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Brasil-Argentina. Primeira estimaram-se, depois aborreceram-se, finalmente odiaram-se...

Brasil-Argentina. Primeira estimaram-se, depois aborreceram-se, finalmente odiaram-se...

Afonso de Melo 03/07/2019 13:29

As duas primeiras vezes que brasileiros e argentinos se encontraram em jogos de seleções (1908 e 1912) não valeram. Nos registos, a estreia ficou para o ano de 1914. Daí para cá, 105 jogos, 41 vitórias canarinhas, 38 dos alvicelestes, 26 empates. Uma vida de equilíbrios entre dois dos maiores rivais de sempre da história do futebol.

Começaram por uma grande amizade. Pelo menos é isso que nos conta Newton César de Oliveira Santos no seu livro Brasil x Argentina: Histórias do Maior Clássico do Futebol Mundial: “Em termos políticos e culturais, do final do século xix até o início do século xx, o relacionamento entre os países era bem cordial. A Argentina conquistara a independência antes do Brasil, tinha uma economia melhor. Argentinos e uruguaios já se enfrentavam em seleções desde 1902 e só não enfrentavam o Brasil porque a seleção brasileira, pra valer, só foi formada mesmo em 1914”.

Este “pra valer” tem o seu peso. Porque o primeiro jogo entre Brasil e Argentina teve, na realidade, lugar no Rio de Janeiro, no dia 9 de julho de 1908 (3-2 para os argentinos), e o segundo em São Paulo, no dia 8 de setembro de 1912 (6-3 para os argentinos). O facto de a Confederação Brasileira de Desportos ter sido fundada a 8 de Junho de 1914 e de essas equipas representantes do Brasil terem sido basicamente seleções do Rio e de São Paulo riscou dos registos essas duas incómodas derrotas brasileiras. A segunda, diz Newton, foi de tal ordem dolorosa que o presidente da Federação Argentina, Julio Roca, terá pedido aos seus jogadores, ao intervalo, para não exagerarem no massacre.

Pois seria para disputar a Copa Roca – taça disputada entre os dois rivais – que a seleção do Brasil, já assim oficializada, embarcou no navio Alcântara para jogar em Buenos Aires no dia 27 de setembro de 1914. Tempestade, confusão, atrasos – mesmo assim, ainda se fez um apronto amigável uma semana antes, já em Buenos Aires, novamente com vantagem argentina (3-0). Mas, em seguida, e já “pra valer”, os brasileiros levaram a taça, batendo os ainda amigos no campo do Gymnasia y Esgrima por 1-0, com um golo de Ruben Salles aos 13 minutos. Jogadores como Píndaro, Barthô, Pernambuco ou Millon ficaram para a história. Já para não falar do extraordinário Arthur Friedenreich.

Julio Roca morreria poucos meses depois. Não assistiria ao embate seguinte entre Brasil e Argentina, no dia 10 de julho de 1916, em Buenos Aires, desta vez a contar para o Campeonato Sul-Americano, que hoje se chama Copa América – o primeiro Argentina-Brasil da Copa América, que terminou 1-1 (golos de Laguna e Alencar), aliás, primeira edição da prova, que acabou com o triunfo do Uruguai. A verdadeira rivalidade tinha começado. Às malvas com a amizade!

 

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