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Cofina confirma negociações exclusivas para comprar TVI

Cofina confirma negociações exclusivas para comprar TVI

Raquel Wise Sónia Peres Pinto 14/08/2019 20:53

Diálogo irá prolongar-se nos próximos meses e Cofina terá decidido avançar após a saída de Rosa Cullell da direção executiva da Prisa. 

 

A Cofina (detentora do Correio da Manhã e da CMTV) confirmou ontem estar em negociações “em regime de exclusividade” com a Prisa para uma “possível oferta formal pela Media Capital”. A informação foi avançada pela empresa liderada por Paulo Fernandes à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), depois do regulador ter suspendido a negociação das ações da Cofina e da dona da TVI enquanto aguardava “a divulgação de informação relevante ao mercado”. A informação foi avançada à tarde pelo Expresso, mas foi entretanto confirmada pelo i. Esse interesse já tinha sido divulgado em março pelo SOL ao revelar que grupo espanhol estava em fase de conclusão de um acordo de princípios com um grupo de investidores com ligações aos media em Portugal. Uma operação que rondaria os 315 milhões de euros. 

O i sabe que este diálogo irá prolongar-se nos próximos meses e a Cofina terá decidido avançar após a saída de Rosa Cullell da direção executiva da Prisa. 

Ao que o i apurou, o negócio a avançar poderá ter problemas junto da Autoridade da Concorrência, principalmente na televisão. Ainda assim, fonte ligada ao processo garantiu que “o share de audiências da TVI e da CMTV juntas são inferiores à da SIC generalista”. 

Negócio fracassado

Depois de ter adquirido a Media Capital em 2005, o grupo espanhol chegou a ter um acordo fechado com a Altice, em julho de 2017, para a venda da dona da TVI por cerca de 440 milhões de euros, mas o negócio acabou por esbarrar na demora das autorizações necessárias da Concorrência e de outras entidades reguladoras.

 Uma venda que tanto para as empresas concorrentes como para os próprios reguladores estava condenada à nascença, mas que seria a tábua de salvação para o grupo espanhol que precisava, na altura, de financiamento rápido. Um ano depois o desfecho da operação e já com uma situação desafogada – a Prisa tinha chegado entretanto a acordo com os credores para prolongar o vencimento da dívida até 2022, altura em que terá de reembolsar 1500 milhões de euros aos investidores – o grupo espanhol garantiu que continuava interessado em alienar a dona da TVI, mas “sem pressa” em concretizar no curto e médio prazo, uma vez que considerava a Media Capital uma empresa “muito sólida”. 

A verdade é que os resultados da dona da TVI não são muito animadores. A empresa fechou o primeiro semestre com lucros de 5,9 milhões de euros, uma quebra de 44% face ao período homólogo. Ao que i apurou, face esses resultados, o canal de televisão não tem dinheiro para competir com os canais concorrentes. 

Além disso, o canal e o seu diretor de informação, Sérgio Figueiredo, estão ainda a braços com uma acusação, por parte do Ministério Público, de desobediência qualificada e ofensa à reputação. Em causa está uma queixa do Banif (em liquidação), na sequência da notícia sobre o alegado ‘fecho’ do banco, emitida pelo canal TVI24, no dia 13 de dezembro de 2015, com a instituição financeira a considerar que a notícia esteve na “origem de uma enorme perda de liquidez ao longo dos dias” imediatamente a seguir à transmissão e, posteriormente, “da resolução do banco dos danos por ele provocados”.

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