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Férias. Praias fluviais do país ganham cada vez mais adeptos

Férias. Praias fluviais do país ganham cada vez mais adeptos

Raquel Wise Daniela Soares Ferreira 06/08/2019 19:31

Verão é sinónimo de descanso e, para muitos, uma viagem até à praia. E quem diz praia, diz praia fluvial. As praias do interior no Centro e Alentejo ganham cada vez mais fãs mas o mesmo acontece um pouco por todo o interior do país. A qualidade, a tranquilidade e o contacto com a natureza são os principais fatores que levam tanto portugueses como estrangeiros a rumar, cada vez mais, ao interior de Portugal mas o investimento nas infraestruturas são também fatores positivos.

Mas enquanto o Algarve perde turistas, há outros destinos alternativos que vão ganhando cada vez mais adeptos. As ofertas com praias fluviais são alguns desses exemplos. Os portugueses terão ouvido o apelo do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que, no verão passado, trocou o roteiro habitual das suas férias e rumou ao interior – região afetada pelos incêndios – onde visitou várias praias fluviais. Conhecido pela paixão pelos mergulhos, apelou aos portugueses que lhe seguissem o exemplo e que visitassem o interior do país, que também tem os seus encantos e logo. na altura, começaram a surgir resultados. “Agora, tem que continuar. Temos que levar mais longe o turismo”, disse.

Influenciados pelo Chefe de Estado ou não os portugueses – e também estrangeiros – têm optado cada vez mais por fazer férias nas praias fluviais no interior do país e o aumento de turismo nestas zonas é tanto que esta é já considerada uma “verdade la palice”. A garantia é dada por António Ceia da Silva, presidente do Turismo do Alentejo, zona onde a adesão às praias fluviais tem crescido a olhos vistos. “No caso do Alentejo tínhamos até há bem pouco tempo, poucas praias fluviais. Só nos últimos dois anos surgiram três no Alqueva: Monsaraz, Mourão e Amieira”, explicou ao i, mostrando que, nesta região, esta é uma atividade que tem vindo a crescer. E, no seu entender, o principal motivo que justifica este aumento está relacionado com a quantidade de atividades que a região tem para oferecer. “Obviamente que as pessoas aproveitam para ter não só o contacto com a água como ao mesmo tempo têm também possibilidades de ver o património, de ir ao enoturismo, de fazer percursos pedestres, etc. É, de facto, cada vez maior a procura pelas praias fluviais”, disse ao i. “[Fazer férias em praias fluviais] permite juntar vários produtos numa só viagem e eu penso que isso é verdadeiramente apelativo para o turista”, acrescentou ainda.

Questionado sobre se a procura é feita por mais portugueses ou por mais estrangeiros, António Ceia da Silva refere que “à primeira vista e de forma empírica, são mais portugueses”.

Como referiu o presidente do Turismo do Alentejo, a zona tem cada vez mais praias fluviais. A última – a Praia Fluvial da Amieira – é a mais recente e abriu ao público há menos de um mês. Fica situada no concelho de Portel e é a terceira praia fluvial do Alqueva. E o objetivo da autarquia local é criar mais outra.

Com as praias fluviais a crescer, a qualidade, o descanso e a natureza são os fatores que mais agradam os visitantes: muitas destas praias são premiadas com galardões Bandeira Azul e Bandeira Dourada. E não só: há também muitas que são qualificadas pela Quercus com qualidade de ouro. Só este ano a Quercus distinguiu 375 praias de ouro. Desse número, 93 praias pertencem à região centro do país e 23 são praias fluviais. No Alentejo, uma das praias foi também premiada com esta distinção.

Aliás, estes são alguns dos principais motivos defendidos por Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, para justificar o aumento de procura nas praias fluviais. “A cada vez melhor e mais estruturada oferta do ponto de vista dos equipamentos e o facto, em particular, de hoje podermos encontrar uma esmagadora maioria que tem bandeiras azuis, bandeira de praia dourada ou bandeira de praia acessível”, são os principais motivos que levaram ao aumento de pessoas nas praias fluviais. “Tudo isto demonstra que houve também uma evolução muito forte no que diz respeito à capacidade dos municípios, em particular, de geraram equipamentos e infraestruturas que permitem acolher melhor”, destaca o presidente do Turismo Centro de Portugal. São, aliás, estes os principais fatores que levaram à mudança de perceção que o consumidor tem das praias fluviais. Uma mudança recente mas que tem levado vários curiosos – e que depois se tornam fãs – à região.

Pedro Machado considera até que há cada vez mais pessoas a preferirem a calma e o sossego do interior. “É evidente que há hoje cada vez mais consumidores que preferem a tranquilidade das praias fluviais a algum reboliço das chamadas praias oceânicas, as praias de mar”, refere, defendendo que há cada vez mais praticantes que preferem a ligação entre a natureza, o património, o turismo ativo e as praias fluviais. Mas estes não são os únicos motivos que fazem com que as praias do interior tenham cada vez mais adeptos: “Há cada vez mais praias fluviais, nomeadamente na rede das Aldeias do Xisto, que oferecem produtos complementares muito interessantes, como a componente da gastronomia e do alojamento e isso tem vindo cada vez mais a atrair novos visitantes e novos adeptos deste tipo de oferta turística”, refere.

Questionado sobre se as praias fluviais do centro do país são mais requisitadas por portugueses ou estrangeiros, Pedro Machado não tem dúvidas: “Tenho noção exata de que há cada vez mais não só portugueses, mas sobretudo estrangeiros que fazem coincidir entre o percurso pedestre ou uma experiência mais alavancada no turismo de natureza que preferem as praias fluviais do que propriamente um aumento exponencial das nossas praias oceânicas”, garante.

Alguns exemplos:

Monsaraz

A Praia Fluvial de Monsaraz tem todas as características de ambientais, de segurança e de conforto necessárias para conseguir o galardão Bandeira Azul deste a data da sua abertura na época balnear de 2017.

Amieira

Inaugurada há menos de um mês, a Praia Fluvial da Amieira é a terceira praia fluvial a nascer no Alqueva, contando com largos relvado e areal, além de diversos equipamentos de apoio e de lazer.

Avô

Situada na Vila de Avô, em pleno centro, no concelho de Oliveira do Hospital, é banhada pelo rio Alva e a ribeira de Pomares. Esta variação de dois cursos de água formam a conhecida Iha do Picoto.

Trabulo

Situada no concelho de Sátão, foi distinguida recentemente pela qualidade. É situada nas margens do rio Vouga e tem várias zonas de lazer.

 

 

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