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Ocean Campus. Obras podem comprometer zona do NOS Alive

Ocean Campus. Obras podem comprometer zona do NOS Alive

Joana Marques Alves 05/08/2019 14:19

Câmara Municipal de Oeiras ponderou embargar a obra de construção de um dos edifícios. Autarquia confirmou ao i que têm decorrido reuniões e acredita que zona dos festivais está salvaguardada.

Aquela que será a Nova Expo de Lisboa já está a gerar alguma confusão e ainda nem foi lançada a primeira pedra. Uma parte da zona onde se realiza o festival NOS Alive e a Comic Con Portugal vai ser afetada pelas obras do Ocean Campus, uma situação que não agrada à autarquia liderada por Isaltino Morais, que ponderou mesmo embargar a obra.

“A Câmara Municipal de Oeiras ponderou embargar a obra de construção do edifício do Centro Náutico de Algés, por o mesmo ir nascer onde atualmente se encontram instalados os sanitários de apoio aos eventos NOS Alive e Comic Con. Dá-se a circunstância de o licenciamento deste projeto não ter decorrido, na perspetiva da câmara, nos termos definidos por lei, explicou ao i fonte oficial da autarquia.

A mesma fonte revelou que têm decorrido “reuniões de concertação entre a Câmara Municipal de Oeiras, o Porto de Lisboa e o Ministério do Mar no sentido de encontrar uma solução compatível com a realização dos grandes eventos, situação que esperamos ver resolvida dentro de dias. Acreditamos que a área atual dos festivais esteja assegurada”.

O Passeio Marítimo de Algés, zona onde se realizam o NOS Alive, um dos principais festivais de música do país, e a Comic Con, que se apresenta como “o maior festival de cultura pop”, está integrado no projeto Ocean Campus, um projeto de recuperação da zona ribeirinha que vai de Pedrouços, no concelho de Lisboa, até Cruz Quebrada, já no concelho de Oeiras.

“Os eventos de grande dimensão que têm lugar no terrapleno de Algés desempenham um papel estratégico na projeção do município, da região metropolitana e até, pela sua dimensão, do país. O turismo cultural e o turismo de eventos têm uma importância global crescente. Não faz sentido criarmos eventos desta dimensão, que hoje são marcas internacionais, e cujo valor económico é inquestionável, para depois não salvaguardarmos o valor criado. Por esta razão, o município tem vindo a trabalhar com o Ministério do Mar e com o Porto de Lisboa para, juntos, garantirmos que o projeto do Ocean Campus seja conciliado com os eventos que todos queremos continuem a realizar-se em Algés”, garantiu a Câmara de Oeiras. Contactada pelo i, fonte oficial do Ministério do Mar confirmou a existência destas reuniões, sem adiantar mais pormenores sobre as mesmas.

O i tentou contactar a Everything is New, promotora do NOS Alive, mas sem sucesso. O i enviou também algumas questões à organização da Comic Con Portugal, que preferiu não comentar a situação.

A nova Expo O projeto Ocean Campus arranca já este ano, abrangerá 64 hectares junto ao rio Tejo e conta com um investimento que ascende aos 300 milhões de euros, entre fundos públicos e privados – 75% do financiamento é privado, 2% vem de fundos públicos e 25% será investimento público-privado.

A principal obra deste projeto, que já é apelidado de nova Expo – que deverá estar concluído em 2030 –, é a construção de uma marina na foz do Jamor. Esta tem sido muito criticada pela população da zona, pois implicará a construção, na margem do rio, de um megaempreendimento com várias torres de habitação, comércio e até um hotel.

Está prevista também a construção de mais hotéis, restaurantes e centros de investigação. Será ainda investido dinheiro na construção da Blue Business School, no laboratório do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e nos arranjos exteriores da zona e nas acessibilidades.

“Para a maioria do país, o mar continua a ser tema do passado, dos livros de História. Dos feitos dos antigos e do antigamente. Da nostalgia e do fado. O que ajuda a explicar as décadas de costas voltadas para o mar. O que ajuda a explicar tanta e tanta gente que ainda se interroga sobre a utilidade de um Ministério do Mar e para o mar”, referiu a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, citada pelo jornal Público, aquando da apresentação do projeto, em meados de julho.

A primeira fase do projeto arranca este ano e deverá estar concluída em 2022. Serão investidos 18 milhões de euros na requalificação das zonas onde existe já construção, como o laboratório do IPMA, o Centro Náutico de Algés e o próprio Ministério do Mar. É também nesta fase que serão criados centros de investigação, as respetivas residências temporárias e um espaço para empresas.

A segunda fase – que irá decorrer entre 2022 e 2026 – vai contar com a maior parte do investimento: 152 milhões de euros. A maior fatia deste bolo irá para a construção de um hotel na Cruz Quebrada, que deverá custar cerca de 38 milhões de euros, de um espaço empresarial e de um centro de investigação privado.

A terceira fase deste projeto vai decorrer entre 2026 e 2030 e contará com um investimento de 30 milhões de euros. Nesta fase, o foco serão os arranjos exteriores e a mobilidade na zona.

Próximas edições A Comic Con vai já para a terceira edição em Portugal. O evento, que se realiza entre os dias 12 e 15 de setembro, vai contar com várias figuras conhecidas da cultura pop. A mais recente confirmação é Alexander Ludwig, o ator canadiano que interpreta o papel de Björn Ironside na série Vikings. Ludwig também é conhecido por ter feito parte dos filmes da saga The Hunger Games – Os Jogos da Fome. Ainda são esperadas mais confirmações até à data do evento.

Mas há quem já pense em 2020: a organização do NOS Alive fez saber – até antes de ser anunciado o projeto Ocean Campus – que o festival vai estar de volta ao Passeio Marítimo de Algés nos dias 9, 10 e 11 de julho. A primeira banda a ser confirmada para a 13.ª edição foram os Da Weasel.

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