15/12/19
 
 
Carlos Carreiras 10/07/2019
Carlos Carreiras

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Fazer diferente

Os partidos, sempre viciados no exercício da pequena diferença, convencidos de que é essa a única forma de se distinguirem aos olhos do eleitorado, passam mais tempo a cavar trincheiras do que a construir pontes.

Promover o avanço de Portugal, combater as desigualdades, criar mais oportunidades para todos, não é tarefa para um só governo ou para um só partido. É um desígnio de todos. À esquerda ou à direita, nas empresas ou no setor público, meter mãos à obra e levar este país para a frente é missão de todos.

Vemos, porém, que por todo o lado há mais quem queira ser general de fação do que soldado na união. Assim não vamos longe.

Os partidos, sempre viciados no exercício da pequena diferença, convencidos de que é essa a única forma de se distinguirem aos olhos do eleitorado, passam mais tempo a cavar trincheiras do que a construir pontes. Uns de um lado, outros de outro. O céu cruzado de artilharia retórica barata, de acusações e de insinuações que só desclassificam os protagonistas políticos, questão agravada pelos populistas na busca de protagonismo bacoco. E no meio, a assistir a uma guerra que não compreendem e que não lhes traz soluções para os seus problemas, os cidadãos.

A ideologia é importante para a vida política. Mas a vida política é cada vez menos ideológica e mais atomizada. E no final, a realidade é que conta.

Cascais é governada por uma coligação PSD-CDS e o Governo Central é dirigido pelo PS.

Os cidadãos de Cascais não perdoariam uns e outros, nem Governo central nem governo local, se a ideologia que nos separa fosse motivo para não fazermos o que tem de ser feito para dar qualidade de vida e criar condições de prosperidade neste território.

Como político executivo, mandatado pelos meus concidadãos para que a Cascais de amanhã seja melhor do que a de hoje, não deixo de registar com agrado os muitos passos de convergência que têm sido dados para que esta relação insubstituível – poder local, Governo central – crie mais futuro para o maior número.

Com o Executivo de António Costa, temos a correr uma séria de parcerias muito importantes em áreas cruciais do Estado Social. Olhemos para elas.

Na Educação, assinaremos ainda este mês um acordo com a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, para que finalmente seja dada à autarquia o poder para realizar intervenções urgentes em escolas que há décadas desesperam por investimento. E assim somos mais capazes de defender a Escola Pública.

No Ensino Superior, com o ministro Manuel Heitor, celebrámos um acordo em junho que instala em Cascais o CoLab. Um hub de investigação focado nos Oceanos e no Espaço, de ciência aplicada, que formará uma nova geração de quadros para os desafios da economia da sustentabilidade e do conhecimento. E assim somos mais capazes de fixar e captar capital humano.

Na Administração Interna, conseguimos finalmente encerrar um dossiê com mais de 25 anos, alguns governos e uma dúzia de ministros. A esquadra da divisão da PSP de Cascais, um famoso edifício amarelo no centro de Cascais até há bem pouco tempo devoluto, vai ser inaugurado no próximo dia 16. E assim somos capazes de promover a segurança pública no nosso território e as condições de trabalho dos nossos agentes.

Com a Defesa conseguimos travar a degradação do Forte de Santo António e trazê-lo para a esfera da autarquia. Hoje o Forte é vivido plenamente pelos cidadãos e começa a contar séculos de história. E assim somos mais fortes na defesa da história e da identidade nacional.   

Nas Infraestruturas, com o ministro Pedro Nuno Santos, temos trabalhado para encontrar uma solução satisfatória para os problemas históricos da Linha de Cascais. Ainda é cedo para celebrar mas regista-se uma saudável mudança de atitude entre o anterior e o atual titular da pasta, bem como uma enorme consonância de objetivos. E sim, assim seremos capazes de conseguir aquilo por que tanto temos lutado: uma linha de comboios digna, que sirva os cidadãos com qualidade, conforto e rapidez.     

Para terminar, e já no gabinete do primeiro-ministro, temos trabalhado em colaboração estreita com a AGIF – Agência Gestão Integrada de Fogos Rurais, uma unidade orgânica altamente especializada na prevenção de incêndios. A AGIF está a colaborar com Cascais na recuperação da paisagem do Parque Natural Sintra Cascais, depois do incêndio em outubro passado, e a nossa ambição é que essa tarefa de recuperação dê mais diversidade e resiliência ao Parque.

Estes são resultados que os cidadãos podem escrutinar e avaliar.

Estas são políticas suprapartidárias que resolvem os problemas colocados pela realidade.

E estes são resultados que só são possíveis quando há uma autarquia com capacidade reivindicativa e um Governo sensível às questões da descentralização.

Dizer isto não significa que não haja processos a melhorar. António Costa sabe, porque é um defensor da descentralização, que esta reforma está muito aquém dos objetivos inicialmente propostos – até porque tem experiência autárquica como presidente de câmara. Fizeram-se poucos avanços e modestos, mas pelo menos foram avanços.

Cascais estará, como sempre esteve, com este Governo como com o anterior, pronta para dar o seu contributo para aprofundar a descentralização.

Cascais é só uma câmara municipal. Mas nunca deixará de assumir as suas responsabilidades perante os seus cidadãos. E, tanto quanto lhe for possível, nunca deixará de mostrar ao país que há outros caminhos possíveis. Que há sempre alternativa.

 

Escreve à quarta-feira

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