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FC Porto. Malas à porta, nega da claque, plantel dividido: 2019/20 promete

FC Porto. Malas à porta, nega da claque, plantel dividido: 2019/20 promete

Bruno Venâncio 26/07/2019 19:53

Uma troca de palavras entre Danilo e Sérgio Conceição quase descambou e Fábio Coentrão deixou de interessar após “aviso” do Colectivo Ultras 95. Vivem-se dias agitados no Dragão.

Por agora, o tufão parece ter acalmado. As indicações que ficam, porém, não apontam claramente para o clima mais saudável no seio do FC Porto. Danilo, recentemente promovido a capitão dos dragões depois da saída de Herrera, foi esta quinta-feira reintegrado na equipa, depois de ter ouvido da boca do próprio treinador que podia fazer as malas, na sequência de um bate-boca motivado por... um atraso para jantar que acabou por ganhar proporções de todo inesperadas.

Tudo aconteceu na noite de segunda-feira, a última do estágio que a equipa portista realizou no Algarve. Após uma tarde de descanso concedida ao plantel, ficara combinado que toda a comitiva se iria reunir à mesa para um jantar de convívio na unidade hoteleira onde se encontrava instalada na última semana e meia. Sérgio Conceição, todavia, acabaria por se atrasar sobremaneira – e, desde que o antigo internacional português assumiu o comando técnico do FC Porto, nenhuma refeição se inicia sem a sua presença.

Com o passar dos minutos, a impaciência apoderou-se dos atletas e Danilo, puxando dos galões de capitão, contactou diretamente o técnico, a fim de perceber se este iria demorar muito mais. Conceição terá anuído e dado até permissão para que se iniciasse o repasto mesmo sem a sua presença.

Até aqui, tudo normal. O problema foi a argumentação seguinte de Danilo: o médio terá dito ao treinador que este podia ter avisado antecipadamente que se iria atrasar, de modo a não deixar toda a comitiva à sua espera. Sérgio Conceição não reagiu bem ao “puxão de orelhas” do atleta e disse-o, pessoalmente, já após o término do jantar – a que acabou por nem comparecer –, de um modo considerado excessivo e até agressivo por muitos dos que testemunharam a situação. Danilo não se ficou e respondeu à letra, motivando a decisão do técnico de o dispensar do estágio no dia seguinte.

Na senda de Casillas e Marega Na tarde de terça-feira, Danilo já não esteve presente no apronto dos dragões, tendo treinado sozinho no Olival nesse dia e também no seguinte. O FC Porto, refira-se, atribuiu a ausência do capitão a “motivos pessoais”, com o seu diretor de comunicação, Francisco J. Marques, a recorrer ao Twitter para reafirmar que nada de anormal se teria passado.

Esta quinta-feira, no regresso do plantel aos trabalhos no seu centro de treinos – e com Pinto da Costa a marcar presença –, Danilo foi reintegrado, treinando ao lado dos restantes companheiros. Refira-se que o internacional português de 27 anos, a cumprir a quinta época de ligação ao clube azul-e-branco, terá mesmo pedido desculpa aos colegas ainda antes de deixar a concentração no Algarve, lembrando que o treinador “é o líder do grupo” e que os jogadores devem obedecer às suas ordens.

A esta atitude seguiu-se, já depois da sua partida, uma conversa de Sérgio Conceição com o plantel na qual o técnico portista revelou que iria reportar o sucedido à SAD, deixando à administração do FC Porto a responsabilidade de eventuais medidas que viessem a ser tomadas em relação ao jogador.

Pois bem: tudo indica que nada irá acontecer a Danilo, até pelo histórico absolutamente irrepreensível em termos de profissionalismo desde que representa os dragões. O médio vai continuar a representar o FC Porto e inclusivamente a manter a braçadeira de capitão, encabeçando uma hierarquia da qual fazem parte ainda Alex Telles, Corona, Pepe e o regressado Marcano, e nem sequer será alvo de qualquer procedimento disciplinar, seja formal ou informal.

Este não é, recorde-se, o primeiro caso disciplinar com jogadores do FC Porto desde que Sérgio Conceição chegou ao banco dos dragões. No decorrer da temporada 2017/18, que terminou com a celebração do título nacional, o técnico tirou a titularidade a Iker Casillas, entregando-a a José Sá, sem razão aparente do ponto de vista desportivo – o espanhol voltaria algumas semanas depois ao onze. Já na época passada, Marega chegou a ser afastado do grupo de trabalho durante algumas semanas, sob acusações de falta de compromisso para com o clube, numa altura em que procurava transferir-se para a Premier League – falhou, por exemplo, a Supertaça conquistada frente ao Aves. Acabaria depois por pedir desculpa e ser reintegrado, cumprindo o resto da temporada sem mais nenhum apontamento a salientar em relação ao seu comportamento.

Hipótese Coentrão teve de cair Se Danilo está para ficar, Fábio Coentrão... já esteve para chegar, mas esse é um cenário que já não se põe. O internacional português, que na época passada atuou no Rio Ave, depois de passagens anteriores por Benfica, Real Madrid e Sporting, está livre para assinar por qualquer clube e a sua contratação era vista com bons olhos por Sérgio Conceição, que terá dado o seu nome à SAD portista.

Numa primeira instância, a administração azul-e-branca aceitou o pedido do técnico e chegou a mandatar emissários para encetar negociações com o jogador. A informação acabou por ser tornada pública e causou enorme desagrado junto de uma enorme franja da massa adepta portista, com a claque Colectivo Ultras 95 a emitir inclusivamente um comunicado nas redes sociais a pedir à direção para não contratar o lateral esquerdo. “Pessoas que sempre insultaram e cuspiram os nossos adeptos, festejaram golos com gestos grosseiros, sempre destilaram ódio contra o nosso clube, fosse de vermelho, verde ou outro emblema, que se espumam com insultos racistas a atletas do nosso clube não podem vestir a nossa camisola! Exigimos respeito pelo FC Porto”, podia ler-se na nota, onde havia ainda uma alusão à “vertente desportiva” e à “condição física deplorável” de Coentrão.

Recorrendo à mesma via, Fábio Coentrão – que há dias havia declinado um convite do PAOK, agora treinado por Abel Ferreira, alegando razões familiares – garantiu nunca ter recebido qualquer proposta dos dragões, mas sim contactos de agentes a dar conta de um “alegado interesse” do FC Porto “que, na verdade, nunca foi formalizado”. O lateral esquerdo, que era visto por Sérgio Conceição como alternativa a Alex Telles mas também para o meio-campo, como aconteceu em vários jogos pelo Rio Ave na última temporada, justificou ainda os comportamentos criticados pelos adeptos portistas como motivados pela sua “formação”, “educação” e “forma de estar”. “Sempre dei tudo pelos clubes que representei. Não sou hipócrita e também sei que não sou consensual. Sou assim na vida pessoal, sou assim como futebolista e este é o maior legado que posso deixar à minha família, aos meus amigos e aos fãs”, escreveu, deixando ainda a garantia de ser “genuíno e implacável” na defesa do seu próximo clube, seja ele qual for.

 

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