15/12/19
 
 
Maria Helena Magalhães 07/08/2019
Maria Helena Magalhães

opiniao@newsplex.pt

Semelhanças e dissemelhanças, voilà!

Os mais recentes episódios de tiroteio e respectivo lastro de vítimas nos EUA levam a condenar, mesmo sem culpa formada, o discurso exacerbado e supremacista de Trump.

Longe vão os tempos em que se dizia “de Espanha não vem bom vento nem bom casamento”. O derrube de fronteiras será condição necessária para a mudança de mentalidades, mas não suficiente. A cultura política institucionalizada é seguramente um poderoso auxiliar, se não o principal agente, da relação benévola entre povos. Governantes divisionistas e xenófobos são propiciadores de malquerenças que apenas obstaculizam a sã convivência entre povos e o diálogo intercultural. Mas já lá iremos; por agora ficamo-nos por aqui.

Entrando em Portugal pela antiga fronteira de Galegos, município de Marvão, arriba-se à bela vila de Marvão, branca e recolhida na cinta de muralhas que rodeiam o castelo erguido no alto da serra do Sapoio que se destaca na planície alentejana. Pacata e silenciosa, a vila-museu, que no verão se irá enxamear de turistas e rebuliço, apresenta-se recatadamente dentro de portas, sem ninguém à vista, só o rumorejar do vento a percorrer as ruelas empedradas e floridas, contrastando serenamente com o bulício das vizinhas espanholas, principalmente nos entardeceres que enchem praças e ruas com o vaivém e a algazarra de gente de todas as idades. Marvão de seu natural não é dada a tal preparo. Já Castelo de Vide, outra vila alentejana a poucos quilómetros para noroeste, também ela aninhada à sombra dum castelo, com barbacã – da antiga muralha ainda restam tramos –, é mais folgazona. Conhecida como a “Sintra do Alentejo”, a vila é farta de parques, jardins e fontes; a Fonte da Vila, tanque granítico quadrangular encimado por colunas de mármore que suportam “uma cobertura piramidal que remata em pinha”, é o ex-líbris de Castelo de Vide. Todavia, a badalada “riqueza do património histórico, arquitectónico e cultural” saboreia-se, resfolegando, ao calcorrear as ruelas sinuosas e floridas do burgo e da judiaria medievais. O original casario dos sécs. xiv e xv, de branco caiado, mantém um interessante conjunto de portas ogivais, umas simples, outras profusamente decoradas – porventura o mais importante actualmente existente no país –, todas, porém, ajaezadas a preceito, vasos e floreiras a derramar cor e frescura na calçada. E os locais não esperam por visitantes para animar as praças e as esplanadas; os castelo-videnses fazem a festa, não tão cheios de animação como os espanhóis, mas…

Retomando o chauvinismo e os seus mentores, os mais recentes episódios de tiroteio e respectivo lastro de vítimas nos Estados Unidos levam a condenar, mesmo sem culpa formada, o discurso exacerbado e supremacista do Presidente americano, que se diz ele próprio “a pessoa menos racista do mundo” – ridículo! – e culpa os média e a internet pelo sucedido. Acontece que a violência racial e os crimes de ódio têm vindo em crescendo no decurso do seu consulado, das suas proclamações e tiradas incendiárias no Twitter: só podia dar desastre! E como uma desgraça nunca vem só, no Reino Unido emergiu um político gémeo, primeiro-ministro e gritador de um Brexit a qualquer preço e sem medir consequências – que já lhe saem ao caminho… Ambos anglo-saxões de ascendência imigrante, louros e caricaturais, Donald Trump e Boris Johnson equivalem-se também na retórica; no mais…

Gestora

Escreve quinzenalmente, sem adopção das regras do acordo ortográfico de 1990

 

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