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Rui Rio em semana crítica com algumas distritais por causa das listas

Rui Rio em semana crítica com algumas distritais por causa das listas

Mafalda Gomes Cristina Rita 23/07/2019 12:42

Guerra iminente em Setúbal por causa de Negrão e Maria Luís Albuquerque. Margarida Mano fora das listas.

A ronda com as distritais do PSD para preparar as listas de candidatos a deputados terminou na semana passada, mas ficaram alguns casos pendentes por resolver, ou seja, os mais problemáticos. Hoje será a vez de a distrital de Setúbal ser recebida novamente pela direção para acertar a ordenação da lista.

O problema surge a partir do segundo lugar. Para a direção é ponto assente que Fernando Negrão, líder parlamentar, irá em segundo lugar na lista encabeçada por Nuno Carvalho, mas Bruno Vitorino, o líder da distrital, queria (e quer) Maria Luís Albuquerque como número dois.

No fim de contas, a também ex-ministra das Finanças deve ficar fora da lista, tendo liderado a equipa em 2015. Mais: na distrital, apurou o i, nenhum cenário é descartado e Bruno Vitorino pode mesmo vir a demitir-se. Esta versão está mesmo em cima da mesa como o pior dos cenários. O i contactou Maria Luís Albuquerque, mas a ex-governante não quis prestar qualquer esclarecimento sobre o futuro – ou seja, colocou-se na reserva à espera que a direção ou a distrital lhe transmitam a solução para a lista de Setúbal.

Setúbal é um dos casos mais difíceis, mas não é o único. Existem mais problemas, como o de Braga. E Lisboa ainda não tem a certeza de quantos nomes, em lugar elegível, a direção nacional quer indicar para as listas das eleições legislativas de 6 de outubro. Assim, a distrital de Pedro Pinto também está condicionada aos nomes que pode incluir na equipa, aprovados pela estrutura. À cabeça está o nome de Miguel Pinto Luz, o autarca que não esconde a ambição de concorrer à liderança do PSD no futuro.

Os efeitos destes processos podem fazer-se sentir na própria campanha, pela desmobilização, desinteresse ou desgaste entre os militantes e estruturas dos sociais-democratas.

De Braga já há a certeza absoluta de que Hugo Soares, indicado pela estrutura, fica de fora. Para o seu lugar, a direção de Rio já escolheu Firmino Marques, o que deixou parte da distrital em estado de choque. Já o líder distrital, o eurodeputado José Manuel Fernandes, manteve o silêncio, aguardando pela reunião com a direção.

 

Margarida Mano sai das listas

Há ainda esta semana um encontro com a distrital de Coimbra, onde a cabeça-de-lista é a advogada Mónica Quintela, e o número dois, em cima da mesa, é Maló de Abreu, membro da comissão política do partido e um dos elementos mais próximos de Rui Rio. Aliás, será o responsável operacional pela campanha das legislativas ao lado de José Silvano, o secretário-geral.

Na configuração da lista por Coimbra há uma ausência óbvia: Margarida Mano. O i apurou que a deputada, que foi o rosto principal do PSD na gestão da contagem de serviço dos professores e da crise política, não conta ocupar novamente qualquer lugar no Parlamento, na próxima legislatura. E, mesmo que quisesse, deveria ficar num quarto lugar nas listas por Coimbra, em situação de risco para garantir a eleição. Em 2015 foi cabeça-de-lista.

 

Sondagens não servem para nada

Ontem foi dado o pontapé de saída para a campanha eleitoral no PSD com um encontro em Condeixa-a-Nova entre a direção do partido, distritais e cabeças-de-lista. O líder, Rui Rio, juntou-se mais tarde para um almoço, após a reunião.
A ordem foi clara: cuidado com os gastos e desvalorizar as sondagens. Apesar de vários sociais-democratas se confessarem ao i desalentados, Rui Rio procurou minimizar mais um resultado negativo para os sociais-democratas. Num sondagem da Pitagórica, publicada pelo Jornal de Notícias e pela TSF, o PSD não chega aos 22% e o PS alcança os 43,2%. Mas Rio preferiu desvalorizar: “Com tantas sondagens que saem, eu pergunto se vale a pena ainda fazer eleições? [As sondagens] Não servem para nada”, declarou o presidente do PSD, citado pela RTP e pela SIC. Antes acusou o PS, via Twitter, de copiar as propostas do PSD no programa eleitoral. “O PS copia as propostas do PSD que são o contrário do que fez no Governo e que não têm a aceitação do PCP e do BE. Ao mesmo tempo afirma que a coligação com a extrema-esquerda correu bem e é para repetir. Maior contradição é difícil... mas há quem goste de ser enganado”, escreveu Rio, apontando, por exemplo, para as propostas de alívio fiscal no IRS. Ontem, na reunião de trabalho do PSD ficou claro que haverá menos jantares-comício, ao contrário da experiência do passado, e a aposta será no contacto de rua com o eleitorado. As estimativas de gastos não devem ir muito além de 1 milhão de euros, menos de metade do previsto em 2015.

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