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República Dominicana. Nem as mortes misteriosas assustam portugueses

República Dominicana. Nem as mortes misteriosas assustam portugueses

Dreamstime Sónia Peres Pinto 11/07/2019 18:51

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Marrocos, Tunísia e Espanha são outros dos destinos mais procurados por quem está a pensar em passar férias fora do país.

As mortes misteriosas na República Dominica não assustam os portugueses que continuam a eleger este destino para irem de férias. A garantia é dada ao i pela Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). “Os clientes portugueses estão convencidos de que as mortes estão a ser direcionadas para os turistas americanos e, como tal, não sentem que existe perigo”, salienta.

Em causa está a morte de oito turistas americanos na Republica Dominicana desde o início do ano. O número foi confirmado pelas autoridades norte-americanas em junho e a estes é preciso somar mais duas que ocorreram em 2018, o que levou o FBI a intervir para tentar compreender o que pode estar por trás destes falecimentos.

De acordo com o New York Post, as mortes poderão estar relacionadas com bebidas alcoólicas contrafeitas que são vendidas nos hotéis e o FBI terá mesmo recolhido amostras de sangue das pessoas que morreram para serem analisadas nos EUA.

No entanto, as autoridades dominicanas garantem que as mortes são casos isolados – uma posição que também foi assumida pelos hotéis onde as vítimas morreram.

Além da nacionalidade, as vítimas apresentam outros traços comuns. São adultos saudáveis que consumiram alguma bebida do minibar antes de ficarem doentes. Mas, segundo a mesma publicação, os sintomas apontam para um possível envenenamento com metanol ou pesticidas. E apesar de a embaixada dos Estados Unidos em Santo Domingo afirmar que não há provas de que as mortes estejam relacionadas, há centenas de relatos de turistas com sintomas de vómitos, diarreia ou febre depois de consumirem comida ou bebidas do minibar.

Embora os turistas portugueses tenham escapado ilesos deste destino, as mortes misteriosas já levaram o Ministério dos Negócios Estrangeiros a deixar um alerta. O Governo português garante que não é “ainda completamente claro o motivo dos óbitos” de vários cidadãos norte-americanos nos últimos meses, naquele país, mas lembra que “é admitida a hipótese de estarem relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas contrafeitas”. E, por isso, recomenda aos portugueses que “mantenham as precauções nomeadamente no que diz respeito ao consumo de bebidas” e aproveita para recordar que a água da rede pública no país “não é viável para consumo humano”.

De acordo com os dados do Banco Central da República Dominicana, chegaram ao país quase 43 mil portugueses entre janeiro e dezembro do ano passado, sendo agosto o mês mais procurado, com mais de sete mil turistas portugueses só nessa altura.

Outros destinos Mas a verdade é que, apesar de os portugueses continuarem a apostar neste destino independentemente deste número anormal de mortes, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo garante ao i que a escolha não fica por aqui. Tal como aconteceu em anos anteriores, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Marrocos, Tunísia e Espanha continuam a ser os destinos eleitos. “No caso de São Tomé, a procura por este destino é mais recente, mas tem vindo a crescer de forma sustentada. Já em relação a Espanha, a procura é antiga e abrange também as ilhas Baleares”, refere.

Orçamento curto O certo é que, para sair do país, é necessário que o orçamento familiar o permita. E, nesse campo, os dados não são animadores. De acordo com o “Barómetro de Férias” da Europ Assistance, 47% dos portugueses pensam ficar por cá no verão. Já em relação ao orçamento que têm disponível, ele ronda os 1333 euros, enquanto a média europeia atinge os 2019 euros.

O estudo procurou também perceber quais são os fatores mais relevantes na escolha do destino e concluiu que o orçamento é a razão número um em todos os países. Em Portugal, 69% dos inquiridos indicaram-no como fator decisivo na escolha do destino, enquanto a média europeia ficou nos 53%. Em segundo lugar, os portugueses identificaram os riscos para a saúde (57%) e, em terceiro, os riscos de ataque terrorista (56%).

Além disso, os portugueses são também os que pretendem tirar menos dias nas férias de verão. Quando questionados sobre qual a duração das férias nessa época do ano, Portugal fica-se por 1,7 semanas, enquanto os franceses vão até às duas semanas e os suíços, espanhóis e belgas até às 1,9 semanas.

E se correr mal? Para a Deco Proteste, esta altura do ano é propícia ao aparecimento de problemas, estando a grande maioria relacionada com viagens organizadas, reservas de hotéis, voos e burlas com casas de férias.

Interdição de crianças, cobrança indevida por cancelamento de reservas, quartos muito diferentes do que se viu nas brochuras ou na internet, problemas nas instalações e preços cobrados excessivos são os principais contratempos que se verificam com as reservas em hotéis, de acordo com a publicação. Além de aconselhar a apresentar queixa no livro de reclamações, sugere que o consumidor recorra à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que é a autoridade administrativa nacional especializada no âmbito da segurança alimentar e da fiscalização económica.

Já em caso de problemas com o voo, a Deco Proteste aconselha a reclamar junto da agência ou transportadora. “Se não for bem-sucedido, preencha o formulário de queixas no Instituto Nacional de Aviação Civil. Pode ainda recorrer a centros de arbitragem de conflitos de consumo, julgados de paz e tribunais”, acrescenta.

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