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Carlos Gouveia Martins 15/08/2019
Carlos Gouveia Martins

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Verão arrefecido. Precisamos de jerricãs de calor e turistas em Agosto

Não é só o combustível que tem estado instável no país e nas principais regiões turísticas de Portugal. O tempo não ajuda e o calor tem andado como o gasóleo em alguns postos de abastecimento.

Este epifenómeno tem feito com que este Agosto não esteja a ser o nosso Agosto, tal como este calor não tem sido o nosso calor. O somatório disto tudo traz menos gente a Portugal. Talvez, forçados, a falta de combustíveis faça com que alguns fiquem por cá mais tempo, mas não chega.

Seja pelas vagas de calor na europa, que ocorrendo nos países emissores de turistas nos fica “caro” o quão barato lhes fica lá ficar em suas casas, ou até pela água fria em toda a costa portuguesa.

Com especial surpresa a sul, a água fria do mar também conta na política de cancelamentos. Sim, assistimos a vários cancelamentos nos hotéis do Algarve, que é a principal região do país nestes meses de Agosto.

Foquemos inicialmente o Algarve como exemplo do Verão português, do Agosto de todos nós e no Turismo que precisamos e trabalhamos porque é a região que apresenta maior volume e procura.

Não é especulação, foi mesmo a Região de Turismo do Algarve que assumiu que as reservas para o verão deste ano estavam bem abaixo das de 2018.

Houve uma menor procura, este ano, de turistas holandeses, alemães, franceses, britânicos e belgas. Com igual problema, de menos entradas de turistas, estão os nuestros hermanos nas ilhas Canárias e nas Baleares. Portanto o problema é igual em Portimão, Albufeira, Tenerife ou Palma na ilha de Maiorca.

Em contraste à península Ibérica vemos a Grécia, Egipto e Turquia que estão em franco ressurgimento turístico em 2019. Poderemos falar da política de preços mais agressiva dos gregos ou da desvalorização da moeda turca, a lira, que faz a carteira de muitos turistas inchar assim que aterram neste país algures entre o este europeu e o oeste asiático. No fundo sabemos que são vários os fatores, e não só esses, que contribuem para este ressurgimento de uns e abrandar de outros.

Claro que, durante todo o primeiro semestre de 2019, os hotéis do Algarve registaram ocupações próximas às de 2018 e o INE até apresentou um aumento de hóspedes no consolidado até Abril com um crescimento acima dos 10% em proveitos. Isto demonstra que há um alinhamento, até então, com o ano anterior. Mas alinhar não significa crescer, por mais voltas que se dê ao dicionário e por mais números que se comparem no turismo.

Mas Abril não é Verão e já lá vai. Vejamos então o Verão e aquilo que algumas palavras ofuscam.

O Turismo em números, para os atentos aos valores que o Turismo de Portugal disponibiliza, demonstra claramente que em Junho deste ano havia um decréscimo de 0.5% de hóspedes estrangeiros em Portugal face a 2018 e, só em dormidas na hotelaria, baixou mesmo 1.4% este ano face há 365 dias atrás. Os proveitos globais de 2019 também baixam 1.1% face a junho de 2018.

É um sinal claro. Em Agosto estima-se, pelas reservas de cada hotel, pelo que demonstra o “Gigante” Algarve como barómetro e pelas declarações de diversas entidades ligadas ao setor, que o registo seja o mesmo: a descer.

Mas não é preocupante este abaixamento de Agosto. Sendo sério e honesto, não é. Não é preocupante porque o país atingiu valores elevadíssimos na procura. Não é preocupante porque Portugal consolidou-se na última quase década de forma muito forte e apresenta valores de proveitos que outrora nunca teve. Sendo sério e honesto, também, não ficaria mal a quem de direito poder livremente dizer o que os números dizem. Se cresce, cresce se está a descer, desceu e não há cá “está alinhado”. Simples.

Atenção que mais de 50% dos hotéis preveem ocupações semelhantes às de 2018, com base nas reservas que já existem e a respetiva extrapolação que a Associação de Hotelaria de Portugal bem faz. Entre as regiões que esperam maiores receitas, com melhoria face ao ano anterior, destacam-se os Açores e o Alentejo.

Decorrida, precisamente hoje, a primeira quinzena de Agosto, podemos afirmar que - em números - o Verão até será bom. Mas, nessa mesma linha, o otimismo está oficialmente a abrandar com as taxas de ocupação a não crescerem ao ritmo dos anos anteriores. Mantemos níveis elevados? Sim. E por isso será um verão positivo.

Sabemos que após seis anos de crescimento, algum dia ou ano este boom iria parar ou abrandar. Parece que será em 2019 que começará o pedal do travão a funcionar. Não é para poupar combustível porque no nosso Turismo o que “faz andar” nunca falha, de norte a sul e ao longo de todo o ano.

Sendo positivo, sabemos que meteorologicamente há perspetivas de melhor tempo e que assim, prolongando o verão, poderá haver uma maior procura até Setembro, Outubro ou mesmo Novembro. Eu assim espero.

Uma coisa sabemos todos, com menor crescimento e melhor ou pior alinhamento, Portugal é uma referência inquestionável em qualquer Agosto.  

Carlos Gouveia Martins

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