21/8/19
 
 
Cristóvão Norte 08/08/2019
Cristóvão Norte
Opiião

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As low-cost e o efeito de borboleta

O anúncio de que a Ryanair irá encerrar a base sediada no aeroporto de Faro é uma péssima notícia para a economia nacional e, em particular, para a região do Algarve.

A Ryanair terá anunciado o encerramento da base sediada no Aeroporto Internacional de Faro, acompanhado do despedimento de mais de 100 trabalhares, com efeito a partir de janeiro de 2020.

Esta é uma péssima notícia para a economia nacional e, em particular, para a região do Algarve, mas que, imagina-se, tem como quadro subjacente perspetivas muito sombrias. Se, segundo consta, as rotas estarão asseguradas, não será um exercício arriscado antever que este pode ser o primeiro passo para diminuir as ligações a uma região que responde por mais de 40% do turismo, a qual, por força da sua dependência deste setor de atividade, fica terrivelmente exposta a ciclos económicos exógenos que provocam terramotos económicos e sociais quando em recessão. Desta feita, em razão da subida do preço dos combustíveis, do Brexit e, porventura, das debilidades de gestão e encarniçado conflito laboral de que a empresa tem sido publicamente protagonista. Porém, as razões poderiam ser outras. O essencial é que as low-cost são incontornáveis e que a progressiva quota de mercado - em alguns casos, como Faro, absolutamente esmagadora e dominada por dois ou três operadores - pode condenar um destino a perdas brutais, disseminando-se por toda a economia e projetando severas perdas. O que se pode fazer? Desde logo, se se reclama a TAP como pública - e tenho-o ouvido dizer -, sentido fará que esta avalie as oportunidades que surgem, já que, quanto ao Algarve e aos 8 milhões de passageiros que aqui desembarcam, nunca algo se fez e este aeroporto já tem mais de 60 anos. A título de exemplo, a extensão do programa Stopover, que tão bons resultados tem obtido, seria uma boa medida. Todavia, com o crescimento do turismo, as regiões em que regista maior expressão - já não apenas o Algarve e a Madeira - sofrem deste efeito de borboleta, pelo que carecem de vários operadores, múltiplos mercados emissores, produtos turísticos plurais, uma forte cadeia de valor, de modo a que sejam menos permeáveis a fenómenos como este que testemunhamos. O turismo é vital para o país - aliás, responde por muita da recuperação que se encetou, mas devemos atender às vicissitudes do setor para defender os efeitos económicos e sociais que podem projetar. Antever dinâmicas económicas - avaliar o Brexit teria sido avisado - e contrariar a monocultura onde ela existe é imperativo.

Deputado do PSD

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