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Desacatos em Queluz. Quatro polícias para mais de cem pessoas

Desacatos em Queluz. Quatro polícias para mais de cem pessoas

João Porfírio Rita Pereira Carvalho 15/07/2019 10:35

Desacatos na estação de comboios de Queluz provocaram quatro feridos – dois deles são polícias. No início, ao local chegaram apenas quatro agentes que estavam a fazer serviço gratificado – pago pela CP. A Equipa de Intervenção Rápida que deveria estar em Sintra estava no NOS Alive.

No sábado à noite, a confusão instalou-se na estação de comboios de Queluz-Belas. Mais de cem pessoas de grupos rivais envolveram-se em desacatos e daí resultaram três detenções e vários feridos: dois agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), duas mulheres e dois homens. Para uma situação de desacato que envolveu mais de cem pessoas foram enviados apenas quatro agentes que, mesmo pedindo reforços para atuar, tiveram ordens para avançar.

O i sabe que a Equipa de Intervenção Rápida que deveria estar em Sintra estava em serviço num evento particular – o festival NOS ALIVE.

De acordo com um documento descritivo do incidente, a que o i teve acesso, a PSP foi alertada por volta das 23h30 de que havia um grupo de cerca de 40 pessoas na Estação da CP de Queluz a criar desacatos. A esquadra, de imediato, pediu aos agentes gratificados – pagos pela CP e que estavam nas imediações a fazer a ronda – para se deslocarem ao local.

Mais tarde, depois de já existir a informação de que uma mulher tinha sido esfaqueada, os agentes gratificados pediram reforço e garantiram que só se deslocavam ao local se tivessem apoio. O apoio não chegou e foram apenas os gratificados – quatro polícias – ao local. Quando chegaram, comunicaram que existiam mais de 100 pessoas e pediram, novamente, ajuda.

Quando chegaram, finalmente, os reforços, o grupo de mais de uma centena de pessoas começou a atirar garrafas de vidro. Várias pessoas saltaram para a linha do comboio e, nessa altura, foram atiradas pedras à polícia – um dos agentes foi atingido por uma pedra nas costas e outro na cara. Neste momento, dois agentes foram abrigados a disparar quatro tiros para o ar, sendo que daí não resultou qualquer vítima ou ferido.

A circulação esteve interrompida durante alguns minutos, já que algumas das pessoas envolvidas na confusão entraram para dentro das carruagens do comboio que fazia a ligação entre Sintra e o Oriente. Além da confusão, a maior parte dos envolvidos nos desacatos não tinha sequer título de transporte para circular nos comboios da CP.

Quanto aos feridos, um dos polícias teve de receber tratamento hospitalar. As duas mulheres feridas – uma esfaqueada no braço e a outra agredida com pontapés – e os dois homens feridos – um esfaqueado e outro agredido – foram assistidos no Hospital Amadora/Sintra.

 

O assunto não é novo Ao i, Pedro Carmo, presidente da Organização Sindical da Polícia (OSP/PSP), explicou que este tipo de confrontos é recorrente e que podem resultar de vários fatores: “ou festas, ou mesmo combinações para vingança”. No caso específico daquilo que aconteceu em Queluz no sábado à noite, sabe-se que os desacatos começaram na Avenida da Liberdade, em Monte Abraão, onde se realizou uma festa africana, e continuaram depois na estação de comboio. Aliás, a estação de Queluz/Belas foi já, anteriormente, palco de agressões e desacatos. No final de junho, vários moradores descreveram agressões físicas entre grupos – com arremesso de pedras e garrafas de vidro –, ficando a estação com sinais visíveis de vandalismo.

E, se os desacatos não são tema novo, a falta de efetivo também não. A OSP/PSP explicou que este caso em especifico é só mais um exemplo da falta de condições a que estão sujeitos todos os dias os agentes da PSP.

No sábado, a Equipa de Intervenção Rápida que deveria estar em Sintra, estava a trabalhar num evento privado – o festival NOS ALIVE. Foi por isso que os quatro agentes tiveram de esperar 15 minutos até que os colegas da Equipa de Intervenção Rápida da Amadora chegassem à estação de Queluz.

Sobre este assunto, o OSP/PSP sublinha o objetivo para o qual foram criadas as equipas rápidas: “para acorrer em apoio policial aos polícias de patrulha”. No entanto, “estão constantemente a ser enviadas de forma gratuita para eventos de natureza privada, organizados apenas para incrementar o lucro dos seus exploradores”, continuou a organização sindical.

“Ao não existirem essas equipas nos devidos locais, onde seria de esperar que estivessem, e para o efeito que foram criadas, está a PSP a descurar a segurança dos seus elementos policiais e residentes locais em prol de eventos particulares”, denuncia o sindicato.

Episódios que transformam a opinião pública Os episódios que resultam em confusão têm vindo a crescer ao longo do tempo, sobretudo aqueles cujas imagens vão parar à redes sociais. Neste caso, Pedro Carmo considera que a opinião pública é influenciada por aquilo que transmitem os vídeos que tantas vezes são partilhados no Facebook, por exemplo. Recordando o episódio do Bairro da Jamaica, “o vídeo só mostrar a parte final da intervenção policial, não se viu o que aconteceu antes”.

No fundo, o responsável sindical entende que os casos em que os polícias não têm sequer condições para atuar – mas são obrigados a tal, seja por falta de material, ou mesmo de efetivo – transmitem uma ideia errada sobre os agentes da PSP, que muitas vezes é confundida com incompetência.

 

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