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Águas travam obras de ampliação do Aeroporto Sá Carneiro

Águas travam obras de ampliação do Aeroporto Sá Carneiro

Mafalda Gomes Joaquim Gomes 31/07/2019 13:11

Uma das frentes das obras de ampliação do aeroporto do Porto está parada devido a um erro do estudo geotécnico, que não detetou as linhas de água que vão obrigar a trabalhos adicionais, com custos adicionais.

As obras de ampliação do Aeroporto Sá Carneiro, que é suposto estarem concluídas em maio de 2020 para a inauguração das novas slots, que permitem aumentar significativamente a capacidade de resposta em matéria de número de voos (de 20 por hora para 32 por hora), sofreram um percalço e encontram-se paradas numa das suas frentes, apurou o jornal i.

Segundo fonte oficial da entidade gestora do aeroporto, a ANA, “as obras não estão paradas e os trabalhos prosseguem como previsto”, mas “apenas numa frente de obra, onde foram encontradas linhas de água, não detetadas no estudo inicial, foi necessário suspender pontualmente os trabalhos”.

“Para a sua resolução foram feitas novas prospeções geotécnicas e revisto o projeto inicial no sentido de precaver futuras complicações, no caminho de circulação que se está a construir”, acrescentou a mesma fonte.

Ainda segundo a ANA, “neste momento já foi revisto o projeto, apresentado ao empreiteiro, que apresentou uma proposta de trabalhos adicionais, e que se encontra em discussão e aprovação, para que as obras avancem nessa frente”.

O i tentou apurar se a ANA mantém a previsão da conclusão das obras e da inauguração das novas slots para 20 de maio de 2020.

Com efeito, o facto de existirem trabalhos adicionais em função do erro do estudo inicial, que não detetou as linhas de água que vieram a obrigar à paragem desta frente de obra desde maio último, dificilmente permitirá a conclusão dos trabalhos nos prazos inicialmente previstos – dir-se-à mesmo que, após estes mais de dois meses de interregno, será mesmo impossível.

Orçamento inicial de 15 milhões. As obras de ampliação do Aeroporto Sá Carneiro estavam inicialmente orçadas em 15 milhões de euros, mas, obviamente, deverão agora contar com um agravamento em função dos trabalhos adicionais já referidos.

Curiosamente, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, visitou as obras pouco tempo antes da suspensão desta frente, em final de abril passado.

Nessa visita participou também o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, que aplaudiu o aumento da capacidade aérea do aeroporto e elogiou o ganho de espaço interno da infraestrutura com as obras de ampliação. Recorde-se que Rui Moreira é uma das personalidades que mais tem levantado a voz em defesa da importância do Aeroporto do Porto e da necessidade de investir no seu desenvolvimento.

Na ocasião, e perante o ministro Pedro Nuno Santos e o presidente da Câmara Rui Moreira, o CEO da Vinci (detentora da ANA), Nicolas Notebaert, afirmou que o objectivo destas obras é “preparar o aeroporto do Porto para continuar a crescer”, como, de resto, “já sucede nos últimos anos”. E acrescentou que, deste modo, a Vinci procurava corresponder, além do mais, às reivindicações dos autarcas da região e dos agentes económicos do norte, cujo empreendedorismo foi elogiado por Pedro Nuno Santos.

Também na mesma ocasião, o CEO da ANA, Thierry Ligonnière, afiançou que “graças a todo este investimento vão melhorar as condições operacionais do Aeroporto do Porto, reduzir o consumo de combustível e o desgaste dos aviões, em função dos seus menores tempos de rodagem, bem como diminuir as emissões de dióxido de carbono, ficando todos a ganhar com a ampliação dos espaços”.

Uma das frentes principais da obra – que agora foi suspensa em função da confrontação com as linhas de água não detetadas no estudo geotécnico inicial – é a ampliação do caminho de circulação paralelo à pista, incluindo a construção de um amplo túnel central.

Este túnel está a ser aberto a norte da estrutura principal do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, como o i constatou quando visitou as obras, naquela mesma ocasião.

Número de passageiros sempre a crescer. Recorde-se que, em 2018, o aeroporto Francisco Sá Carneiro recebeu 11,9 milhões de passageiros, uma subida de 10,7% em relação ao ano anterior.

Já durante o primeiro trimestre deste ano manteve-se a tendência de crescimento ao subir uma média de 9,5% face a igual período do ano anterior.

O aeroporto nortenho está ligado a 78 destinos – mais seis do que em 2018 – e a ligação a 89 rotas – mais sete em relação ao ano passado – o que justifica ainda mais as obras de ampliação em curso.

A ampliação já abrangeu o próprio terminal, traduzindo-se em mais espaço disponível tanto em termos de circulação de passageiros como de segurança (com mais 800 metros quadrados do que o anterior), segundo revelou ao i o diretor do aeroporto Francisco Sá Carneiro. Na altura, Fernando Vieira aproveitou ainda para destacar a atratividade e a conveniência deste espaço, que conta com um total de 17 locais de restauração e 45 lojas, estas já com mais 1.500 metros quadrados.

 

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