21/8/19
 
 
João Pais 13/08/2019
João Rebocho Pais
Opinião

opinião@ionline.pt

Oryctolagus

Estranho título para a crónica do primeiro top-10 do Falcão.

Mas impõe a transparência que seja eu justo, foi este leitor quem atempadamente me foi avisando de suas certezas acerca do tema desta semana, uma dissertação em torno de Oliveira e sua entrada nos dez primeiros.

E dando o seu a seu dono, realçando a ironia de ser um coelho a prever o êxito de um falcão, junto-lhe a gratidão de me ter incluído em seus avisos.

E agora, vamos aos factos.

Tudo relativamente calmo na partida, uma 13.a posição na grelha a permitir um arranque ali mais perto da zona onde nadam os tubarões.

Quem estava em Spielberg, no Red Bull Ring, preparava-se para contar as tropas a cada passagem, desejando que voassem por ali poucas motas antes da nossa.

A nossa é aquela laranja e azul, que é do Miguel também.

E da Tech3, bem como da KTM, a equipa que corria em sua cidade.

Quem estava em casa, podendo assistir na televisão, dividia a atenção entre a batalha épica e anunciada de Dovizioso com Marc Márquez e o quadro vertical no lado esquerdo do ecrã, onde o ranking de posições mantinha o 88 no top-10 tão desejado.

E quem, como por exemplo o grupo de gente em algazarra apaixonada que me convidou para com eles assistir à prova, somava à listagem de informação disponível a aplicação do próprio MotoGP, então poderia acompanhar em décimas que subiam e centésimas que desciam a luta entre Bagnaia, Miguel, Petrucci, Morbidelli e Nakagami.

Quem diria?

Repito, quem diria uma coisa destas, a não ser o tal Oryctolagus?

Posso afiançar-vos, senhores e senhoras, que naqueles 40 minutos desde o semáforo à bandeirada de xadrez fui escutando uma algaraviada de incentivos, mezinhas e apupos ao pequeno cardápio de candidatos que em pista mantinham suas pendengas mano a mano, sendo a luta dos monstros Dovi e Márquez o exemplo máximo da paixão que tudo isto arrasta.

Garanto-vos ainda em paralelo que naqueles 40 minutos fomos levados pela mão a voar na certeza do Miguel, na galhardia do Falcão, na serenidade de um 88 que sabe ter chegado à antecâmara da sala que um dia ocupará, a dos deuses que em concílio vão disputando a coroa do deus-rei.

E agora?

Agora, agora é chegada a hora de sairmos à rua e espalhar a palavra, de buscar amigos e com eles dividirmos esta emoção, esta paixão que é a de seguir um dos nossos batalhando de igual para igual com o suprassumo de gente que nasceu para voar em cima de duas rodas.

É hora de seguir o Miguel e todos os Miguéis que a cada dia vão buscando a perfeição que permita curvar mais curto, acelerar mais a fundo e travar mais tarde, apenas três de mil e um aspetos que fazem a diferença na hora de subir um, dois ou mesmo três degraus que elevam ao clamor do povo a mestria dos guerreiros, o pódio das corridas e desta vida de tanta mas tanta luta.

Arriscaria até a desafiar cada um dos que me leem a fazer uma pequena lista daqueles amigos mais chegados que urge trazer a esta família.

Não resta a mais pequena dúvida do saboroso que é escutar um locutor desfazer-se em elogios à qualidade do “Portuguese Oliveira”.

É momento de arrepiar quando escutamos uma referência como Guto Nejaim ir buscar Miguel Torga e oferecer-nos parte de um poema descrevendo, emocionado, uma vitória do nosso menino-herói.

Mas é também hora de ser justo e estar lá quando podemos, estar no lugar que nos pertence, a bancada, assistindo, aplaudindo e apoiando todo um mundo que não desiste do seu caminho rumo a um futuro tantas vezes incerto e garantidamente exigente a cada degrau que se pretenda subir, começando em tenras idades, como assistimos na Oliveira Cup.

E eles são tantos, aquele universo é de tanta gente.

Pilotos, mecânicos, investidores, patrocinadores, organizadores, comissários de pista.

Todos nos merecem frente a eles, majestosamente frente a eles, tornando-nos o mais sortudo elemento de toda esta engrenagem.

Ah... quase esquecia:

Parabéns, Miguel Oliveira.

 

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