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Iranianos barrados. As movimentações suspeitas, o caso de Viena e o sinal aos EUA

Iranianos barrados. As movimentações suspeitas, o caso de Viena e o sinal aos EUA

Miguel Silva Carlos Diogo Santos e Felicia Cabrita 17/07/2019 18:38

No ano passado foi notícia o envolvimento de um elemento da embaixada iraniana em Viena no planeamento de um ataque. O caso lançou o alerta junto das autoridades europeias. Em Portugal nunca chegou a haver ameaça real de terrorismo, mas houve movimentações estranhas de dois elementos.

Há pelo menos três semanas que Portugal não emite vistos aos cidadãos iranianos que querem entrar em território nacional. A decisão, segundo anunciou ontem no parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, prende-se com questões de segurança nacional. Em causa estarão movimentações suspeitas de cidadãos iranianos que terão lançado um alerta junto dos serviços, numa altura em que as autoridades europeias estavam já de sobreaviso. Apesar disso, não existem ameaças reais de terrorismo.

“Sim, suspendemos por razões de segurança”, explicou ontem Augusto Santos Silva quando questionado pelo deputado do CDS/PP Gonçalves Pereira durante uma comissão regimental dos Negócios Estrangeiros da Assembleia da República.

“Darei explicações mas não em público por questões de segurança”, reforçou Santos Silva, adiantando que as autoridades “não brincam com as entradas em território nacional”.

O plano de ataque que lançou o alerta na Europa No ano passado foi detido um diplomata iraniano, adido na embaixada de Viena, Áustria, por suspeitas de planear um ataque contra uma reunião em que estariam presentes elementos de um grupo opositor ao Governo iraniano (Organização Mujahedin-e Khalq, o MKO) exilados em Paris. O ataque seria em data coincidente com a visita do presidente iraniano Hassan Rouhani para a discussão do acordo nuclear, abandonado pelos EUA. Desde esse momento, os alertas soaram em vários países. Na altura Teerão afastou qualquer envolvimento no caso, dizendo que se tratava de uma conspiração.

Em Portugal apesar de terem sido detetadas movimentações estranhas nos últimos tempos de dois cidadãos iranianos, situação que terá fundamentado ao mais alto nível esta decisão por parte do Governo liderado por António Costa, o i sabe que para as autoridades nunca terá existido um risco real de ameaça terrorista. Fontes conhecedoras deste caso garantem que não está em curso qualquer investigação por suspeita de terrorismo. O alegado risco de espionagem também não pode ser descartado para já, sendo certo que a decisão é considerada por muitos especialistas como especialmente rígida, sobretudo num momento em que a tensão entre o Irão e o Ocidente, nomeadamente os EUA, é elevada, significando um claro alinhamento de Portugal com os norte-americanos.

O clima de tensão é tanto que ontem os EUA permitiram a entrada no país ao ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irão, Javad Zarif, mas com a proibição de circulação além de um raio de seis quarteirões a contar da Missão do Irão na ONU, no centro de Manhatan. Os diplomatas de países com relações tensas com os EUA ficam por norma limitados a um raio bem maior, de 40 quilómetros.

Os episódios que mostram o avolumar da tensão têm sido muitos: a ameaça de um ataque aéreo norte-americano, cancelado à última da hora, o arresto de um petroleiro iraniano pelas autoridades de Gibraltar e a tentativa de bloqueio feita por três embarcações iranianas a um petroleiro britânico no Estreito de Ormuz.

 

Santos Silva diz que situação é passageira

Tudo começou ontem com uma questão colocada pelo deputado centrista Gonçalves Pereira a Augusto Santos Silva numa comissão regimental dos Negócios Estrangeiros da Assembleia da República.

Ao i, Gonçalves Pereira explicou como surgiram as dúvidas colocadas pelo CDS: “Chegou-nos essa informação há duas ou três semanas por parte de alguém que tentou tirar o visto e não conseguiu. Aproveitei a audição do ministro para o questionar e para confirmar a informação.”

Já no fim da audição, Santos Silva garantiu que esta medida foi excecional e temporária e que não reflete “a qualidade das relações bilaterais de Portugal com Teerão”.

“Foi uma suspensão temporária, que esperamos retomar num prazo muito curto de tempo, do trabalho da nossa secção consular na embaixada em Terrão”, garantiu o governante, salientando que não se trata de uma situação inédita.

“Não foi a primeira vez que aconteceu nem será a última”, acrescentou.

*Com Ana Petronilho

 

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