15/9/19
 
 
José António Saraiva 22/07/2019
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Os misteriosos negócios da Luz

DESCULPEM os benfiquistas, mas não posso deixar de voltar a falar dos estranhos negócios com jogadores feitos por Luís Filipe Vieira.

Depois da estratosférica venda de João Félix ao Atlético de Madrid por 126 milhões, batendo as verbas pagas por consagrados como Hazard ou Griezmann, surgiu esta semana a extraordinária notícia da compra de um guarda-redes que ninguém conhecia por 15 milhões de euros.

O NEGÓCIO não fazia o mínimo sentido, por muitas razões.

Em primeiro lugar, o Benfica tem um guarda-redes que na época passada atuou sempre a grande nível, sendo responsável por muitos pontos conquistados. Vlachodimos afirmou-se mesmo como um daqueles raros guarda-redes que defendem bolas quando todo o estádio já grita “golo!”. Não fazia sentido, portanto, que o clube tivesse necessidade de o substituir – e muito menos ao ponto de pagar 15 milhões por um substituto.

PARA JUSTIFICAR o negócio, o Benfica “explicou” a alguns comentadores de serviço que Vlachodimos não era tão bom como parecia, pois não sabia jogar com os pés. E – acrescentava – com as novas regras do futebol, o jogo de pés é cada vez mais importante para um guarda-redes.

De um momento para o outro, Vlachodimos, que os adeptos conheciam e apreciavam, já não prestava para nada – e Perin, de quem nunca tinham ouvido falar, é que era bom.

Mas a estranheza não ficava por aqui.

É que o tal “grande guarda-redes” que aí vinha só fizera meia dúzia de jogos na época passada – e, para agravar as coisas, trazia um complicado histórico de lesões. Além de problemas nos joelhos, lesionara-se gravemente num ombro, estando ainda a recuperar de uma intervenção cirúrgica. E já não era um jovem: tinha 26 anos.

DESTE MODO, o negócio, para além de pouco compreensível, apresentava-se como uma incógnita.

Mas a transferência avançou, o homem veio para Portugal – só que, cá chegado, o Benfica percebeu que era impossível explicar aos sócios a compra. Como iria Vieira justificar a aquisição de um guarda-redes por 15 milhões para o ter quatro meses à espera na enfermaria e sem nenhuma garantia de que ficaria totalmente curado?

Num guarda-redes, uma lesão num ombro é um problema gravíssimo – dado estar constantemente a cair sobre os ombros.

ASSIM, “politicamente”, o Benfica adiou o negócio para janeiro. Salva as aparências. Claro que muito dificilmente Perin jogará alguma vez no Benfica – a menos que os contornos do negócio ainda sejam mais estranhos do que se apresentam.

De facto – e para completar o mistério –, refira-se que na transação estava envolvido um jogador chamado João Ferreira, que não sei quem é, o qual só terá feito um jogo pela equipa principal, mas por quem a Juventus se dispunha a pagar 10 milhões de euros.

Alguém acreditará nestas farsas?

 

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