18/11/19
 
 
José Paulo do Carmo 12/07/2019
José Paulo do Carmo

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Para onde vão as trotinetas

Lisboa está transformada num autêntico circo, num laboratório experimental onde tudo o que aparece de novidade deve ser por aqui testado, só para darmos esses ares de modernices muito apanágio das nossas gentes

Na rua onde moro, em Campo de Ourique, existem pelo menos dois invisuais. Esta semana deparei-me com um deles, já de noite, a tropeçar numa das trotinetas que deixam habitualmente nos passeios. Felizmente que não caiu e conseguiu contornar o objeto com a ajuda de um simpático vizinho que passava ao lado. Como se já não bastasse a falta de estacionamento, que faz com que os carros, nesta zona da cidade, aproveitem as passadeiras para descansar enquanto os seus proprietários vão dormir, com a conivência da polícia, que fecha os olhos durante a noite, agora temos também esta mistura entre um triciclo e uma mota para abandalhar e complicar ainda mais aquilo que é já de si um caos.

Dizem que é moderno. Que temos de nos habituar. Mas a verdade é que Lisboa está transformada num autêntico circo, num laboratório experimental onde tudo o que aparece de novidade deve ser por aqui testado, só para darmos esses ares de modernices muito apanágio das nossas gentes. A verdade é que, depois da invasão dos tuk-tuks, que na Tailândia e em Moçambique são sinónimo de falta de dinheiro para ter um carro mas aqui são sinónimo de diferenciação, vemos agora estes novos veículos a motor fazer as delícias dos turistas mais jovens e dos que por cá habitam e o usam para pequenas distâncias.

O problema é que licenciaram o uso das trotinetas primeiro e esqueceram-se das regras, deixando-as para depois. E é veros seus condutores no meio da estrada, a ultrapassar pela direita e pela esquerda, nos passeios ou nas ciclovias, tudo vale. Sem capacete, sem proteções e sem o mínimo de noção do perigo que acarretam para eles próprios. Através de um dispositivo de localização é permitido deixar as trotinetas em qualquer lado, no meio do passeio ou à frente de portas e portões, o que leva ao desespero de muitos. Todos os dias é posta em causa a segurança dos peões, sobretudo dos idosos e daqueles que têm mobilidade reduzida. Uma anarquia total sem o mínimo de respeito pelo Código da Estrada, uns em contramão, outros a fazer rotundas ao contrário e a jogar à apanhada entre amigos, uns atrás dos outros pela estrada e fora dela.

Este problema já tem meses e ninguém faz nada. Não quero com isto acabar com as ditas ou com qualquer outro meio de transporte. Aquilo que é importante é assegurar a segurança das pessoas e a organização da própria cidade. Não pode ser só taxar e ver os cifrões que estas empresas pagam e nada fazer quanto ao triste espetáculo a que assistimos todos os dias nas ruas. Já há, aliás, modelos ilegais a circular em Lisboa que podem atingir velocidades próximas dos 90 km/hora, o que se torna um verdadeiro perigo para todos. É verdade que são mais ecológicas e que acabam por ser uma alternativa engraçada para deslocações curtas e para uma visita a certas zonas, mas é preciso definir estacionamentos, perceber que é fundamental o uso do capacete e regulamentar o seu uso mediante o Código da Estrada. Senão, qualquer dia corremos o risco de qualquer um poder utilizar o que quer e será fácil de imaginar o que vai ser das ruas, sabendo da criatividade existente por aí…

As novas formas de mobilidade são um escape ao trânsito cada vez mais intenso que se faz sentir e percebe-se a adesão cada vez maior, mas o tema dos seguros, da segurança e da urbanidade tem de ser discutido para que os centros das cidades não virem feiras populares.

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