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Incêndios não dão tréguas. O interior do país continua a arder

Incêndios não dão tréguas. O interior do país continua a arder

Patrícia de Melo Moreira / AFP Rita Pereira Carvalho 23/07/2019 10:00

O balanço dos incêndios em Vila de Rei e Mação dá conta de 39 pessoas assistidas, destruição de duas casas de primeira habitação e quase nove mil hectares de área ardida.

O verão começou há um mês e já ardeu mais área nestes dois últimos dias do que nos primeiros sete meses do ano passado. Só em Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, e em Mação, distrito de Santarém, já arderam quase nove mil hectares de terreno, enquanto no período indicado do ano passado arderam apenas 5.564 hectares, num total de 6505 incêndios, de acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Portugal é já o quinto país europeu com mais área ardida este ano e é também, segundo o EFIS (Sistema de Informação Europeu sobre Fogos Florestais), o país europeu com mais hectares ardidos entre 2008 e 2018. No retrato europeu, o país lidera na percentagem do território consumido pelos fogos e no número de incêndios que superam 25 hectares. Em média, os incêndios afetam a cada ano 1,18% do território nacional (113 623 ha). O segundo pior registo pertence à Croácia, com área ardida a representar 0,19% do território. E Espanha não vai além dos 0,11%. Também entre 2008 e 2018, Portugal teve em média 229 incêndios a cada ano com mais de 25 ha. Itália, com um território três vezes maior do que o nosso, surge em segundo lugar com uma média de 204 incêndios de grande dimensão por ano.

Quando se pensava que os incêndios em Vila de Rei e em Mação estavam dominados – no período da manhã de ontem 90% do fogo estava praticamente sob controlo –, as chamas trocaram as voltas aos mais de mil operacionais que combatiam no terreno. O vento que atingiu durante a tarde de ontem os 30 quilómetros por hora e os termómetros a bater nos 38 graus, deram origem a novos reacendimentos em Chaveirinha e Roda, onde as chamas chegaram a ameaçar um lar de idosos. Não há mãos a medir e, à hora de fecho desta edição, estavam no terreno 1085 operacionais, apoiados por 347 viaturas. Além dos bombeiros, equipas da GNR e Proteção Civil, os moradores das aldeias de Vila de Rei e de Mação pegaram no que tinham mais à mão – baldes, regadores ou mangueiras –, mas toda a ajuda é pouca.

Ao final do dia de ontem, a área do município de Vila de Rei atingida pelas chamas estava já em resolução e em fase de rescaldo. Já no município de Mação ainda lavrava uma frente ativa que coincidiu com a área ardida nos incêndios de 2017.

“Incêndio teve um comportamento extremo” Ao final do dia, nas habituais declarações sobre o ponto de situação, a Proteção Civil admitiu que o “comportamento extremo” do incêndio impediu que os meios fossem suficientes para apagar as chamas e, por isso, durante a noite foram usadas máquinas de rasto.

Ainda durante o briefing, a Proteção Civil confirmou que foram assistidas 39 pessoas até agora, registando-se 15 feridos ligeiros e um ferido grave – que continua internado no Hospital de S. José, em Lisboa.

“Tivemos um conjunto de reativações no flanco esquerdo que nos causou problemas e que colocou na linha do fogo as povoações como Chaveiras e Chaveirinhas. Infelizmente verificou-se o pior cenário”, explicou o comandante Pedro Nunes da Proteção Civil. Os reacendimentos devido às projeções – provocadas pelo vento forte – foram o pior inimigo das forças de combate e quando os bombeiros saiam de uma área para apagar o fogo, essa mesma área começava novamente a arder. Foi, portanto, uma tarde de imprevistos com estradas cortadas e pessoas retiradas das casas.

Espanha envia apoio Durante a tarde de ontem, e uma vez que os incêndios não deram tréguas aos bombeiros, Portugal solicitou assistência bilateral a Espanha. De acordo com o comunicado do ministério da Administração Interna, a ajuda insere-se no “quadro do Protocolo entra a República Portuguesa e o Reino de Espanha sobre Cooperação Técnica e Assistência Mútua em matéria de Proteção Civil”. O país vizinho disponibilizou de imediato dois aviões para ajudar no combate às chamas e os meios chegaram logo ao final da tarde – apoiados por uma tripulação de quatro membros da Unidade Militar de Emergência.

“No final falaremos”, disse Costa À exceção de Marcelo Rebelo de Sousa, as palavras do Governo têm sido poucas. Numa altura em que o interior do país arde, António Costa participou na inauguração do centro de saúde da Amadora, acompanhado pela ministra da Saúde Marta Temido. À margem da inauguração, disse apenas que agora o mais importante é combater os incêndios e depois, sim, fazer o balanço. “Claro, no final, falaremos”, disse o primeiro-ministro, e acrescentou que não faz comentários “enquanto os incêndios e as operações estão a decorrer” e, sobretudo, não diz “aos que são os primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho, que são os autarcas, o que é que devem fazer para prevenir, através da boa gestão do seu território, os riscos de incêndio”.

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