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Taça de África. Palancas Negras tristes despedem-se da selva onde combatem as feras

Taça de África. Palancas Negras tristes despedem-se da selva onde combatem as feras

AFP Afonso de Melo 04/07/2019 22:37

Terminou a primeira fase da Taça Africana das Nações e as duas equipas de língua portuguesa ficaram pelo caminho: a Guiné-Bissau, naturalmente; Angola desperdiçando a possibilidade derradeira perdendo com o Mali (0-1). Grande e colorida surpresa vem de Madagáscar, que domingo enfrenta o Congo.

Uma Taça de África é, por si só, uma festa de cor e som. Acreditem no que digo, que já estive em três fases finais desta competição incomparável e assisti ao vivo à forma como, por entre cânticos, vuvuzelas e manifestações inimitáveis de sessões de vudu, os espetadores transformam os estádios em verdadeiras arenas nas quais combatem as feras.

Comandada por um francês de nome Dupuis, a seleção de Madagáscar, estreante absoluta, é a sensação da prova até ao momento, com o seu jogo dos oitavos-de-final frente à República Democrática do Congo marcado para domingo. Os Bareas (espécie de zebu) aumentaram essa sensação ao vencerem as Super Águias da Nigéria (2-0), uma das equipas favoritas à conquista do troféu. A equipa dos nomes impronunciáveis – Arohasina Andrianarimanana, Carolus Andriamatsinoro, Lalaina Nomenjanahary, Pascal Razakanantenaina e por aí fora – ganhou o seu grupo com duas vitórias e um empate e está assim entre as 16 que, a partir de sexta-feira, iniciam a fase eliminatória, que se concluirá na final do dia 19 de julho, no Cairo.

No geral, todos os principais candidatos continuam em prova: o Egito, maior açambarcador de taças continentais e país organizador; os Camarões, campeões em título; o Gana, a Costa do Marfim, a Nigéria ou Marrocos, sem que haja aqui qualquer ordem de favoritismo. E, se a houver, caberá por inteiro ao Egito e aos Camarões, como é absolutamente compreensível.

As duas seleções representativas da lusofonia regressam a casa sem honra nem glória, bem pelo contrário. Já se sabia que à Guiné-Bissau cabia um papel de parente pobre da competição, entalada entre o Gana, os Camarões e o Benim no grupo F, arrancando um mero empate frente ao Benim na segunda jornada (0-0), despedindo-se agora com uma derrota perante o Gana (0-2), sem conseguir marcar sequer um golo nos três jogos realizados.

Já os Palancas Negras de Angola chegaram à jornada derradeira com hipóteses de qualificação. Face ao Mali, um empate serviria para atingir os oitavos-de-final, mas a verdade é que as Águias malianas, mesmo poupando jogadores como o portista Marega e o sportinguista Diaby, chegaram para as encomendas graças a um golo formidando de Amadou Haidara, com o pé esquerdo, a uma grande distância da baliza. A potência extraordinária do remate foi estonteante para o guarda-redes Toni, e a inoperância ofensiva de Gelson Dala, Mateus, Djalma e Geraldo condenou o conjunto liderado pelo sérvio Vasiljevic a um afastamento precoce para quem levava para o Egito ambições ligeiramente maiores.

Claro que, com um sistema que contempla a qualificação de alguns dos melhores terceiros do conjunto dos grupos da primeira fase, a Taça de África de 2019 guarda o melhor para dos quartos-de-final em diante. Ainda assim, embates entre as Super Águias (Nigéria), os Leões Indomáveis (Camarões), os Elefantes (Costa do Marfim) e as Águias (Mali) valeriam o bilhete para qualquer circo.

 

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