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PSD. Teste à direção de Rio com críticos nas listas para as legislativas

PSD. Teste à direção de Rio com críticos nas listas para as legislativas

Mafalda Gomes Cristina Rita 27/06/2019 10:44

Há quem garanta que o líder social-democrata irá fazer uma limpeza porque nada tem a perder. Mas a ordem é para fazer consensos.

A formação das listas de candidatos a deputados é sempre um processo tenso no PSD (tal como noutros partidos), mas os problemas internos ganham outra dimensão quando os sociais-democratas estão na oposição. É o caso. A indicação de vários nomes pelas concelhias do partido, conotados com a anterior direção, ou que foram críticos assumidos da atual liderança, está a gerar tensão. Isto porque obrigará Rui Rio a assumir, no fim da linha, se veta ou não quem lhe foi crítico. E tem um argumento para isso: o presidente do PSD colocou como regra a lealdade à direção, além de indicar todos os cabeças de lista. Para já, não fez nenhum convite formal, apurou o i.

A formação das listas por cada círculo eleitoral só termina no próximo dia 18, mas há margem para se abrir um processo de desgaste interno, se figuras – consideradas críticas da atual direção – como Hugo Soares, (indicado por Braga) ou Maria Luís Albuquerque (escolhida por Almada) forem vetados.

A ordem do lado dos apoiantes de Rui Rio é fazer o discurso de que é preciso consensualizar nomes, mas há quem antecipe uma verdadeira “limpeza”, porque o presidente do partido não tem a nada a perder. Certo é que quase todas as concelhias já encerraram os seus processos de escolha de nomes para apresentar às distritais (o prazo terminou dia 24). Seguem-se, agora, as reuniões das comissões políticas a nível distrital, para depois serem enviadas as listas à Comissão Política Nacional dos sociais-democratas.

Assim, no esboço final, somam figuras indicadas para as listas que já pertenceram à anterior direção de Passos Coelho, apoiaram Pedro Santana Lopes contra Rui Rio, nas últimas eleições diretas, ou são críticos assumidos da atual direção do PSD. E não serão assim tão poucos. Além dos deputados Hugo Soares (Braga), Maria Luís Albuquerque (Almada), também foram indicados nomes como Bruno Vitorino (Barreiro) , Miguel Santos (Valongo), Luís Vales (Marco de Canaveses), Matos Rosa (Vila Franca Xira), entre outros.

Entre hoje e amanhã realizam-se várias reuniões de distritais de peso: Lisboa, Braga e Porto. No primeiro caso, o nome de Miguel Pinto Luz, autarca em Cascais, está em cima da mesa para ser indicado como o primeiro da lista da estrutura de Lisboa. A outra hipótese é o próprio presidente da distrital, Pedro Pinto, que deverá hoje revelar que é recandidato a mais um mandato à frente dos destinos daquele órgão partidário. Ou seja, falta acertar quem será o primeiro nome a indicar pela distrital junto da direção nacional, sendo certo que o cabeça-de-lista irá em aberto para que seja Rio a escolher o nome, tal como manda a tradição e o guião definido pela Comissão Política Nacional há um mês.

Ora, Miguel Pinto Luz é vice da câmara de Cascais, tendo já admitido no passado a ambição de chegar à liderança. Quem também não é deputado, mas já teve algumas divergências com a atual direção, é o vice-presidente da distrital de Lisboa, Ângelo Pereira. Que foi a escolha do PSD/Oeiras.

incógnitas em Lisboa No distrito de Lisboa, fora das indicações das concelhias estão deputados como Marques Guedes, presidente da comissão de Ética (que normalmente tem sido escolhido pela direção nacional), mas também Joana Barata Lopes, que viu o seu nome chumbado na última (e polémica) reunião da concelhia de Lisboa. A grande incógnita vai para Teresa Leal Coelho, presidente da comissão de Orçamento e Finanças. Há quatro anos, Teresa Leal Coelho foi cabeça-de-lista por Santarém. Agora, a distrital quer deputados a tempo inteiro e a parlamentar é vereadora na Câmara de Lisboa. No distrito de Lisboa, o seu nome também não foi indicado por qualquer concelhia.

Braga em dificuldades A distrital de Braga, liderada pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, vota amanhã uma lista para enviar à direção. Das escolhas já definidas há um nome que ressalta e acarreta maior pressão para Rui Rio: Hugo Soares, o ex-líder parlamentar e braço-direito de Luís Montenegro, o challenger de Rui Rio no passado mês de janeiro. A ordem será para não vetar ninguém, mas o processo só ficará fechado após a reunião com a direção do partido, o que não acontecerá antes de 8 de julho. A direção de Rio tem, aliás, previstas reuniões com todas as distritais entre 8 a 18 de julho e só aí se verá o número de vetos do presidente do partido.

A norte, a distrital do PSD/Porto também reúne amanhã e Alberto Machado, o seu presidente, adiantou ao i que o seu nome “é o único que não está fechado”. Mas a tradição diz que o líder da distrital é normalmente indicado. O dirigente, próximo de Rui Rio, rejeita a ideia de esteja em curso uma limpeza interna, mas lembra que “faz todo o sentido que algumas pedras se mudem”. Mais, “o deputado não é um funcionário público do quadro. É uma missão de quatro anos. Pode continuar, ou não, fruto das circunstâncias políticas do momento”. Para o dirigente há ainda outro dado que deve ser levado em linha de conta nos partidos em geral, o da rotatividade, isto porque “há determinados concelhos que não têm representatividade”. O recado está dado.

Agora, depois das distritais aprovarem as listas, os nomes serão enviados por ordem alfabética para a sede a partir de 2 de julho, ainda que nem todas as estruturas cumpram essa regra. A seguir, nas reuniões com a direção, a ordenação pode ser alterada, mas só aí se perceberá se existem motivos para os críticos fazerem o discurso de vitimização e saneamento político.

 

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