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Vítor Rainho 15/08/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Patrões e CGTP de mãos dadas pela primeira vez

Não fosse a inexistência de uma oposição e o Governo não poderia comportar-se desta forma, usando uma associação, a dos patrões, para dar cabo da greve e da credibilidade dos grevistas, com a ajuda da CGTP

Se o tempo não estivesse tão incerto, talvez as notícias fossem outras. Mas, felizmente, o mau tempo tem dado descanso aos bombeiros e todas as atenções se viram para a greve dos camionistas. E o que descobrimos nestas maratonas informativas é melhor do que ir ver um filme de ação. Foram detidos, não foram detidos; 60 horas semanais são normais, 60 horas semanais não são normais; o ordenado dos camionistas é de 600 euros, o ordenado dos motoristas é de 1800 euros, e por aí fora. As contradições são muitas, mas há factos que são indesmentíveis.

Os camionistas têm um salário base semelhante ao ordenado mínimo nacional e só as horas extras fazem com que levem mais umas centenas de euros para casa. Mas, para isso, precisam de trabalhar as tais 60 horas semanais. E é aqui que vemos com estupefação um ministro falar nas 60 horas semanais com a maior das ligeirezas, quando o Executivo de que faz parte tinha como bandeira eleitoral baixar para as 35 horas semanais o horário dos funcionários públicos. Percebemos então que, para o Governo, só os trabalhadores do Estado é que merecem essas atenções, já que os camionistas podem bem trabalhar de sol a sol.

E o que dizer do sindicato associado à CGTP que está a negociar com a Antram um aumento salarial para 700 euros? Não deixa de ser irónico que um sindicato afeto à central sindical ligada ao PCP seja muito menos exigente do que o sindicato de Pedro Pardal Henriques, um homem que teve de adiar o anúncio da sua candidatura à Assembleia da República por causa do prolongamento da greve.

Não fosse a inexistência de uma oposição e o Governo não poderia comportar-se desta forma, usando uma associação, a dos patrões, para dar cabo da greve e da credibilidade dos grevistas, com a ajuda da CGTP. Rui Rio, aliás, sai desta história como o político mais inábil da atualidade. A proposta de querer adiar o conflito para depois das eleições legislativas está ao nível do pior humor que se faz em Portugal. Pior é mesmo impossível.

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