16/10/19
 
 
Eduardo Oliveira e Silva 14/08/2019
Eduardo Oliveira e Silva

opiniao@newsplex.pt

Os portugueses vão sofrer mais um brutal aumento de impostos

Até já foi dito que as deduções de saúde no IRS são a solução parcial para financiar o SNS. Depois dos impostos indiretos, ataca-se no IRS.

1. Mário Centeno sabe que o país não sobrevive com as atuais ruturas em setores essenciais. Portugal está a cair aos pedaços. Não vai haver dinheiro para nada se os indicadores internos e externos mantiverem perspetivas negativas. Não é por uma agência de rating melhorar o olhar sobre nós que as coisas mudam. Até por isso, o ministro das Finanças está doido para sair do Governo, enquanto António Costa o pressiona a ficar. Para que não haja dúvidas sobre o que aí vem basta ter lido a entrevista que deu ao Público, no sábado, Francisco Ramos. O secretário de Estado Adjunto da Saúde (na prática é ele que dirige o ministério onde Marta Temido só atrapalha) foi claro ao defender que uma das soluções para o Serviço Nacional de Saúde é ir buscar 300 milhões de euros aos impostos, baixando as deduções de saúde que se fazem no IRS. O governante foi mais longe e defendeu que os portugueses façam seguros para as áreas que não são normalmente cobertas pelo SNS, como óculos ou próteses dentárias. O caminho desta sub-reptícia lógica neoliberal está traçado. À boa maneira do Governo do PS e da geringonça, a matéria é colocada aos poucos e até como uma opinião pessoal. Depois avança-se…

2. A propaganda governativa esbarra normalmente na realidade. Há dias soube-se que o êxodo dos enfermeiros continua. Só nos primeiros seis meses deste ano houve 2321 enfermeiros que pediram documentos para trabalhar fora do país. A degradação da saúde em Portugal está patente. Faltam médicos, enfermeiros, auxiliares e administrativos. Falta dinheiro, organização e estratégia. Na emergência reina o caos, com atrasos sistemáticos no atendimento do 112 e a notícia de que o INEM tem tantas falhas de pessoal que os bombeiros têm sido frequentemente chamados para situações críticas.

3. Passou mais uma semana sem que o secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, se tenha demitido ou tenha sido demitido, depois de se saber que o seu filho teve múltiplos contratos com o Estado. Lá estava ele, no domingo, nas televisões, ao jeito do emplastro, a espreitar por cima do ombro de António Costa. Para alguns, a lei é dura. Para outros, não existe.

4. E enquanto este secretário de Estado passava de fininho, o foco voltou-se injustamente contra o deputado do PSD Leitão Amaro, a propósito de contratos de familiares seus com o Estado. Sucede que a lei 64/93, que se aplica à maioria da classe política, não abrange os deputados, que têm há muito um enquadramento legal específico. A montanha pariu um rato. Convém conferir as leis antes de as interpretar à campeão.

5. Um dado preocupante da nossa economia tem a ver com a evolução das exportações. Em junho atingiram 4754 milhões de euros. É o valor mais baixo desde dezembro, traduzindo uma diminuição de 15,4% em relação a maio e menos 8,3% relativamente ao mês homólogo do ano passado. O comportamento das exportações é um mau sinal para qualquer economia e sobretudo para a nossa, que delas depende muito, dado o fraco consumo interno num país empobrecido e onde a maioria dos trabalhadores são mal pagos. Veja-se que o salário mínimo está a aproximar-se cada vez mais do salário médio, o que mostra o óbvio empobrecimento da maioria das pessoas ativas. Acumulam-se os sinais negativos!

6. Na economia atual, a logística corresponde à circulação sanguínea no corpo humano. Se o sangue não circular, morre-se. Com as mercadorias é exatamente a mesma coisa. Armazéns e grandes stocks são coisas do passado, tirando para grupos específicos que disso fazem negócio como, por exemplo, a Amazon. O segredo está no movimento perpétuo que, naturalmente, implica muita coisa. A logística são camiões, carros, comboios, aviões e barcos que circulam a toda a hora para levar coisas de um lado para o outro. Umas são mais essenciais que outras. Aguenta-se um tempo curto sem médicos e enfermeiros. Se não houver advogados, contabilistas ou políticos, não há crise. Sem pescadores, come-se carne. Sem carne, come-se peixe ou conservas. Sem polícias, a coisa complica-se por causa da insegurança. Sem eletricidade, é um martírio. Sem água, é perigoso. Sem transportes públicos há, normalmente, alternativas. Há graus para tudo. Mas sem as grandes áreas da logística, tudo paralisa ao fim de um tempo. Sem controladores aéreos e pilotos não há aviões nos céus a levar passageiros e, sobretudo, carga, que é uma enorme percentagem do negócio. Sem barcos cargueiros ou petroleiros não há bens essenciais de consumo e combustíveis. Sem combustíveis começa um sem-fim de problemas. Há, portanto, profissões que são mais estratégicas do que outras e que ganharam um peso que não se esperava. É o caso dos motoristas que estão em greve. Para conseguirem os seus propósitos terão de paralisar muitos dias, tendo contra o Governo, toda a esquerda, toda a direita e a maioria da população, que irá chegar à totalidade se o protesto se prolongar e tiver efeitos profundos no quotidiano. É uma guerra que irão fatalmente perder, até porque Pardal Henriques é um mau consultor. O Governo utilizou uma estratégia inteligente e musculada. Não hesitou em decretar serviços mínimos/máximos e a requisição civil. Costa é ganhador neste conflito, como já foi com os professores. Além disso, este movimento deu origem, pela primeira vez, a uma predisposição geral para uma revisão da lei da greve e, portanto, para uma limitação de um direito essencial da democracia que está suficientemente regulado. Só o PCP se opôs diretamente à ideia. Catarina Martins esteve praticamente desaparecida, tomou uma posição frouxa e tardia. Mais parecia uma ministra. Imagine-se que era Passos a fazer o que Costa fez agora. Alguém acha que Catarina ficava tão caladinha?

 

Escreve à quarta-feira

 

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