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Linhares Furtado. "Diziam que podia dar prisão. Avançaria de qualquer maneira"

Linhares Furtado. "Diziam que podia dar prisão. Avançaria de qualquer maneira"

Mafalda Gomes Marta F. Reis 20/07/2019 10:37

Há 50 anos, no domingo em que o homem chegou à Lua, o cirurgião Alexandre Linhares Furtado liderou a equipa que fez o primeiro transplante no país.

Vinte de julho de 1969. Alexandre Linhares Furtado liderou a equipa que fez o primeiro transplante em Portugal, um transplante renal com dador vivo, uma mulher que doou um rim ao irmão. Passam 50 anos este sábado, data que será pela primeira vez assinalada como Dia Nacional da Doação de Órgãos e da Transplantação. Pela manhã haverá um encontro de transplantados; ao início da tarde, uma cerimónia promovida pela Sociedade Portuguesa de Transplantação no Convento de São Francisco em Coimbra e, ao final do dia, um concerto pela Orquestra Clássica de Coimbra no Pátio das Escolas da Universidade de Coimbra. “Serenata à Lua Cheia” é o tema, no dia em que se celebra também meio século dos primeiros passos do Homem na Lua. Na mensagem que preparou, o cirurgião que chegou a ser quatro anos deputado na Primavera Marcelista, mas não se deixou convencer pela política, resume o caminho que começaram a trilhar, naquele domingo, numa sala do antigo edifício de São Jerónimo, dos Hospitais da Universidade de Coimbra, com três palavras: amor, coragem e heroísmo dos doentes e dadores.

No mesmo dia em que o homem chegava à Lua, faziam em Coimbra o primeiro transplante no país. Também era a maior aventura de sempre?

Individualmente, com certeza, mas não era uma aventura. Não gosto do termo. Sugere imponderação, um risco mal calculado. Foi um trabalho cientificamente bem fundamentado. Claro, foi um grande desafio, mas já muitas outras pessoas o tinham feito noutros países. Portugal é que era um país muito atrasado. De qualquer forma, talvez não estivesse assim tão atrasado nesta área, porque não foi assim tantos anos depois.

O primeiro transplante tinha sido feito em 1954, em Boston.

Sim, foi um marco, mas foi ao mesmo tempo uma grande sorte: tinham encontrado gémeos univitelinos, idênticos, nem imunossupressão seria necessário, era só o ato cirúrgico de transplantar. Quando se passou de facto a transplantar dadores vivos não idênticos, por exemplo irmãos mas sem serem gémeos, os resultados eram péssimos. Foi um período em que os resultados eram tão maus - os centros nos EUA e na Europa tinham uma perda de mais de 50% de rins e uma mortalidade elevada - que se reuniu um congresso em Washington em que a maior parte dos cirurgiões estavam convencidos de que o melhor era parar, não continuar a transplantar rins, que na altura era a única coisa que se transplantava.

Pensou-se que o caminho não seria a transplantação?

Que pelo menos seria preciso rever o que se estava a fazer. Mas, afinal, havia alguém nos EUA, Thomas Starz, uma pessoa relativamente jovem mas que tinha esplêndidos resultados em 20 casos. Reunindo a experiência, raciocinando, podemos dizer que a partir dos anos 60, 60 e poucos, começa a transplantação com mais consistência, com resultados mais seguros. E nós, cá, ao fim e ao cabo, foi meia dúzia de anos depois, não foi assim tão tardiamente.

Como surgiu o primeiro caso?

Eu era já doutorado, tinha 30 e poucos anos, era professor de Cirurgia Geral e fui encarregado de tomar conta do serviço de Urologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, cujo diretor, que era um professor extraordinário, tinha saído. Sendo professor universitário e dirigindo um serviço que devia ser de ponta, tinha obrigações e uma delas era fazer o serviço progredir. Portugal não tinha quase diálise e inicio em Coimbra. Havia em Lisboa e no Porto um embrião, mas em Coimbra, não.

Qual era o prognóstico na insuficiência renal?

As pessoas morriam cedo, algumas faziam diálise em Espanha, mudavam-se.

Quem tinha posses?

Não só, o Ministério da Saúde e a Gulbenkian financiavam algumas coisas. Entretanto fui presidente da primeira comissão de diálise e transplantação e, a partir daí, o Ministério da Saúde ficou equipado com um levantamento e começámos diálise em muitos centros, também nos Açores. Depois da diálise, o passo seguinte foi preparar doentes para transplantar.

Esta operação que fazem a 20 de julho de 1969 estava a ser planeada há quanto tempo?

Há dois anos, mais ou menos. Era um doente de Coimbra em diálise e foi a irmã quem lhe deu o rim.

Foi preciso pedirem autorização superior? Ao Ministério?

Não, havia autorização local. A administração do hospital estava a par de tudo.

Não era uma operação secreta, mas foi feita num domingo. Por algum motivo especial?

Queríamos ter o bloco operatório mais livre. Ainda hoje isso acontece: há pouco tempo, o meu filho operou um caso complexo num sábado. Durante a semana, os blocos estavam e estão todos ocupados. Ao domingo havia apenas uma sala para as urgências e conseguimos ter a melhor sala, que era muito antiga, má, mas era a melhor. A melhor mesa de operações que tínhamos foi usada para a dadora. Sendo domingo, estava tudo calmo, não andámos propriamente a divulgar. Era uma responsabilidade muito grande.

Havia receios do doente, da dadora, medo da ideia de um órgão passar de um corpo para outro?

Havia… Bom, era a primeira vez que se fazia. Tenho documentos, já não me recordo se foi perante um juiz ou um notário, com o consentimento. Foi tudo explicado.

Estava nervoso?

Não... Foram muitos passos, muito estudo. O meu ajudante iniciou a intervenção no dador, eu colhi o rim. Fui depois para o recetor, numa sala mais pequena, ao lado, e aí fez-se o transplante. Tinha um primeiro ajudante de um lado, outro do outro, mais dois segundos ajudantes. Um estava responsável pela refrigeração. Era a primeira vez que se fazia tudo. Depois, o doente teve uma pequena complicação que era relativamente frequente e que se considerava o calcanhar de Aquiles da transplantação renal, que era a união do uréter, uma pequena fuga. Conseguimos resolver. Passados uns dias, ia ter alta quando surgiu o que parecia ser uma rejeição e dei-lhe uma injeção de soro antilinfocitário. Foi nesse momento que, por qualquer razão que nunca chegámos a saber, fez uma reação brutal que o ia matando. Para não morrer o doente e para evitar que a imunossupressão lhe fizesse pior, reuni os meus colaboradores e defendi que se suspendessem os medicamentos. Suspendeu-se a medicação imunossupressora, o doente sobreviveu, continuou em diálise à espera de um rim de cadáver, mas só em 1976 é que veio a primeira legislação.

Este primeiro transplante de rim funcionou então quanto tempo?

Um mês. Sem a imunossupressão, sem os medicamentos, o rim perdeu-se, deixou de funcionar, atrofiou. Só se tiraria se fosse necessário. E depois foram sete anos à espera da legislação que permitiu avançar com a transplantação com dadores cadáveres. Neste caso, a opinião de alguns juristas, nomeadamente o da Ordem dos Médicos, era que eu não podia tirar o rim de uma pessoa viva para pôr num irmão. Poderia dar origem a prisão.

Mas teve essa ameaça?

Não, houve muita discussão antes e decidiu-se que podia avançar. Eu avançaria de qualquer maneira, era quase impossível que me caíssem em cima.

Porquê?

Seria de um país do terceiro mundo não se querer avançar, era uma coisa aceite por todas as sociedades da Europa, dos EUA.

Houve muitas críticas? Da Igreja?

As piores não foram da Igreja, foram de algum jornalismo. Tivemos notícias, umas positivas, outras negativas. Saiu um artigo que nos acusava de colher “órgãos em pessoas ainda vivas”. O responsável, naturalmente, não foi o jornalista, foi um professor de Medicina Legal. Outro jornalista escreveu “escândalo dos transplantes”.

Portanto, críticas de colegas médicos?

Também. Depois deste caso viríamos a fazer mais tarde, em 1992, o primeiro transplante de fígado, e a seguir a desenvolver outras estratégias, como fígado auxiliar, o transplante sequencial de fígado de doentes com paramiloidose.

Fez quantos transplantes?

Participei em 600 e tal transplantes de fígado. De rim não fiz muito, preparei muitas pessoas.

O que se sente quando se liga um órgão?

Na altura, tem de se ser cientista e nada mais.

Mas tem um caso marcante?

Tenho aqui alguns casos. Esta menina nasceu com atresia das vias biliares - o fígado produz bílis mas não consegue excretar. Faz-se o transplante de fígado, parte de um fígado que cabia na palma da mão. Neste tríptico vê-se a criança, Coimbra a dormir e nós a operar - o que acontecia às vezes no Natal, no fim do ano, na Páscoa, etc., e depois a alegoria da transplantação, reviver.

Foi o professor que pintou?

Sim, mas não era pintor. Gostava de pintar, depois tive um problema na coluna e deixei de poder. Tivemos casos complexos. Transplante de fígado e intestino, fizemos três casos únicos em Portugal.

O transplante renal não foi o caso mais difícil?

É um dos mais fáceis. O transplante renal e do coração são dos mais fáceis.

Foram quantas horas no bloco operatório no primeiro transplante?

Foram duas horas com o dador e duas horas com o recetor, aproximadamente.

Ainda chegou a casa a tempo de ver o homem chegar à Lua?

Provavelmente, não me lembro. Tivemos condições muito más, desidratação... 40 graus dentro da sala de operações, não havia ar condicionado.

Eram as condições do dia-a-dia?

Eram más. Depois, estava muita gente no teatro operatório e foi um dia excecionalmente quente.

Sempre quis ser cirurgião?

Sim... Bom, ao início, quando fiz o liceu, pensei ir para os EUA, para Matemática ou Física, eram as áreas em que tinha mais jeito.

Fez o liceu já em Coimbra ou ainda nos Açores?

Em Ponta Delgada, no melhor liceu do país.

Depois de se formar como médico não pensou em regressar?

Tinha esse compromisso, até porque tinha tido uma bolsa, mas insistiram para ficar cá e acabei por ficar, também pela família. A minha mãe ficou doente quando eu disse que ia para a América.

Foi deputado quatro anos na Primavera Marcelista, já depois do transplante.

Sim, mas não fiz quase nada...

Na sua ficha no Parlamento estão registadas algumas intervenções sobre o estado das instalações hospitalares, o acesso à saúde. É a saúde que o leva para a política?

Um dia, se tiver saúde e vida, escrevo um livro sobre isso. Eu não era da União Nacional, não era político, mas tinha as minhas ideias. Não quero estar a dizer que eram de esquerda, porque essa coisa de esquerda e direita é muito “complicada”. Mas era uma figura popular e pessoas da União Nacional vieram ter comigo, pessoas amigas, um era médico com muita influência política, outro de direito. A minha mulher até me disse: “Não andas sempre a fazer críticas? Vai lá falar”. Dei-me mal. [risos] Tive uma dissidência grave com o ministro da Saúde, mostrei a minha discordância com a questão do Ultramar e, a certa altura, fui enviado em comissão para o norte de Moçambique, já depois de ter cumprido o serviço militar obrigatório. Por castigo, para ser breve. Voltei no Natal porque estive doente. Ainda voltei à Assembleia Nacional, mas os primeiros meses desiludiram-me. Pedi então para voltar para Moçambique e fui para a universidade, era o único doutorado. Ainda voltei para Mueda até ao fim da comissão no exército.

Dos momentos em que teve oportunidade de falar na Assembleia Nacional, o que recorda?

Na altura houve uma greve de médicos, um esboço de greve, que apoiei. Uma das razões foi que estavam a mobilizar à toa médicos para irem para o Ultramar, sem meios nenhuns, faziam mais falta cá. Mandar-se um médico para uma companhia, para um batalhão, 200 homens que estavam num buraco na selva... Um médico não faz nada a menos que seja psiquiatra ou psicólogo. Tive outros momentos em que fui crítico, fui contra acabar-se com o ensino intermédio, que fez uma falta tremenda ao país. Hoje é tudo superior, não há ensino inferior em Portugal, quando em todo o mundo isso acontece - um engineer, em Inglaterra, sempre foi um técnico.

A política não o convenceu?

Não, de maneira nenhuma. Na altura aceitei ser deputado como independente, tal como Sá Carneiro, Balsemão, Mota Amaral. Fui um dos 19 que votaram na Assembleia Nacional contra a reeleição de Américo Tomás. Depois, o 25 de Abril também foi duro porque eu não era marxista nem leninista ou maoista. E não fui só eu, toda a faculdade foi alvo de ameaças, mas não valeu de nada, tivemos mais força do que todo esse movimento extremista.

Quarenta anos depois, qual lhe parece ter sido a maior conquista e o que ficou por fazer?

Por fazer há sempre, senão não havia Governos. Um país é uma coisa dinâmica, há sempre defeitos, há sempre leis que até são feitas como muito boa intenção mas não dão o resultado que se esperava. Naturalmente que a descolonização não foi aquela que eu faria. O erro esteve em não se aceitar os movimentos de independência e não dar a esses movimentos apoio militar durante dez, 15 anos, em vez de os combater.

E a maior conquista?

A grande conquista para quase toda a gente é o SNS. Eu sou contra este modelo de SNS, fui sempre. No fundo, nacionalizou-se quase tudo o que já havia - mesmo o Hospital de Santa Cruz era uma clínica privada. Um país pobre, que estava atrasadíssimo, querer dar a toda a gente saúde e medicina tendencialmente gratuitas nunca me pareceu que fosse possível e é por isso que hoje está nestas condições.

Que alternativa haveria? Não avançar para o SNS não iria atrasar a resposta às pessoas com menos rendimentos?

Esses é que deviam ser protegidos, e não sei se agora não estão menos protegidos do que poderiam estar.

Quem podia pagar devia ter continuado a pagar?

Foi o que defendi, eu e outros colegas, com um sistema de seguros e complementaridade.

Não vê coisas boas no SNS?

Claro que o SNS teve algumas, mas não subsiste por ser uma coisa assim tão boa e muito menos por ser o melhor serviço de saúde do mundo. A preocupação da saúde pública já existia: a vacinação, o transplante foi feito antes do SNS.

Como viu a discussão da revisão da Lei de Bases da Saúde, com a ênfase que é dada à gestão pública?

São questões ideológicas, embora muitas pessoas talvez não tenham essa consciência. Quando há pragmatismo, não se pode colocar essa questão de ser tudo do Estado. Só num país muito atrasado é que se pensa assim, e ainda somos muito atrasados. E havemos de continuar, se não for para pior, porque vejo muitos sinais de que podemos passar por uma crise económica grave.

Em que é que somos muito atrasados?

Na mentalidade geral. Na corrupção - a justiça é uma desgraça. Até na mania de dizer que lá fora é tudo melhor. Há muita coisa melhor, há.

Há pouco disse que não tínhamos o melhor SNS.

Há dois serviços nacionais iguais, o britânico e este, copiado do britânico. Entre dois, não é muito difícil que seja melhor, mas não é. Não sei o que vai acontecer ao país, estou um bocado pessimista - realista, talvez.

Sempre foi assim?

Pelo contrário. Se fosse pessimista não tinha feito nada, tinha feito o normal, sem me envolver. Porque apesar de tudo foram sacrifícios grandes, sacrifício físico, visual, intelectual. Nunca estive em dedicação exclusiva no hospital, nunca ganhei como dedicação exclusiva.

Nunca esteve porque não quis?

Não quis. Tive necessidade, ao fim de oito anos de já ser cirurgião, doutorado, professor, de ir para a privada, não tinha dinheiro para sustentar a minha família.

Quanto recebiam?

Agora até é ridículo, cinco euros. Quando fui diretor de serviço tinha uma percentagem adicional sobre o ordenado da Faculdade. Os médicos foram trabalhar para a privada porque o Estado nunca pagou condignamente. Há tempos estudei o serviço de saúde britânico. Mesmo quando estive uns meses em Inglaterra, por causa da urologia, grande parte dos médicos não eram ingleses. Não sou racista, mas não sou demagogo. Hoje, 75% dos médicos no SNS britânico são indianos ou paquistaneses. Os ingleses estão no SNS como diretores de serviço, professores, não querem a medicina. É muito mais fácil ser CEO dos milhares de empresas que existem: têm outros benefícios, desconto no carro - é uma questão de dinheiro, para muito poucos será ideológica. Vamos deixar de ter médicos portugueses a certa altura, vamos ter imigrantes.

O Ministério da Saúde está a estudar a hipótese de recuperar a dedicação exclusiva no SNS, com um aumento dos salários dos médicos.

Temos eleições em outubro... E vai aumentar o IRS a quem?

Os médicos vão continuar a ir para o privado?

Por um certo tempo. Quando o privado estiver asfixiado pela ideologia do público, talvez não. É preciso assegurar prestações sociais, com responsabilidade e justiça. E não pode haver as discrepâncias que há. Um indivíduo que ganhe 100 mil euros por mês paga o mesmo IRS de que quem ganha 10 mil.

Que avanços na sua área gostava de ver?

Não sei. Termos animais para doar órgãos que fossem tolerados pelo ser humano era a nossa grande esperança há 30 anos, mas até hoje não se realizou.

Órgãos artificiais?

Sim, um rim transportável, o coração, um dia. Hoje existem já máquinas, temporárias. Mas o coração, do ponto de vista da fisiologia, talvez seja o mais simples: é um músculo enervado, um motor; também tem processos químicos, mas nada que se compare com o rim, o fígado ou o pulmão. Espero que, um dia, a transplantação como foi feita no meu tempo, e é ainda hoje, desapareça para a maior parte dos órgãos, com órgãos criados em laboratório, manipulados geneticamente.

Em teoria daria para trocar sempre os órgãos, viver para sempre.

Bom, isso não sei se vale a pena. [risos]

Para este sábado estão marcadas comemorações e concerto da Orquestra Clássica de Coimbra. É presidente da assembleia-geral. Punha música no bloco?

Gosto muito de música clássica. Mas não tinha música no bloco. O tempo era tão a correr que nunca ouvia uma música até ao fim. Ouvia sobretudo nas viagens. Há quem diga que “o melhor para operar” é Mozart, nunca tive superstições.

Que mensagem gostava transmitir neste aniversário do transplante?

Preparei um texto. Vou dizer essencialmente que isto é a celebração de três palavras: amor, coragem e heroísmo, dos dadores vivos.

Algo que hoje se tenta promover cada vez mais, nomeadamente no rim, em que continua a haver uma grande lista de espera.

Nunca deixei de o fazer. Aceita-se talvez mais facilmente. O risco é muito pequeno, mas existe. De qualquer forma, é uma questão muito cultural. O Japão não tem quase transplantação de dadores cadáveres e aquela estratégia que desenvolvi de usar os fígados de doentes com paramiloidose para fazer dois transplantes foi muito seguida lá, até com doentes mais novos.

De todas as técnicas que ajudou a desenvolver, de qual se orgulha mais?

Não me orgulho de nada, sinto-me feliz. Sinto que cumpri o melhor possível o meu dever de médico e de cidadão, com custos graves que já passaram.

A vida de médico, com os sacrifícios que descreveu?

É mal reconhecida. Como ser professor. Um diretor de banco ganha muitíssimo mais, para não falar dos futebolistas. Até os juízes já entraram em greve. Há alguns colegas meus que não aceitam uma greve médica.

O professor o que acha?

Acho que sim, em último caso.

E é tempo de as fazer?

É tempo de fazer ver a quem tem poder que podem fazer greve, que têm força para as fazer e que as farão.

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