20/8/19
 
 
João Lemos Esteves 13/08/2019
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

“House of Gasoline”: António Costa é o Frank Underwood tuga

A reação do Governo socialista/trotskista/comunista à greve dos motoristas de matérias perigosas é digna de um episódio de pura ficção sobre encenação e manipulação política.

1. António Costa resolveu ter o seu momento Frank Underwood. Na quinta temporada da série House of Cards (ainda com a fantástica interpretação do ator Kevin Spacey) – que retrata, em termos fantasiosos e hiperbólicos, a vida política em Washington DC, o Presidente dos EUA (precisamente Frank Underwood) confronta-se com um cenário eleitoral pouco favorável. Enredado numa série de complexidades governativas e tumultos no seu próprio partido (estranhamente, atendendo à bitola de Hollywood, reconhece-se que os vícios se centram no Partido Democrata, ou seja, na esquerda norte-americana), Underwood inventa uma situação de crise à segurança nacional para reforçar os seus poderes, declarar o estado de emergência nacional, logrando, por esta via, suspender a democracia. Consequentemente, o processo eleitoral é interrompido, a realização das eleições é protelada, conservando-se o Presidente esquerdista Frank Underwood no poder por tempo indeterminado. Em conclusão: a série House of Cards evocou aqui um dos mais antigos truques políticos dos aspirantes a tiranos e indivíduos com pretensões ao poder absoluto e ilimitado, que consiste em criar um facto político suscetível de gerar emoções negativas na generalidade das pessoas para mostrar liderança, para criar a perceção no eleitorado de que só o poder vigente conseguirá lidar com a situação gravíssima (inventada, na sua dimensão e severidade, pelo mesmo poder político) que o inquieta. Ah, e o Presidente Frank Underwood, ao mesmo tempo que suspendia o processo eleitoral, não deixava de elogiar a democracia e a sua importância, alegando estar a defendê-la, mantendo-se ad aeternum no poder…

2. Pois bem, António Costa – que, segundo nos contaram, viu esta temporada da série House of Cards nas férias do verão passado – reteve, com detalhes verdadeiramente assustadores, o enredo da ficção televisiva norte-americana. António Costa (que ao SOL já revelou ser “fanático por House of Cards”) quis ter o seu momento de protagonismo à la Frank Underwood: em diversos fóruns online e intervenções em sessões académicas nos EUA, várias personalidades de esquerda não escondem a sua admiração pela falta de ética, pelo descaramento (frequentemente) criminoso, pela visão de “democracia musculada” do presidente ficcional dos EUA, proveniente de Gaffney, Carolina do Sul. Porquê? Porque a única preocupação de Underwood é o poder pelo poder, tornando-o imune aos ciclos eleitorais – é a visão totalitária de democracia perfilhada pela esquerda. E de António Costa: Costa – tal como as crianças e os adolescentes sonham em se tornarem Zorros, Super-Homens, Homens-Aranha – adoraria ser o Frank Underwood da vida real. E nos últimos dias teve a oportunidade da sua vida; Costa, o habilidoso, não deixou de a aproveitar devidamente.

3. Com efeito, a reação do Governo socialista/trotskista/comunista à greve dos motoristas de matérias perigosas é digna de um episódio de pura ficção sobre encenação e manipulação política: António Costa faria Frank Underwood – o seu herói da fantasia política – corar. Senão, vejamos. Como é que António Costa reagiu? Exacerbando a dimensão do problema da greve, elevando de tal forma a fasquia da gravidade dos riscos para a vida dos portugueses que, aconteça o que acontecer nos próximos dias, o Governo poderá sempre cantar vitória – alegará que, graças ao exercício da sua autoridade, o interesse de todos os portugueses se sobrepôs ao interesse particular de alguns “portugueses egoístas” que correspondem, nesta narrativa socialista, aos motoristas grevistas. Ora, como é impossível –porque logicamente absurdo – a greve assumir as proporções trágicas que António Costa anunciou, o Governo sairá sempre vencedor: como os portugueses, baseados na informação criada pelo Governo socialista e na montagem de uma situação de falsa emergência nacional, já interiorizaram a expetativa do pior cenário possível, todos os resultados verosímeis – que a factualidade demonstrará – serão mais benéficos. Logo, António Costa sairá como um líder nato, que põe os malandros dos trabalhadores na ordem, que serve o interesse nacional, que até se mostra capaz de pôr o PCP e o BE do lado dos patrões e contra os trabalhadores (a extrema-esquerda gosta muito de greves… desde que os grevistas sejam seus camaradas!). Por outro lado, António Costa – ao derrotar os trabalhadores, colocar-se ao “lado dos patrões” e silenciar o PCP e o BE – vai conquistar o apoio daquela direita que partilha com o PS costista a subordinação aos interesses especiais. Basicamente, António Costa está repetindo a birra que havia feito aquando da reposição integral do tempo de serviço dos professores – episódio que, por pura inabilidade política do líder do PPD/PSD, marcou o início do fim de Rui Rio (e de Assunção Cristas, acrescente-se). Convém ainda realçar que não queremos acreditar que, como nos foi contado por amigo próximo dos intervenientes, a Antram se tenha deixado envolver no castelo de cartas (o House of Cards) do PS de António Costa: seria muito grave que empresários respeitáveis se deixassem utilizar em jogos político-partidários…

4. Em suma: tal como Frank Underwood, António Costa criou um facto político, gerou um estado de aflição nacional irrealista em tempo pré-eleitoral, mobilizou o aparelho do Estado em termos claramente desproporcionais, deu ordens aos seus ministros para aparecerem, dando-lhes tempo de antena eleitoral extra – enfim, utilizou o medo da população para retirar dividendos políticos. António Costa subscreve a ideia central da personagem da série norte-americana: o medo é a arma política mais eficaz. Pois bem, nos últimos dias, assistimos, ao vivo e a cores rosinhas, a um episódio da House of Cards à portuguesa (versão sovietizada). Esta conclusão não deve surpreender-nos: tal como Frank Underwood, António Costa é um político sem princípios nem convicções. Apenas são motivados por uma ilimitada sede de poder, custe o que custar. A House of Cards de Underwood foi-se estilhaçando ao longo da série – e o castelo de cartas do poder política e moralmente corrupto de Costa não se aguentará muito tempo. O povo português – não a direita dos interesses especiais, que gosta muito deste PS – não é parvo. Já é tempo de cancelar esta série costista!

joaolemosesteves@gmail.com

Escreve à terça-feira

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×