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Calor. Próximos dias estarão a favor dos incêndios

Calor. Próximos dias estarão a favor dos incêndios

Dreamstime Rita Pereira Carvalho 26/06/2019 17:07

Pela Europa, os termómetros marcam mais de 35 graus e há países a oferecer água. Em Portugal, o calor só começa a partir de amanhã e a maior preocupação é a vegetação seca. A massa de ar quente que veio do deserto do Sara e invadiu a Europa já levou vários países a emitirem alertas à população. Por estes dias, praias e lagos serão a melhor opção

A onda de calor que se vive em vários países da Europa tem passado ao lado de Portugal nos últimos dias, mas as temperaturas altas prometem chegar. Além- fronteiras, os termómetros ultrapassam os 40 graus mas, por cá, esse calor não se sente. Tudo porque Portugal está a ser influenciado pela posição estacionária do anticiclone dos Açores, que traz uma corrente de ar fresco e húmido.

Ainda não se pode dizer que, durante os próximos dias, o país vai ser invadido por uma onda de calor, mas há uma certeza: as temperaturas sobem a partir de amanhã, com os termómetros a chegar aos 40 graus. E, quando os termómetros sobem, logo vem à memória outro tema que teima em não descansar os portugueses durante os meses de calor: os incêndios.

De acordo com as informações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) dadas ao i, “no final da semana e no princípio da próxima semana, as temperaturas vão subir e vai haver um pico de calor”. Este aumento das temperaturas, provocado pela massa de ar quente vinda do norte de África – deserto do Sara –, vai atingir sobretudo as regiões do interior do país, as que estão próximas da fronteira com Espanha.

Temperaturas altas são sinónimo de incêndios? O facto de os termómetros marcarem temperaturas mais altas não significa que seja certo o registo de incêndios de grandes dimensões. No entanto, o calor vai permitir que “os combustíveis se preparem para fogos que possam vir a seguir”, explica ao i Emanuel Oliveira, consultor na área de risco de incêndios florestais. Os últimos meses foram marcados pela seca, praticamente não choveu, o que fez com que as plantas tenham agora níveis de humidade muito menores do que tinham há uns anos.

Em caso de incêndio, a vegetação seca é um fator que joga a favor do fogo. “Antigamente, nós tínhamos chuva todos os dias, essa água penetrava mais no solo, as plantas tinham acesso a essa humidade e estavam mais vigorosas”, explica Emanuel Oliveira, acrescentando que “nos últimos anos, cada vez há menos chuva e a sua distribuição é concentrada em dois ou três dias, o que faz com que a água que cai se perca em escorrências superficiais e não penetre como seria necessário – daí os índices de seca registados, principalmente a sul do Mondego”.

Aliadas à seca estão as zonas que não arderam nos últimos anos. E essas zonas – fronteira interior, entre Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo –, são exatamente as que vão ser afetadas pela massa de ar quente nos próximos dias. “A vegetação vai ressentir-se”, diz o especialista. “Mesmo que não haja fogo, o que vai acontecer é uma preparação dos combustíveis, ou seja, os combustíveis vão perder humidade se não chover – que é o mais provável – e o problema vai ser adiado”, explica. “Não vai haver um grande incêndio em junho ou em julho, mas poderá haver em outubro ou novembro” – tudo dependerá da meteorologia e da forma como a vegetação se prepara para receber o calor.

À exceção da zona afetada no ano passado pelo incêndio de Monchique, o risco de incêndio e de perigo por causa da vegetação seca é também maior na zona do Algarve.

“O problema são as paisagens” Além do estado dos combustíveis, é importante, diz Emanuel Oliveira, olhar para a paisagem portuguesa. “O problema não está nos incêndios, está a montante”, diz, e acrescenta que “os incêndios são um problema como outro qualquer, o problema reside no estado em que está a paisagem”. Isto significa que, apesar de serem feitos esforços para uma melhor gestão das florestas e da vegetação, continua a não existir gente para fazer esse trabalho de gestão. Por isso, há uma mudança: “A nossa paisagem rural foi modelada pelo homem – as nossas florestas não são naturais – e o que temos agora é uma paisagem desordenada, uma paisagem completamente abandonada que vai estar a favor das chamas, em sítios com pessoas muito envelhecidas”.

Calor na Europa Desde o início da semana que a Europa mergulhou em temperaturas que ultrapassam os 40 graus – é o caso da vizinha Espanha. Aliás, por lá, a Agência Estatal de Meteorologia já lançou o alerta para avisar a população da “chegada de uma massa de ar tropical continental”, vinda do norte de África.

O IPMA refere que os países mais afetados pelas temperaturas altas são Espanha, França, Suíça, Alemanha e Áustria, sendo os territórios francês, alemão e suíço aqueles onde a atenção deve ser redobrada. Em França, o Ministério da Saúde já fez o apelo à população: beber muita água, evitar bebidas alcoólicas e esforços físicos, escolher lugares frescos e, de preferência, manter as janelas fechadas.

Já a Noruega e a Finlândia estão a registar temperaturas semelhantes às de Portugal.

Sobre Espanha, Emanuel Oliveira reconhece que existe um sistema para prevenir incêndios muito eficaz. Os espanhóis “são muito bons na primeira intervenção, são extremamente eficientes, e têm conseguido reduzir o número de área ardida, com condições semelhantes às de Portugal – com o mesmo clima, a mesma paisagem”. No entanto, é um país que inspira preocupações porque o número reduzido de incêndios fez com que “a carga de combustível tenha vindo a aumentar”. Ainda que Espanha “tenha feito mais prevenção do que Portugal, essa prevenção não é suficiente”.

 

 

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