23/9/19
 
 
Vítor Rainho 31/07/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Barões do PSD estão contentes com António Costa

O que se passa atualmente no reino social-democrata é assustador e ninguém vai conseguir inverter a queda vertiginosa do partido

O PSD sempre foi dos partidos mais transparentes da sociedade portuguesa e um manancial de notícias para os jornais. No PCP e, mais recentemente, no BE quase ninguém se atreve a falar publicamente contra os líderes ou a orientação das cúpulas. Mesmo para darem entrevistas, os militantes desses partidos precisam de autorização superior, o que revela a sua subalternidade. Seguem a mesma filosofia que os clubes de futebol - melhor dizendo, os homens da bola aprenderam com os da política. No PS são raros os deputados ou militantes que se manifestam contra o grande líder e, nos últimos tempos, contra a geringonça. Lá aparece uma Ana Gomes ou um Francisco Assis ou um Manuel dos Santos - Manuel Alegre remeteu-se quase ao silêncio absoluto depois da geringonça. O resto é um deserto de críticas, tão necessárias.

Já no PSD, tudo é diferente. A fação do escritório de advogados Y não gosta da fação do escritório Z e por aí fora, e não se poupam críticas. Ontem, Carlos Encarnação, antigo secretário de Estado e presidente da Câmara de Coimbra pelo PSD, foi muito claro sobre as jogadas de bastidores que o seu partido põe a nu e os outros escondem: “Nem queira saber como são as guerras num partido por causa das listas. Há pessoas que choram para entrar nas listas, há pessoas que metem cunhas, é uma coisa inacreditável”. Carlos Encarnação, que se reformou da vida política, até podia ter dito que há quem pague para entrar nas listas, mas não quis ir tão longe.

Por ser um partido tão transparente, o PSD acaba por ser castigado por isso. O que se passa atualmente no reino social-democrata é assustador e ninguém vai conseguir inverter a queda vertiginosa do partido. Rui Rio é mau demais para ser verdade, mas à sua volta também não se vislumbram grandes nomes. O que terá afastado potenciais grandes figuras de avançarem? Há muitas razões, mas uma delas é muito simples: os escritórios de advogados estão muito felizes com este Governo, com quem têm feito grandes parcerias. Sendo assim, para quê chatearem-se e darem a cara? Veremos se, quando a geringonça ganhar mais força, vão continuar a pensar da mesma forma.

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