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Aviação. Julho foi o mês com mais reclamações de sempre

Aviação. Julho foi o mês com mais reclamações de sempre

Sónia Peres Pinto 08/08/2019 19:50

Só no mês de julho, o Portal da Queixa recebeu 182 reclamações, atingindo um nível recorde. Mas, desde janeiro, o número atinge as 957 reclamações, bem acima de anos anteriores. TAP lidera ranking, seguida por Ryanair e easyJet.

A greve de 21 a 25 de agosto dos tripulantes da Ryanair – e a possibilidade de se estender por mais dias – e, agora, o encerramento da base de Faro a partir de janeiro fizeram disparar alarmes. As companhias aéreas são alvo de várias queixas por parte dos consumidores portugueses e julho foi o mês com mais reclamações de sempre: 182, revelou ao i o Portal da Queixa.

Desde o início do ano até ao dia 7 de agosto, esta rede recebeu 957 reclamações, acima das 910 que foram feitas no ano anterior (1699 durante o ano todo) e das 584 reclamações realizadas em 2017 (1235 ao longo de todo o ano).

De acordo com os dados divulgados pelo Portal da Queixa ao i, a TAP foi o principal alvo de reclamações ao receber 416 desde janeiro. O segundo lugar da tabela é ocupado pela Ryanair com 192, seguido pela easyJet com 77.

Atrasos (23%), bagagem danificada/perdida (219), pedidos de reembolso (188) e cancelamentos (162) são os principais motivos das reclamações realizadas desde o arranque do ano (ver coluna ao lado).

Números podem disparar A verdade é que estes números poderão vir a aumentar. A TAP está a braços com a questão dos enjoos misteriosos nos A330neo. No sábado passado, o Sol avançou que alguns pilotos estão a aterrar estes modelos com máscaras colocadas e continuam a ser registados casos de pessoas que se sentem maldispostas e enjoadas depois de viajarem nestes aviões.

Também a instabilidade na Ryanair poderá ganhar novos contornos e contribuir para o aumento das queixas. Aliás, a Deco já veio afirmar que a companhia aérea está a ter “uma prática comercial desleal”. Em causa está o pré-aviso de greve dos trabalhadores da empresa de aviação low-cost, desde o início de julho; no entanto, a empresa, mesmo assim, “manteve a venda de voos, através do seu site, até 17 de julho”. “Até esse dia, os consumidores compravam online, mas recebiam um aviso de cancelamento”, acrescentando a associação que “a decisão de manter a venda dos títulos foi um risco que a empresa decidiu assumir”. E foi mais longe: “Mesmo que alegue que esperava realizar esses voos na data prevista, a verdade é que a convocação da greve faria prever o cancelamento de viagens, o que veio a confirmar-se”.

Mas há exceções: a empresa não terá de indemnizar os clientes nos casos em que os compradores tivessem conhecimento da possibilidade de cancelamento, nas seguintes situações: quem comprou bilhetes antes da convocação da greve também não terá direito à indemnização se a Ryanair provar que “tomou todas as medidas razoáveis para evitar o cancelamento ou que este não podia ter sido evitado mesmo que as tivesse tomado”.

atenções redobradas Também o anúncio do encerramento da base de Faro por parte da companhia low-cost já veio merecer atenção redobrada por parte do Governo. O Ministério da Economia já veio afirmar que está a acompanhar esta situação e que “pediu informações às entidades envolvidas, não tendo, neste momento, qualquer indicação quanto a redução de voos ou de capacidade aérea para o Algarve”.

Recorde-se que, tal como o i avançou, a Ryanair comunicou esta terça-feira, em Faro, que iria encerrar a base naquele aeroporto em janeiro de 2020 e despedir cerca de 100 trabalhadores, embora mantenha os voos.

O anúncio preocupa os responsáveis turísticos daquela região. “Vimos isto com preocupação, caso a notícia venha a confirmar-se. O fim da base da Ryanair em Faro significa que, apesar de a companhia continuar a afirmar que isso não afetará o número de voos [para Faro], na nossa perspetiva é óbvio que o número de voos, mais tarde ou mais cedo, será menor”, afirmou o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, considerando ser esta “uma muito má notícia para o Algarve”.

Mais otimista está o presidente do Turismo do Algarve ao considerar que o fecho desta base não vai pôr em causa a acessibilidade à região, uma vez que a operação da companhia aérea vai ser mantida. Ainda assim, chama a atenção para o facto de a Ryanair representar “quase 30% do share do aeroporto de Faro, já que as companhias aéreas low-cost têm uma representação significativa no aeroporto de Faro”.

 

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