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Depois do “inferno”, teme-se pelas colheitas deste ano e do próximo

Depois do “inferno”, teme-se pelas colheitas deste ano e do próximo

Marta F. Reis 15/07/2019 08:51

Habitantes de Tó e de Peredo da Bemposta, em Mogadouro, não têm memória de granizada tão forte.

“A produção deste ano perdeu-se quase toda, agora precisamos de apoio para garantir que temos alguma coisa no próximo”. Pedro Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Peredo da Bemposta, uma das localidades mais afetadas pelo temporal de sábado no concelho de Mogadouro, recebeu ontem a visita da Direção Regional de Agricultura. Os prejuízos causados pelo granizo, do tamanho de bolas de pingue-pongue e que caiu durante cerca de 40 minutos, vão ser avaliados no início da semana. Ontem de manhã, ainda havia montes de gelo. “Tenho estado a falar com pessoas de 70 anos e todas dizem que nunca tinham visto nada assim”, disse ao i.

O autarca estima que se tenha perdido 40% a 50% da produção de azeitona de conserva, havendo também perdas significativas na vinha, amêndoa e hortícolas. “90% da população não tem seguro agrícola”, disse ao i, justificando o panorama na região com os encargos avultados para pequenos produtores e a baixa comparticipação do Estado. “Somos o Douro pobre: tal como é dado apoio na Régua, vamos precisar de ajuda com produto (sulfato) para garantir que a doença não fica nas plantas e as colheitas do próximo ano”, afirma.

António José Marcos, presidente da Junta de Freguesia de Tó, surpreendida também pelas 15h de sábado com gelo do “tamanho de ovos de galinha”, estima perdas nunca inferiores a 50% da produção. “Parecia o inferno”, disse ao i o autarca. O tempo começou a escurecer durante a manhã de sábado, mas com as temperaturas na casa dos 20 oC – e embora tivesse sido declarado aviso laranja –, ninguém estava à espera de um temporal assim, explica. “Ninguém se magoou porque, àquela hora, as pessoas não andam no campo”, explicou Marcos. Se os impactos foram de imediato notados, ontem tornaram-se ainda mais visíveis. “Os cachos das uvas que estavam em fase de crescimento ficaram partidos e já estão a ficar todos acastanhados, vão apodrecer”. Nas hortas, feijoeiros e tomateiros não resistiram. A aguardar por diligências oficiais, espera que o Ministério da Agricultura apoie a região, havendo para já a garantia de uma avaliação dos danos já esta segunda-feira.

Fora do comum, mas não inédito Patrícia Gomes, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, explicou ao i que a instabilidade atmosférica do fim de semana se deveu a um campo depressionário com expressão em altitude, baixas pressões que causaram as temperaturas elevadas da última semana, que por sua vez contribuíram para maior evaporação e formação de nuvens, trazendo aguaceiros, trovoada e granizo.

Perante os relatos no distrito de Bragança, a especialista explica que granizo de 4 cm, não sendo um fenómeno comum no país, “não é inédito”. E mesmo aqui ao lado, em Espanha, chega a haver gelo até 10 cm. Para os próximos dias, a tendência é para uma estabilização do estado do tempo, já com alguma influência das pressões altas do anticiclone dos Açores, habitualmente associadas ao bom tempo, mas também de uma depressão de origem térmica no interior do continente. Se, no início da semana, ainda são esperadas algumas nuvens, também junto ao litoral, a partir de quinta-feira prevê-se uma subida das máximas e temperaturas normais para a época, na casa dos 30ºC, explicou a meteorologista. 

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