24/1/20
 
 
José Paulo do Carmo 05/07/2019
José Paulo do Carmo

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Casa da Cultura Cabo Verde

Motivos de atração não irão faltar, logo a começar pelo impactante mural que ocupa toda a fachada do edifício. Do lado esquerdo de quem desce do Rato para a Assembleia da República, ninguém ficará certamente indiferente à “batucadeira” que dará cor e vida ao prédio e será um chamariz para todo o projeto. 

Este sábado é inaugurada a Casa da Cultura Cabo Verde em Lisboa. Mais precisamente na Rua de São Bento, num espaço histórico da cidade. Este projeto, que não deixa cair o “de” por acaso, assume sobretudo uma vertente multiculturalista que não se esgota neste país de língua portuguesa, mas que se assume uma porta de África para a Europa. É o primeiro do género, numa iniciativa arrojada mas plena de intencionalidade que agregará uma galeria, espaço multiúsos, palco para espetáculos, loja de artigos tradicionais e uma cafetaria, mas que se assume como um motor de conteúdos permanente.

Motivos de atração não irão faltar, logo a começar pelo impactante mural que ocupa toda a fachada do edifício. Do lado esquerdo de quem desce do Rato para a Assembleia da República, ninguém ficará certamente indiferente à “batucadeira” que dará cor e vida ao prédio e será um chamariz para todo o projeto. Mas há mais. Um passeio da fama crava no chão os grandes nomes da cultura cabo-verdiana como afirmação da sua diáspora, mas também como homenagem a grandes vultos que, pelos laços que nos unem, estarão sempre também intimamente ligados ao nosso país. A afirmação desta casa passará muito pelo seu dinamismo numa aposta clara em programar na inclusão e na diversidade, dando palco às diferentes culturas que marcam o continente africano.

Ficará instalado na antiga sede da UCCLA (União das Cidades Capitais Luso-Africanas ), numa zona que sempre foi local de eleição para diversas dessas figuras, tendo por isso um simbolismo histórico assinalável. Este é um bom exemplo de como espaços devolutos e inutilizados podem ser encarados com nova alma e uma utilização que lhes dê vida, numa parceria que se saúda entre o Governo de Cabo Verde e a Câmara Municipal de Lisboa. O meu amigo e ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, dá assim um passo de gigante para a internacionalização dessas mesmas indústrias, sendo mais uma marca daquilo que deve ser a modernização de uma área de negócio que deve ser rentabilizada e olhada com outros olhos, sejam públicos ou privados. A visita que fiz ao edifício ainda em obras deixa antever uma imagem contemporânea que surpreende pelo detalhe e pelo cuidado com que tudo está a ser concebido.

Uma boa oportunidade para aprendermos como de pouco se pode fazer muito e que a criatividade deve estar sempre subjacente nos nossos objetivos. Promover o talento made in Cabo Verde e posicioná-lo como uma montra de excelência, como um dos principais países “exportadores” da cultura atlântica. Não deixo de ver este exemplo com orgulho no trabalho que tem sido feito e também na importância que um primeiro-ministro (Ulisses Correia) dá a toda a vertente cultural, aliando a arte e as tradições ao turismo e consequente rentabilização. Pude constatá-lo in loco na recente Cimeira Atlântica, na Madeira, uma visão moderna do que deve ser a aposta numa área muitas vezes esquecida e relegada para segundo plano. Eu acredito que a cultura andará sempre de braço dado com o futuro. Não a cultura da subsidiodependência, mas sim a cultura da independência. Estão de parabéns.

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