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Gateway. Um portal para o mapa de Joana Vasconcelos

Gateway. Um portal para o mapa de Joana Vasconcelos

Cláudia Sobral 06/08/2019 11:15

Acabada de inaugurar – e aberta a banhos – está a mais recente obra da artista portuguesa. No Jupiter Artland, em Edimburgo, Joana Vasconcelos instalou uma piscina em azulejos com o desenho de um “salpico” inspirado na forma do seu mapa astral.

Com piscinas, Joana Vasconcelos tem já uma relação de longa data. Ainda este ano foi revisitada em Serralves, em I’m Your Mirror, a exposição organizada pelo Museo Guggenheim Bilbao em parceria com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves e a Kunsthall Rotterdam, essa obra exposta pela primeira vez no Cais das Colunas em 2010: Portugal a Banhos. Uma piscina em fibra de vidro com dez metros de comprimento (no caso, de altura) com a forma de Portugal continental. A forma encontrada pela artista para assinalar o centenário da República. “Portugal não pode deixar-se tornar numa piscina: cuidado, não nos deixemos afundar”, dizia a propósito da instalação da obra ao Público, com a ressalva de não querer “criticar o país” ou “fechar o discurso da obra, que é direto e conceptual”.

A verdade é que nos anos que viriam haveria de se afundar mesmo, Portugal – ou quase, que, feitas as contas, acabou por se ir conseguindo manter à tona. Com o boom do turismo, a nadar estará certamente. Nove anos volvidos, Joana Vasconcelos regressa às piscinas, desta vez num registo bem mais otimista, como pedem os tempos, com Gateway. Uma piscina circular revestida a azulejos, inaugurada no passado dia 28 de junho no Jupiter Artland, um parque em Edimburgo que alberga esculturas contemporâneas, bem como uma galeria de arte, a fazer jus ao nome de planeta com que foi batizado.

Não só por ser, como o descreve a artista, “um grande salpico que convida o público a imergir numa dimensão alegre e espirituosa, levando a uma conexão com a energia da Terra”, como que numa “entrada para outro universo do qual não estamos conscientes mas através do qual podemos flutuar”. Também pela “referência à ideia de piscinas como locais que promovem a comunidade; um espaço experiencial que é inerentemente social, lúdico e partilhado”. Para o desenho desse “salpico”, Joana Vasconcelos inspirou-se nas linhas do seu próprio mapa astral.

Comissariada pelo Jupiter Artlang a propósito do Edinburgh Art Festival, Gateway, uma verdadeira piscina, é descrita pelo diretor do Jupiter Artland, Nicky Wilson, como “uma das instalações mais interativas” alguma vez pensadas para o local. “E, certamente, uma daquelas que tiveram um maior impacto no jardim”.

Isto porque, a acompanhar a construção da piscina – revestida a um conjunto de 11.366 azulejos concebidos pela equipa de engenheiros e arquitetos do ateliê de Joana Vasconcelos em conjunto com os artesãos da Viúva Lamego – foi feito também um trabalho de redesenho do jardim na área envolvente, com a plantação de 3 mil árvores e arbustos de várias espécies, incluindo o prunus lusitanica, uma espécie de cerejeira também conhecida como gingeira-brava ou loureiro-de-portugal.

Para os azulejos, foram feitos cerca de 500 desenhos para diferentes escalas num processo que se prolongou por três anos. Isto porque “cada um dos azulejos foi cuidadosamente construído e pintado para a sua localização específica na obra”, com o desafio acrescido de não serem visíveis os cortes. “As linhas pintadas não são interrompidas/distorcidas pelos cortes dos azulejos.” Como explica o ateliê no dossiê para a imprensa de Gateway, “são daquele tipo de objetos que não têm duplicados”.

 

 

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