23/10/19
 
 
Carlos Zorrinho 26/06/2019
Carlos Zorrinho
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Made by EU

Desenvolver nos cidadãos europeus um maior sentido de pertença à comunidade que integram é uma prioridade absoluta para quem acredita no papel fulcral que a UE pode e deve desempenhar na defesa dum mundo democrático, humanista, tolerante, sustentável e plural.

No momento em que se inicia um novo ciclo democrático nas instituições europeias e se procede às complexas negociações que levarão à instalação dos órgãos e à escolha dos principais rostos da estrutura de governação tripartida (Parlamento, Comissão e Conselho), continua a ser premente refletir sobre a elevada taxa de abstenção que, embora com variações de caráter nacional, se voltou a verificar nas recentes eleições para o Parlamento Europeu que decorreram nos 28 Estados-membros.

O fenómeno não é novo e é normalmente explicado pela distância que o modelo de funcionamento do Parlamento Europeu tende a gerar entre quem mandata e quem é mandatado, entre os eleitores e os deputados, entre as sociedades civis locais, regionais e nacionais e a “bolha” europeia.

Não nego que essa distância existe e que, com o atual modelo de relacionamento e comunicação institucional, é muito difícil de combater. Os esforços individuais, por muito meritórios que sejam, tendem a ser andorinhas que, por si só, não têm sido suficientes para fazer acontecer uma primavera de ressurgimento participativo na União Europeia (UE).

Nenhuma mudança verdadeiramente estrutural acontecerá neste domínio se não se desenvolver o sentido de pertença das cidadãs e dos cidadãos à UE. Só se pode ser consistentemente pró-ativo a favor de um futuro para a UE, no quadro da diversidade permitida pelos seus valores partilhados, se antes do mais se for europeu, sentindo-se europeu e parte reconhecida de um todo constituído pelos múltiplos territórios e países que integram a parceria.

Somos Europa porque a Europa somos nós. Esta frase, que parece traduzir uma simetria de discurso, não tem um reflexo simétrico quando vivenciamos a realidade. Na campanha em que, como candidato ao Parlamento Europeu, participei recentemente, encontrei muita gente bem mais confortável com a ideia passiva de que eram e são Europa do que com a ideia ativa de que a Europa é o resultado daquilo que eles e todos e cada um de nós somos e formos. Ora, quando alguém não se sente parte ativa duma parceria múltipla fica mais solto para se demitir de cuidar dela, de participar na sua evolução, de fazer escolhas e de resistir aos apelos populistas à sua desintegração.

Desenvolver nos cidadãos europeus um maior sentido de pertença à comunidade que integram é uma prioridade absoluta para quem acredita no papel fulcral que a UE pode e deve desempenhar na defesa dum mundo democrático, humanista, tolerante, sustentável e plural.

Concretizar esta ideia não é fácil. O título desta crónica indicia uma ideia e um contributo simples. Muitos milhares de milhões de euros provenientes de fundos europeus têm sido investidos nas últimas décadas por todo o território da união. Na fase de construção é obrigatório indicar publicamente as origens de financiamento, através das siglas dos programas que a generalidade dos cidadãos não reconhece. Seria bem mais eficiente se todas as ações financiadas com fundos europeus ficassem explicitamente associadas a uma marca, “Feito pela União Europeia”, ou, na sua versão mais universal, em inglês, “Made by EU”. Fica a proposta.

 

Eurodeputado

 

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