24/8/19
 
 
José Cabrita Saraiva 16/07/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

A “ecologia de fachada” dos principais partidos

O PS, como partido de Governo, pensou logo em como poderá arrecadar mais alguns milhões à conta de uma dita “fiscalidade verde”. Não será difícil adivinhar em que irá traduzir-se este chavão: impostos sobre os combustíveis fósseis e os automóveis não elétricos (ou seja, quase todos) e “incentivos” à eficiência energética – certamente qualquer coisa na linha dos inenarráveis “certificados de eficiência energética”

O tema do ambiente vai sem dúvida marcar as próximas décadas. Haja ou não haja aquecimento global, com oito mil milhões de pessoas no planeta a consumir e a poluir a questão estará cada vez mais presente na ordem do dia. Defender a natureza, além de uma causa nobre, pode vir a tornar-se para as gerações vindouras uma questão de sobrevivência. Requer ações individuais e decisões políticas firmes.

Ainda assim, chega a ser quase indecorosa a pressa com que os principais partidos, apercebendo-se de que este filão rende votos, correm atrás da tendência e apresentam medidas.

O PS, como partido de Governo, pensou logo em como poderá arrecadar mais alguns milhões à conta de uma dita “fiscalidade verde”. Não será difícil adivinhar em que irá traduzir-se este chavão: impostos sobre os combustíveis fósseis e os automóveis não elétricos (ou seja, quase todos) e “incentivos” à eficiência energética – certamente qualquer coisa na linha dos inenarráveis “certificados de eficiência energética” que só servem para os proprietários largarem umas dezenas ou centenas de euros.

O BE, na sua melhor tradição proibicionista, quer acabar com os carros nas cidades.

O PCP propõe medidas estimáveis, mas provavelmente utópicas e de impacto reduzido, como promover a “compra de produtos a peso” para diminuir o uso de plástico.

O PSD aposta em mudanças no setor energético, numa linha mais “capitalista”. E Os Verdes sugerem mudanças profundas que serão justíssimas mas de difícil implementação.

É natural que mesmo quando falamos numa causa comum como a preservação do ambiente cada partido tenha as suas ideias e encare o problema de maneira diferente. Mas, salvo uma ou outra exceção, estas propostas mostram que nem mesmo numa questão tão decisiva deixam de acautelar interesses particulares, já para não falar na profunda marca ideológica de algumas medidas. É pena, porque já todos percebemos que só com propaganda e “ecologia de fachada” não vamos a lado nenhum.

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