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Eleições. À procura de um lugar ao lado dos grandes

Eleições. À procura de um lugar ao lado dos grandes

Mafalda Tello Silva 08/08/2019 08:10

“Se os resultados das legislativas fossem os mesmos das últimas europeias, o PAN, o Aliança, o Livre e o Basta! elegeriam deputados”, diz o politólogo Carlos Jalali

A menos de dois meses das eleições legislativas, a missão de todos os partidos mais pequenos é a mesma: conseguir entrar na Assembleia da República (AR), elegendo, pelo menos, um deputado. Apesar dos resultados das últimas eleições para o Parlamento Europeu (PE) não terem sido os mais promissórios para as estruturas partidárias mais pequenas, as expectativas para dia 6 de outubro são altas. 

Na últimas legislativas, o PAN foi o único dos partidos com menor dimensão a eleger um deputado. Nas próximas eleições há três partidos recentes - Iniciativa Liberal, Chega e Aliança - que se juntam ao Nós, Cidadãos!, ao Livre e a outros partidos mais pequenos. 

Carlos Teixeira, número dois na lista de Lisboa do Livre, afirmou que o objetivo do partido é de “eleger um grupo parlamentar”. Se conseguirem apenas eleger um deputado representará, de qualquer forma, uma vitória para o partido fundado por Rui Tavares. “Desde logo, seria histórico porque era o nosso primeiro deputado no Parlamento e depois porque significaria que a Joacine Katar Moreira seria a primeira mulher negra eleita para AR através do círculo da capital”, salientou o biólogo ao i.

À espera de também fazer história está André Ventura, líder do Chega, que nem coloca a hipótese de não eleger nenhum deputado na próxima corrida às urnas. “Todos os resultados que temos e sondagens mostram que vamos conseguir eleger pelo menos um deputado por Lisboa, mas temos de fazer mais. Temos de eleger, pelo menos, dois por Lisboa e um pelo Porto”, revelou ao i, o presidente do partido. Para atingirem esse objetivo, o presidente do partido - que integrou a coligação Basta! às europeias - disse que o Chega tem de “se aproximar do eleitorado” e garantir que o “André Ventura comentador televisivo não é confundido com o André Ventura candidato político”. Mas deixa uma garantia: “Não vai deixar a televisão porque é a sua ‘profissão’”, garantiu ao i que vai conseguir que os portugueses o vejam como um futuro deputado. 

Já para o Iniciativa Liberal, fundado em 2018, o desafio prende-se em se dar a conhecer. No entanto, em comparação com as europeias, o dirigente Carlos Guimarães Pinto assegurou ao i que hoje o partido já é cada vez menos um desconhecido dos portugueses. “A esmagadora maioria nem sequer ponderou a possibilidade de votar em nós [nas europeias]. Isso tem mudado muito rapidamente nas últimas semanas e acreditamos que irá continuar a mudar”, destacou, acrescentando que são uma “alternativa séria” a “um sistema político moribundo, ferido por décadas de casos de corrupção e nepotismo”. Carlos Guimarães Pinto acredita ainda que, se o partido continuar a fazer o caminho de se dar a conhecer “será possível eleger deputados em outubro”.

O Nós, Cidadãos!, que nasceu no verão de 2015, partilha igualmente o mesmo espírito positivo. Prefere ser tratado como um “partido emergente” e não como uma força política pequena. “Estamos confiantes que vamos eleger deputados e que vamos crescer. Vamos apresentar candidatos em todos os círculos”, diz ao i o presidente do partido, Mendo Castro Henriques. 

A Aliança nasceu há menos de um ano, mas como grandes ambições ou não fosse o projeto liderado por Pedro Santana Lopes. O novo partido não conseguiu atingir o objetivo de eleger deputados nas europeias, mas promete trabalhar para atingir um grupo parlamentar com o maior número de deputados possível nas legislativas. No mínimo, Santana Lopes espera obter mais de 2% e eleger, pelo menos, em Lisboa ou no Porto.

A grande surpresa das eleições europeias foi o PAN. O partido de André Silva tem razões para estar otimista tendo em conta as últimas sondagens. Apesar de não querer falar em números, o PAN “pretende eleger um grupo parlamentar, aumentando a sua força e responsabilidade política enquanto partido com assento na AR”, assinalou fonte oficial do partido, acrescentado que “está confiante de que os cidadãos entendem a importância do PAN eleger mais deputados”. 

Por norma, os partidos mais pequenos elegem deputados nos maiores círculos eleitorais, designadamente, no de Lisboa e do Porto, e “historicamente é pela capital que estes partidos têm conseguido entrar no parlamento, como é o caso do BE e do PAN”, disse ao i, o politólogo Carlos Jalali. 

O especialista afirma que, nestas legislativas, Lisboa vai eleger 48 deputados, o que significa que, os partidos com mais de 2,04% dos votos de certeza conseguem eleger deputados, enquanto os partidos que obtiverem entre 1,04% e 2,04% dos votos talvez o consigam, estando dependentes da distribuição dos outros partidos. “Se os resultados das legislativas fossem os mesmos das últimas europeias, o PAN, o Aliança, o Livre e o Basta! elegeriam certamente deputados. A Iniciativa Liberal e Nós, Cidadãos! poderiam chegar a eleger”, esclarece o investigador. Ainda assim, Carlos Jalali ressaltou que os resultados das europeias geralmente “não são extrapoláveis para as legislativas”, porque “o eleitorado não é o mesmo”. No entanto, isso não quer dizer que, os números dos partidos nas eleições para o Parlamento Europeu não influenciem as escolhas para as legislativas. “Quando um partido não consegue representação nas europeias, o eleitor pensa que pode acontecer o mesmo nas legislativas e opta por votar noutro partido para que o seu voto não seja desperdiçado. Esse é o maior desafio dos pequenos partidos: convencerem os portugueses que o voto no seu partido não é um voto que vai para o lixo”, conclui o politólogo. 

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