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Mário Bacelar Begonha 10/07/2019
Mário Bacelar Begonha

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O perfil de um comunista convicto!

Em princípio, um bom comunista será um bom cidadão, um bom chefe de família, um bom estudante, um bom trabalhador, e um bom soldado, na guerra, porque tem a convicção que está no caminho certo.

Uma das grandes vantagens de uma boa educação, em sentido geral, e uma boa formação de carácter, ou seja, de integridade de carácter, é que levam directamente à honestidade intelectual.

Assim como o equilíbrio entre as três estruturas do ser humano, perceptivo-cinética, orgânica e morfológica, têm que estar em interacção para haver saúde, também é essencial o equilíbrio orgânico-funcional, que Cannon apelidou de HOMEOSTASE, para se poder ter uma existência digna de um ser humano, ou seja, saúde mental e física.

Só se pode estar em paz com nós próprios e com os outros, quando tudo o que fazemos, é feito com convicção e de acordo com a nossa consciência. Quer isto dizer, sem nunca nos violentarmos, a nós próprios, nem a terceiros, procurando a razão, a verdade e a solidariedade humana, concretizada na ajuda a terceiros.

Depois disto vem a idade da política e da religião, que leva à tomada de opções, que, de acordo com a formação recebida, no seio da família e da escola, nos faz aproximar daqueles com os quais sentimos mais afinidades, e com os quais, pensamos, podemos ajudar terceiros a ter uma vida mais digna, através do desenvolvimento humano.

A luta, por esses ideais, é nobre e deve ser levada a sério e valorizada pela sociedade, só que quando levada a um extremo pode tornar-se uma obsessão e perder toda a racionalidade, já que as Ideias Políticas ou Religiosas não devem ser impostas, mas sim, propostas.

Aqui entronca muita da história política e religiosa da Europa e do Mundo, com os excessos praticados quer em nome de Religiões, quer de Ideologias Políticas que alguns quiseram impor a outros, tendo para tal praticado até Genocídio, desde as Cruzadas, passando pela Inquisição, e no campo militar 1917, na Rússia, 1914/18 e i939/45, na Europa.

Quando alguém aceita servir uma ideia que pode ser concretizada e consumada no exercício de uma profissão ela tem, fatalmente, de obedecer e subordinar-se a princípios e regras morais e materiais, estabelecidas pela Sociedade, que têm de ser cumpridas para ser possível haver uma ordem social que leve à cooperação através das Instituições existentes e sua regulação.

Hoje, séc.XXI, em Portugal, ser comunista só pode ser um exercício de coragem, de convicção, de determinação, de abnegação, de ideal, e, sobre tudo, de solidariedade para com aqueles que menos podem em relação aos que tudo podem.

É evidente que tal implica, organização, disciplina, camaradagem, respeito e disponibilidade, total, para servir terceiros sem nunca colocar em causa os objectivos  e finalidades pré-estabelecidos, pelo Partido.

Em princípio, um bom comunista será um bom cidadão, um bom chefe de família, um bom estudante, um bom trabalhador, e um bom soldado, na guerra, porque tem a convicção que está no caminho certo.

Este ideário, quando cumprido levanta uma questão muito pertinente: pode um bom comunista ser democrata?, esta uma questão muito complicada de responder, já que há “vários” conceitos de Democracia, ou seja, várias interpretações, e por isso dizemos que não é fácil responder.

A Igreja, a Instituição Militar e o Partido  Comunista, têm todos uma estrutura e uma hierarquia vertical enquanto que, na verdadeira Democracia, a estrutura é horizontal, são todos iguais. Quer isto dizer que a Igreja, as Forças Armadas  e o  “P.C.”, não são, nem podem ser forças democráticas na terminologia Política Ocidental.

Têm de facto uma hierarquia vertical, têm um grupo restricto de pessoas que mandam a quem os outros têm que obedecer. A Igreja não é de todos, só os Bispos e Cardeais é que mandam. Nós cidadãos comuns, mesmo católicos, não temos qualquer influência na nomeação de qualquer Bispo ou Cardeal. Na tropa mandam os Generais e os outros obedecem, por que têm esperança, de um dia, chegarem lá. No “P.C.” manda o “Comité”, os outro obedecem!.

Na verdadeira Democracia, até agora não é assim, mas é preciso não esquecer que  uma multiplicidade de autoridades independentes é uma desordem, (Anarquia), como nos ensinou Dante.

Por outro lado G. Bernard Shaw, dizia que todo aquele que aos 20 anos não era comunista era porque não tinha coração, mas quando aos 40 anos permanecia comunista era porque não tinha “razão” (entendimento).

Para terminar, aceitamos que haja uma evolução do conceito de Democracia desde que sejam respeitados os Direitos Humanos, a Dignidade Humana, a Liberdade de Pensamento e a Livre Escolha do Caminho a Trilhar por cada cidadão sem ser coagido de forma alguma.

Direito à Liberdade de Participação e à Liberdade de Autonomia, conceitos verdadeiramente Democráticos, são para nós indispensáveis e têm que ser aceites em ordem a respeitar e ser respeitado.

Se o “P.C.” for capaz de fazer este “Jogo”, então podemos conversar, de igual para igual, com o objectivo único de servir melhor o nosso Povo e o nosso País.

Como diria o nosso querido amigo Fernando Pessa: e esta hem?

 

Sociólogo, Escreve quinzenalmente

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