita pelo i é possível encontrar soluções por 25 mil euros, sem mobiliário, sem eletrodomésticos e sem revestimento exterior. A este valor há que acrescentar o montante necessário para tratar da documentação para vivenda móvel.

Mais ao encontro do “normal” são os anúncios relativos a anexos ou sótãos. Também aqui, os preços diferem. Mas é possível encontrar apartamentos de último andar com 36 metros quadrados, sem elevador e em mansarda com janelas de sótão por 650 euros.

Quem preferir pode optar pela compra de uma garagem e adaptá-la a uma casa “vintage”, como promove o anunciante. O valor está fixado em 68 mil euros e “pode fazer cozinha/sala em baixo e uma mezzanine em cima para os quartos”.

Valores disparam Com os preços a aumentar, as alternativas são a solução e o facto de os preços serem cada vez mais elevados – quer na compra, quer no arrendamento – leva os portugueses a optarem por respostas mais acessíveis para a sua carteira. E o desespero dos inquilinos para arranjarem um cantinho para morarem leva os senhorios a usar a imaginação no que diz respeito a arranjar soluções.

Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos à compra de casa, o preço mediano das casas subiu para 1011 euros por metro quadrado no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 6,4% face a igual período do ano passado, altura em que se fixava nos 950 euros por metro quadrado. Já em relação ao trimestre anterior, o crescimento foi de 1,5%. A zona mais cara do país continua a ser Lisboa, onde o preço mediano de vendas de habitação é de 3111 euros por metro quadrado. Mas no que diz respeito ao período homólogo, todas as cidades com mais de 100 mil habitantes registaram subidas de preços.

E não é só na venda de casa que os preços dispararam. Os últimos dados relativos ao segundo semestre do ano passado revelam que 33 municípios do país tinham rendas por metro quadrado superiores ao valor nacional.

O gabinete de estatística revela que o valor mediano das rendas de alojamentos familiares em novos contratos de arrendamento no país fixou-se em 4,80 euros por metro quadrado, registando uma taxa de variação homóloga de +9,3%.

Aliás, o INE revela também que as rendas, só em Lisboa, registaram um aumento de 17% entre o segundo semestre de 2017 e o de 2018.

 

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