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Copa do Brasil. Os 11 metros que provocaram a primeira queda de Jesus

Copa do Brasil. Os 11 metros que provocaram a primeira queda de Jesus

DR Bruno Venâncio 19/07/2019 20:32

O Flamengo viu fugir a vantagem em pleno Maracanã e foi de uma incompetência máxima no desempate por grandes penalidades.

E ao terceiro jogo, a primeira grande desilusão para Jorge Jesus em terras de Vera Cruz. O Flamengo, crónico candidato a vencer todas as competições que disputa – e ainda mais depois da chegada do técnico português, como o próprio fez questão de frisar já em diversas ocasiões –, caiu nos quartos-de-final da Copa do Brasil em pleno Maracanã, depois de até ter chegado em vantagem à partida da segunda mão.

O segundo encontro com o Athletico Paranaense foi, na verdade, uma cópia quase fiel do primeiro... mas ao contrário. Há uma semana, em Curitiba, o Furacão tinha sido bastante superior, apontando até quatro golos (três anulados pelo VAR); o Mengão, ainda assim, havia conseguido marcar por Gabriel Barbosa – o tal que passou quase incógnito por Inter de Milão e Benfica mas que no Brasil lá vai fazendo jus à alcunha de Gabigol –, e o 1-1 final deixava boas perspetivas para a segunda mão, a resolver diante de quase 70 mil “torcedores” dos mais fiéis que se podem encontrar por aqueles lados.

Desta vez, tudo foi diferente – parecia até que as equipas tinham trocado de guião. Apesar de ter perdido De Arrascaeta, uma das suas grandes figuras, logo aos 14 minutos, o Flamengo foi superior durante grande parte do encontro, com domínio territorial e sempre a dar a sensação de ter o jogo (e a eliminatória) controlado – embora, verdade seja dita, sem criar grandes ocasiões de golo. Quando ele realmente surgiu, aos 62 minutos, pelo inevitável Gabigol, não pareciam restar grandes dúvidas sobre o desfecho da eliminatória: é verdade que um golo do Paranaense podia recolocar tudo empatado, mas por esta altura esse parecia um cenário difícil de antecipar.

maracanazo, cheirinho e sintético No futebol, todavia, as previsões servem de muito pouco. E a realidade é que, a menos de um quarto de hora para o final e na primeira real ocasião que criou na partida, o Athletico Paranaense empatou: o recém-entrado Bruno Nazário descobriu uma brecha na defesa do Flamengo e serviu o velocíssimo Rony, que se isolou e na cara de Diego Alves não tremeu.

Até ao fim dos 90 minutos, o Furacão ainda voltou a assustar, mas o resultado não mais se viria a alterar. Sem direito a prolongamento, a partida seguiu diretamente para as grandes penalidades, e aqui se processou realmente a queda dos homens de Jesus. Diego, antigo jogador do FC Porto, falhou logo a abrir, permitindo uma defesa fácil do guardião Santos, e Vitinho atirou para as nuvens na segunda tentativa do Mengão; enquanto isso, o Athletico Paranaense converteu os dois pontapés – o segundo por Lucho González, outro ex-dragão. Diego Alves ainda conseguiu deter o remate de Bruno Nazário, mas Éverton Ribeiro permitiu logo de seguida a defesa de Santos e Bruno Guimarães não desperdiçou o pontapé decisivo, carimbando o passaporte para as meias-finais, onde irá defrontar o Grémio – o outro embate irá opor o Internacional ao Cruzeiro.

A festa dos paranaenses foi imensa e nem faltaram provocações claras ao adversário: vários jogadores do Furacão imitaram o festejo que é “marca registada” de Gabigol e fizeram ainda o gesto alusivo ao “cheirinho”, expressão popularizada nos últimos anos pelos adeptos dos clubes rivais do Flamengo para aludir ao facto de o gigante do Rio de Janeiro ver sistematicamente os troféus a ser ganhos por outros clubes – e, portanto, fica “apenas no cheirinho”.

A própria conta de Twitter do Athletico Paranaense brincou com o tema, partilhando uma imagem dos seus jogadores a fazer esse gesto, mas também numa publicação onde ironizou com o termo “Maracanazo”, expressão imortalizada após a derrota do Brasil com o Uruguai no Mundial de 1950 naquele mesmo recinto. Por último, o Furacão publicou ainda uma imagem onde se vê Vitinho a falhar o segundo penálti e a culpar o estado do relvado, com a legenda “Culpa da grama sintética”: uma ironia clara, devido ao facto de alguns adversários (entre os quais o Flamengo) se queixarem do relvado sintético do campo do Paranaense, a Arena da Baixada, que dizem conceder vantagem ao Athletico quando este joga em casa.

a muleta e as... duas finais? Este foi, de resto, um tema abordado pelo treinador do Athletico Paranaense no rescaldo desta partida, onde aproveitou para deixar um recado a Jorge Jesus, depois das críticas do técnico luso ao sintético da Arena da Baixada na primeira mão. “Nunca colocamos nenhuma muleta em relação à nossa performance. Quando não vencemos fora, assumimos a nossa responsabilidade. As pessoas usam muleta para justificar o seu trabalho, mas não fazemos nada fora da lei, está tudo dentro das regras do jogo. Para mim, o Athletico não precisa de vencer fora de casa para ser campeão da Copa do Brasil, só precisa de passar a eliminatória”, atirou o técnico brasileiro.

Tiago Nunes, de resto, aproveitou ainda para pedir ao seu homólogo do Flamengo que interceda pelos treinadores brasileiros junto da UEFA, de modo a que estes consigam equivalências dos seus cursos no espaço europeu: “Ele é visitante no nosso país e poderia ajudar-nos na UEFA. Lá não somos aceites, aqui ele é... Fica a responsabilidade para o Jesus ajudar-nos a melhorar o nosso futebol. É um visitante no nosso país e pode auxiliar-nos a ter trabalhos fora, da mesma forma que nós o estamos a receber a ele aqui”.

Jesus, por seu lado, lamentou a eliminação mas deixou elogios aos seus jogadores, considerando que o Flamengo foi melhor. “A equipa fez um jogo muito bem conseguido, esteve por cima durante os 90 minutos e teve muitas oportunidades de golo. Depois de ter feito o 1-0, acreditei que o Flamengo estava mais perto do 2-0 do que do 1-1. Acabámos por sofrer um golo numa bola direta. Se a equipa passasse e se tivesse feito as grandes penalidades, todos estávamos aqui a dizer que fez um grande jogo”, salientou, completando a ideia: “Num grande clube como o Flamengo o objetivo é conquistar todos os troféus, mas há que estar preparado para ganhar tudo e também para quando as coisas não correm bem, como aconteceu hoje. Vamos controlar as emoções. O facto é que não conseguimos ser melhores. Isso dói, ainda mais por termos tido oportunidades”.

Jesus, agora com um saldo de uma vitória e dois empates em três jogos ao comando do Flamengo, acabaria ainda por protagonizar mais uma das “suas” gafes ao lembrar episódios antigos na carreira. “Ser eliminado desta forma é cruel e mais doloroso. Já perdi duas finais da Liga Europa por penáltis e sei o quanto custa”, atirou o técnico. Na verdade, foi apenas uma: em 2013/14, ao comando do Benfica frente ao Sevilha; no ano anterior, havia perdido por 2-1 no tempo regulamentar perante o Chelsea.

 

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