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José Paulo do Carmo 26/07/2019
José Paulo do Carmo

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As férias no Algarve

Os encontros com os amigos que são só dali e com os outros que vêm sempre na mesma altura. Antigamente era sinal de saídas à noite e chegadas de manhã que nunca me impediram de acompanhar sempre os programas de família, mesmo que por vezes um pouco ensonado. Agora dedico-me a outros prazeres.

Passam os anos e parece que as férias no Algarve vão tendo um sabor cada vez mais especial. Passei a infância a caminhar para Espanha no fim de agosto e, embora tenha fantásticas recordações desses tempos, a verdade é que não temos necessidade de sair daqui nesta época. Temos sítios fantásticos, praias maravilhosas e cada vez mais qualidade na oferta. Mas a mim o que me marca é mesmo o tempo que consigo passar em família e as coisas mais simples que compõem o nosso dia. Do acordar cedo com o meu pai para ir ao pão e caminhar a pé, aos mergulhos e brincadeiras, na praia, sempre ao sabor da fruta que a minha mãe leva meticulosamente cortada para não perdermos pitada do sol (sempre com protetor, claro).

Ao final do dia, uma caminhada pelo areal que nos leva às conversas que devíamos ter o ano todo, mas que por vezes nos escapam. A vida, os problemas de cada um e as soluções, as opiniões e conselhos, o futebol e os livros. Falamos de tudo, sem tabus. No regresso a casa, a cerveja e os aperitivos, os banhos que antecedem o jantar na varanda e os passeios já depois das 22 para ir comer um gelado. Os encontros com os amigos que são só dali e com os outros que vêm sempre na mesma altura. Antigamente era sinal de saídas à noite e chegadas de manhã que nunca me impediram de acompanhar sempre os programas de família, mesmo que por vezes um pouco ensonado. Agora dedico-me a outros prazeres.

Os almoços no Gigi da Quinta do Lago, onde encontro uma família com que tanto me identifico e que tão bem me recebe. Aqueles repastos intermináveis que começam lá para as 15h e só terminam quando nos mandam amavelmente embora. A forma especial como o Gigi recebe e a harmonia entre todos naquela casa, desde a Célia ao Guilherme da grelha, passando pela Lizete, que nos vai enchendo as canequinhas, o abraço do filho Bernardo e o sorriso incomparável da Leonor. Da cozinha às mesas, desde a entrada à saída, aquele espaço dá-me sempre uma lição de como o sucesso começa nas coisas mais simples. O respeito entre as pessoas, o dar e receber, a magia dos afetos, a mistura entre as brincadeiras e as histórias do Gigi e as correrias das netas. Sente-se isso lá em baixo, na casa de banho, entre o ranger da madeira e garfadas de felicidade. Comida que nos enche a alma e nos apura os sentidos. Do peixe ao marisco, é tudo bom... Até o arroz branco tem um sabor especial. E para os que são adeptos do “ali, também eu” resta dizer que muitos restaurantes já abriram e fecharam naquele mesmo areal.

Mas também os jantares que acontecem sempre uma vez por ano, aqui, com determinadas pessoas. Os Vagabundos, que fazem sempre questão de se juntar na barra do Paixa ao amigo João Lourenço, àquela hora de que ninguém desconfia, os seus petiscos deliciosos e as gargalhadas que nos preenchem tanto que, a seguir, ir para qualquer outro lado é ir à procura de algo que já não existe. Satisfaz-me muito encontrar os de sempre e ver como tudo se mantém igual. Quando falamos de qualidade, de amizade e de cumplicidade, o igual é sempre bom. Ano após ano vamos aproveitando de uma forma mais profunda esta dádiva que a vida nos dá. A relação em família, os amigos verdadeiros, pessoas que nos acrescentam, nos aumentam e nos fazem sentir bem. Que seja sempre assim. Não trocava isto por nada.

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