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Impeachment. Por fim, o escândalo pela voz de Lewinsky

Impeachment. Por fim, o escândalo pela voz de Lewinsky

Cláudia Sobral 09/08/2019 20:25

American Crime Story, a série antológica que retratou o caso O. J. Simpson e o homicídio de Gianni Versace, avança para uma terceira temporada em torno do escândalo que quase derrubou Clinton. Monica Lewinsky é a produtora.

É uma dessas histórias que não marcaram apenas uma década, mas um tempo – e, mais do que um tempo ainda, a história da Casa Branca. Para sempre associado a Bill Clinton ficará aquele que ficou conhecido como o escândalo Lewinsky. Cantaram-no Snoop Dog em A Bitch I Knew, Eminem em Rap God, Beyoncé refere-se a ela em Partition – a Monica Lewinsky, a estagiária da Casa Branca com quem alegadamente o então Presidente dos Estados Unidos se envolveu sexualmente, ao que se seguiu um processo de impeachment, em 1998, que quase destituiu Clinton.

Agora, o caso que desde esse tempo a cultura popular não deixou morrer, regressará e com mais força do que nunca. A série American Crime Story vai avançar para uma terceira temporada em torno do caso que abalou a sociedade americana, e não só, no final do século XX. Com Beanie Feldstein como Monica Lewinsky – e Lewinsky, ela própria, como produtora, anunciou agora o FX, canal em que será transmitida a série nos Estados Unidos.

A nova temporada da série composta por uma antologia de histórias de crimes históricos da autoria de Scott Alexander e Larry Karaszewski contará ainda com Sarah Paulson como Linda Tripp e Annaleigh Ashford como Paula Jones. E tomará como referência o livro A Vast Conspiracy: The Real Story of the Sex Scandal That Nearly Brought Down a President, publicado logo em 1999 pelo advogado, escritor e comentador da CNN e da New Yorker Jeffrey Toobin.

uma festa em Hollywood Com estreia marcada para 27 de setembro de 2020, Impeachment: American Crime Story, a nova temporada da série que no passado retratou o caso de O. J. Simpson (The People v. O. J. Simpson, em 2016) e o homicídio do designer de moda Gianni Versace (The Assassination of Gianni Versace, no ano passado) terá como argumentista Sarah Burgess, que assume também a função de produtora executiva ao lado de Ryan Murphy, Nina Jacobson, Brad Simpson, Brad Falchuk, Larry Karaszewski, Scott Alexander, Alexis Martin Woodall e Sarah Paulson.

Mas o nome que desde ontem enche títulos é o de Lewinsky. Segundo Ryan Murphy, era impossível que o projeto avançasse sem contar com a sua participação. Em declarações exclusivas para a Vanity Fair, a antiga estagiária da Casa Branca explicou o que a levou a aceitar o convite: “Estava hesitante, e para dizer a verdade mais do que um bocadinho assustada com a ideia de aceitar. Mas depois de um longo encontro num jantar com o Ryan, percebi de forma mais clara a dedicação com que dá voz aos marginalizados na totalidade do seu trabalho brilhante. Sinto-me privilegiada por poder trabalhar com ele e com as outras pessoas talentosas da equipa, e privilegiada por ter esta oportunidade”.

Segundo contara o produtor executivo da série à mesma revista, foi no ano passado que, numa festa em Hollywood, foi ter com Monica Lewinsky com o pedido: “Não deveria ser outra pessoa a contar a sua história que não você, e será bastante grosseiro se o fizerem. Se quiser produzi-la comigo, adoraria; mas deverá ser você a produtora, e deverá ser você a ficar com o dinheiro”.

Na nota enviada à Vanity Fair, Lewinsky sublinha ainda como, durante todos estes anos, a sua história foi sempre contada (e recontada) por outras pessoas. “Na verdade só nestes últimos anos fui capaz de reclamar para mim esta narrativa; quase 20 anos depois”, afirma. “Estou muito grata pela forma como, enquanto sociedade, evoluímos de forma a permitir que pessoas que, como eu, foram historicamente silenciadas possam finalmente reintroduzir a sua voz na conversa”.

E terminou: “Isto não é apenas sobre mim. Pessoas poderosas, muitas vezes homens, aproveitam-se dos seus subordinados de uma miríade de formas o tempo todo. Muitas pessoas verão isto como uma história apenas e, por essa razão, esta é uma narrativa que estará, infelizmente, sempre viva”.

 

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