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Casas. Preços sobem mas euforia começou a abrandar

Casas. Preços sobem mas euforia começou a abrandar

Diana Tinoco Sónia Peres Pinto 26/06/2019 21:00

Venda de imóveis começou a recuar e os preços a desacelerar. Essa já era a perspetiva dos responsáveis do setor, que têm vindo a defender que os valores começariam a ser ajustados e passariam a ser mais realistas durante este ano.

Os preços das casas subiram 9,2% nos três primeiros meses do ano. Ainda assim, tal representa uma descida de 0,1% face ao trimestre anterior. Os dados foram revelados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Mas o aumento dos preços foi mais expressivo nas habitações existentes (10%) em comparação com as habitações novas (6,0%).

De acordo com os mesmos dados, foram transacionadas 43 826 habitações, o que representa um aumento de 7,6% face a igual período do ano passado, mas uma redução de 5,6% em comparação com o trimestre anterior. “Este foi o terceiro trimestre consecutivo em que se observou uma desaceleração no número de vendas de habitações, sendo aquele que registou a mais baixa taxa de variação homóloga dos últimos quatro anos”, disse o INE.

Neste período, o valor das vendas fixou-se em 6,1 mil milhões de euros, mais 12,9% do que no 1.o trimestre de 2018. No entanto, quando comparado com o trimestre anterior, o índice de preços da habitação aumentou 3,6% (mais 1,6 pontos percentuais do que no último trimestre de 2018). Por categoria, os alojamentos existentes evidenciaram uma taxa de variação de 4% – 2,0 pontos percentuais acima da registada nos alojamentos novos.

Em termos regionais, a Área Metropolitana de Lisboa continua a ser a região onde se verificam mais transações, tendo no primeiro trimestre de 2019 sido responsável por uma quota de mais de 35% das casas vendidas. De acordo com o INE, foram transacionadas 15 506 habitações, mas o valor das vendas fixou-se nos 2,9 mil milhões de euros. Feitas as contas, isso significa uma quota de 47,5% do valor transacionado. Na região Norte – que agrega a Área Metropolitana do Porto e todo o norte do país –, o número fixou-se em 12 428 alojamentos, mas o valor transacionado caiu quase para metade, com 1,4 mil milhões de euros.

De acordo com o INE, e em termos homólogos, estas duas regiões apresentaram uma redução nas respetivas quotas relativas regionais, de -0,9 pontos percentuais (p.p.) no caso da região Norte e de -0,4 p.p. na Área Metropolitana de Lisboa.

Com um total de 3724 transações, o Algarve foi a outra região a registar uma descida no seu peso relativo regional (-1,1 p.p.). A contrariar esta tendência estiveram a região Centro (1,6 p.p.), o Alentejo (0,5 p.p.), a Região Autónoma dos Açores (0,2 p.p.) e a Região Autónoma da Madeira (0,1 p.p.)

Euforia abranda Depois de o Eurostat ter admitido que Portugal foi, em 2018, o país da União Europeia onde os preços da habitação mais subiram, este sinal de abrandamento já tinha sido admitido pelos responsáveis do setor. “Depois dos excessos que foram cometidos no último ano, o mercado prepara-se para equilibrar e há proprietários que já estão disponíveis para baixar os preços das suas casas”, revelou ao i o CEO da Century 21.

Ricardo Sousa reconheceu que, em algumas das grandes cidades, nomeadamente em Lisboa, temos vindo a assistir a “preços especulativos e quase irracionais”, justificando esse comportamento com “um excesso de otimismo por parte dos proprietários, que acreditavam que conseguiam vender os seus imóveis a determinados valores”. No entanto, para o responsável, o cenário entretanto mudou: “A esmagadora maioria dos proprietários está disponível para baixar até 10% o valor” porque o tempo de venda tem vindo a aumentar. Ainda assim, Ricardo Sousa reconhece que este abrandamento terá maior impacto a partir do segundo semestre do ano e no mercado de segunda mão.

Também a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) acredita num cenário de redução de preços já este ano. E o presidente da entidade dá uma explicação: “Tenho dito por diversas vezes e em diversos fóruns públicos que os preços das casas não vão, nem podem, subir até ao céu. É natural e possível que se comece a assistir a correções do valor dos imóveis, pois os preços só poderão aumentar até onde seja justificável e haja procura para dar resposta a essa oferta”, revelou ao i.

No entanto, Luís Lima chama a atenção para o facto de estes preços altos não serem praticados em todo o país. “Portugal é um país com diversas assimetrias regionais e essa realidade também tem força no mercado imobiliário. Podemos dizer que existirão zonas de Lisboa, Porto ou Algarve que vivem ‘bolhinhas imobiliárias’, não podemos dizer que em Portugal há uma bolha, porque não é verdade”. E, como tal, o responsável admite que essas correções de valores irão ser mais sentidas nos grandes centros urbanos, mas tudo depende das zonas. “É possível verificar-se esta desaceleração, por exemplo, nas freguesias de Lisboa onde o alojamento local foi suspenso, mas outras zonas haverá em que os ativos se terão valorizado. Mas é natural que, aos poucos, se possa assistir à correção de alguns valores que poderão estar acima do que seria desejável”, salienta.

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