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Centeno manda suspender inquérito polémico à Função Pública

Centeno manda suspender inquérito polémico à Função Pública

Cristina Rita 08/08/2019 12:56

Inquérito perguntava grau de satisfação dos trabalhadores da administração pública sobre a reposição dos salários e os efeitos do período da troika, ou seja, do anterior governo de Passos Coelho. Sindicatos falaram em campanha política.

O Ministério das Finanças, tutelado por Mário Centeno, mandou suspender temporariamente um inquérito interno à Função Pública dada "a elevada visibilidade do assunto em período pré-eleitoral", ou seja, para travar eventuais leituras de campanha eleitoral.

O inquérito colocava, numa lista de 40 perguntas, quatro questões sobre o grau de satisfação dos trabalhadores e solicitava uma opinião (acordo, neutral ou desacordo) sobre a influência do período da troika na motivação para o trabalho e a uma retrospetiva dos últimos cincos, exatamente, para se perceber o nível de satisfação dos funcionários. Estas perguntas soaram a campanha para alguns sindicatos da Função Pública.

Numa nota oficial, o Ministério das Finanças começa por explicar que só tomou conhecimento do inquérito esta semana, da autoria da Direção-Geral da Administração  e do Emprego Público (DGAEP). De facto, esta direção-geral, apesar de tutelada pelo Ministério das Finanças, tem autonomia para lançar este tipo de iniciativas. 

"Este inquérito é dirigido a todos os trabalhadores em funções públicas e aborda um conjunto de questões relacionadas com a motivação no trabalho, nomeadamente decorrentes da ação governativa", prossegue o Ministério das Finanças. 

Depois, o Governo considera que "a elevada visibilidade do assunto em período pré-eleitoral pode comprometer a fiabilidade dos resultados, inviabilizando todo o inquérito e a comparabilidade com os resultados obtidos em 2015". Por isso, o Executivo "determinou a suspensão temporária do inquérito, e que o preenchimento dos questionários e as fases subsequentes sejam retomados após as eleições legislativas marcadas para dia 6 de outubro".

A notícia foi inicialmente avançada pelo Observador e motivou uma onda de críticas entre os sindicatos. Antes da decisão do Ministério das Finanças, a DGAEP respondeu ao i que "este questionário constitui o follow up do questionário realizado em 2015 sobre a motivação dos trabalhadores. Atento o período de tempo decorrido, foram introduzidas novas questões, umas da iniciativa dos investigadores, sinalizadas na literatura especializada e devido ao interesse que revestem para os trabalhadores (por ex. conciliação da vida profissional e privada, teletrabalho, saúde e segurança no trabalho, ….) e outras na sequência das sugestões recebidas no 1º inquérito".

A DGAEP refutou ainda leituras de campanha eleitoral: "Um trabalho de investigação, como é o caso, não deve ser desvirtuado do seu verdadeiro objetivo, nem está condicionado aos timings políticos, porque deixaria de ser imparcial e independente. Não sendo conhecidos os resultados do questionário antes das eleições, mas sim até ao final do ano, dificilmente se compreende como poderia ser utilizado como instrumento de campanha eleitoral".

 

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