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As mulheres da minha vida

As mulheres da minha vida

Rodrigo Gonçalves 19/07/2019 11:07

Quando alguém tem mais dificuldades em se impor é preciso um empurrão extra para chegar ao topo. É por isso que as mulheres que emergem no topo são extraordinariamente fortes e capazes, porque tiveram de lutar muito mais que um homem para lá chegar.

A democrata cristã alemã Ursula von der Leyen conseguiu, no passado dia 16 de julho, o feito histórico de se tornar a primeira mulher a presidir à Comissão Europeia. Este é mais um passo importante para acabar com a clivagem existente entre homens e mulheres na liderança de topo, em cargos públicos e privados.

O género não deve ser um fator para determinar se uma pessoa pode ou não ser um grande líder. As habilidades de liderança de uma pessoa devem depender das suas forças individuais, traços de personalidade e qualidades pessoais.

No entanto, em muitos casos, as mulheres não são encorajadas a assumir papéis de liderança com a mesma frequência que os seus colegas homens, o que contribui para um desequilíbrio nos cargos de poder.

As mulheres são tão qualificadas quanto os homens e começa a ser cada vez mais difícil entender a disparidade entre cargos de liderança atribuídos a mulheres e homens.

As mulheres nem sempre percebem o quanto estão preparadas para o sucesso em papéis de liderança, mas o seu potencial e as suas habilidades são inegáveis e equivalentes às dos homens (sendo, em muitos casos, até superiores).

Convivo diariamente com quatro mulheres extraordinárias – a minha mãe, a minha mulher e as minhas duas filhas – e todas elas me fazem ver, de uma maneira ou de outra, que liderar no feminino e em pé de igualdade com o masculino é o caminho do futuro.

Com base nas mulheres da minha vida reconheço que elas valorizam o equilíbrio entre vida pessoal, escolar e profissional com muito sentido de responsabilidade.

Aliás, revejo-me inteiramente na citação da empresária Rita Rivotti que diz que “ser mãe é um trabalho bem mais exigente do que gerir uma empresa” e desta realidade eu não tenho dúvidas enquanto filho, marido e pai.

As mulheres são capazes de equilibrar as habilidades de liderança profissional e pessoal tornando mais fácil as abordagens de um pedido pessoal ou até uma pergunta sensível. As mulheres valorizam o desempenho profissional, mas têm sempre a preocupação de garantir, para si e para as suas equipas, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Entre muitas outras qualidades na liderança, as mulheres concentram-se no trabalho em equipa e demonstram consistentemente paixão, entusiasmo e uma imensa capacidade de servir e ser servidas por outras pessoas. Tenho a profunda convicção que com as mulheres a partilhar cargos de liderança, o ambiente é menos autoritário, mais cooperativo e mais familiar.

As mulheres também são grandes líderes por outro fator fundamental. São por natureza multifacetadas e têm a capacidade de responder de forma decisiva e rápida a tarefas e problemas simultâneos e diferentes, sendo esta forma de agir uma componente crítica para uma liderança bem-sucedida.

As mulheres também são motivadas por desafios como os homens, mas diferenciam-se na capacidade de se assumirem como as eternas solucionadoras de problemas criativos motivados por obstáculos, quer de natureza familiar, quer de natureza profissional.

Outra qualidade chave no feminino é a forma como lidam com situações de crise. Muitas mulheres, especialmente mães, são cuidadoras inatas e sabem lidar com situações de crise em casa com compaixão, generosidade e muita paciência.

Estes atributos tornam-se muito relevantes quando uma mulher líder é confrontada com situações de crise e são uma mais-valia enorme. As mulheres equilibram carreiras e famílias. As mulheres gerem, ajustam e concentram-se em soluções.

As mulheres desafiam as probabilidades quando falamos de liderança. Fazem-no desde sempre, para combater os estigmas sociais impostos que as menorizam e tentam enfraquecer a figura feminina.

Quando alguém tem mais dificuldades em se impor, é preciso um empurrão extra para chegar ao topo. É por isso que as mulheres que emergem no topo são extraordinariamente fortes e capazes, porque tiveram de lutar muito mais que um homem para lá chegar.

Mas a qualidade que mais me apaixona nas mulheres da minha vida é uma enorme capacidade para sonhar. As mulheres transformam aquilo que poderíamos considerar pouco positivo numa liderança – onde o foco deve ser regra – numa arte de acreditar que os sonhos se tornam realidade.

A capacidade inata de sonhar alto, desafiar suposições e inspirar equipas permite às mulheres traduzirem grandes ideias em ação e resultados concretos. Desta forma gerem as suas famílias e as suas carreiras e é desta forma que devemos querer que assumam a liderança do futuro a par dos homens.

A liderança no feminino é fundamental e o equilíbrio entre homens e mulheres deve ser o único caminho a seguir nesta matéria tão sensível. Rejeito radicalismos masculinos e femininos de qualquer ordem, respeitando, no entanto, a diversidade de opiniões.

Assumo-me como um apaixonado pelas mulheres da minha vida e custa-me acreditar que haja algum homem, no seu perfeito juízo, que possa contrariar o benefício único de ter, como parceira de uma caminhada, uma grande mulher.

 

Gestor e mestre em Ciência Política

 

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