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Alcochete. “Funcionário Jorge Jesus” e versões diferentes marcam segunda sessão da instrução

Alcochete. “Funcionário Jorge Jesus” e versões diferentes marcam segunda sessão da instrução

Mafalda Gomes Rita Pereira Carvalho 03/07/2019 21:14

Bruno de Carvalho referiu-se a Jorge Jesus como “funcionário” e as declarações sobre o momento em que se soube do ataque à academia não batem certo.

Hoje, no segundo dia de instrução do caso das agressões em Alcochete, foi a vez de Bruno de Carvalho, antigo presidente do clube verde-e-branco, e de Eduardo Nicodemus, elemento da claque Juventude Leonina, serem ouvidos pelo juiz Carlos Delca. 

Com uma hora de atraso, a audiência ficou marcada pela desordem na audição de Bruno de Carvalho. O antigo presidente - que no final fez questão de cumprimentar todos os jornalistas presentes -, quando questionado sobre a sua profissão, disse ao tribunal que atualmente é “desempregado”. 

Sobre o processo, Bruno de Carvalho disse a Carlos Delca que falou com o jogador do Sporting Marcos Acuña um dia antes da invasão à academia de treinos a propósito do conflito entre o jogador e os adeptos do clube no aeroporto do Funchal. Bruno de Carvalho confirmou que tinha recebido chamadas de alguns membros das claques de Alvalade que não gostaram da postura do argentino. 

A história dos telefonemas não ficou encerrada, já que Bruno de Carvalho terá ligado a Fernando Mendes, antigo líder da Juve Leo e um dos arguidos do processo. No entanto, e segundo as palavras do ex-presidente, a chamada em nada tinha ligação com “Alcochete, nem com jogadores”, mas sim “com problemas na Juventude Leonina”. Aliás, tal como tinha dito quando foi interrogado, Bruno de Carvalho continuou a afirmar que nunca falou com as claques sobre os jogadores. “Nunca disse ‘façam o que quiserem aos jogadores’”, garantiu.

Ainda a propósito da relação que tinha com os jogadores, Bruno de Carvalho afirmou que estes recusaram um prémio de meio milhão de euros. Nos últimos jogos do campeonato, “antes do jogo com o Benfica e antes do jogo com o Marítimo, foi oferecido meio milhão de euros aos jogadores, mas eles recusaram este prémio”. “Coincidência ou não, não conseguiram os objetivos”, disse Bruno de Carvalho.

“O funcionário Jorge Jesus”

Os momentos de tensão vividos durante a tarde começaram quando Bruno de Carvalho falou de Jorge Jesus e a procuradora Cândida Vilar se exaltou. O antigo presidente do Sporting começou por contar o que aconteceu na tarde da invasão à academia do clube e sublinhou que a decisão de mudar a hora do treino foi de Jorge Jesus: “Estava numa reunião com o departamento jurídico e a administração da SAD por causa de uma notícia sobre o envolvimento do Sporting no processo Cashball quando o José Ribeiro [ex-assessor do Sporting] irrompeu pela sala a dizer que estavam a invadir a academia. Disse-lhe para ligar ao funcionário Jorge Jesus para saber se ainda lá estavam”. Momentos mais tarde, José Ribeiro referiu-se a Jorge Jesus, tal como Bruno de Carvalho tinha feito, como “funcionário”. Os ânimos aqueceram e Cândida Vilar não hesitou: “Não é funcionário, é treinador. O Cristiano Ronaldo também é funcionário da Juventus e é o melhor jogador do mundo”.

Contradições

Bruno de Carvalho, José Ribeiro e Carlos Vieira, ex-vice-presidente do Sporting, entraram em contradição. Enquanto na versão de Bruno de Carvalho foi José Ribeiro a falar com Jorge Jesus no momento do ataque à academia, José Ribeiro afirmou que esse contacto foi feito por André Geraldes. Já Carlos Vieira disse em tribunal que a reunião a propósito do processo Cashball tinha sido de manhã, e não durante a tarde como Bruno de Carvalho tinha afirmado. E mais: Carlos Vieira disse ainda que à hora do ataque Bruno de Carvalho estava a dar uma entrevista à Sporting TV. 

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