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Assunção Cristas. “Os homens gostam de se ouvir e de se repetir”

Assunção Cristas. “Os homens gostam de se ouvir e de se repetir”

Miguel Silva Luís Claro 25/06/2019 11:41

A presidente do CDS lançou o seu primeiro livro e fala do seu percurso familiar e profissional. O prefácio é do marido.

É o primeiro livro de Assunção Cristas e, coincidência ou não, é lançado a menos de quatro meses das eleições legislativas. Chama-se Confiança e a líder do CDS fala do seu percurso familiar, profissional e político. Uma boa parte é dedicada ao papel das mulheres na sociedade portuguesa.

Cristas foi a primeira mulher a chegar à liderança do CDS e considera que “as mulheres estão sub-representadas na política e em cargos de topo um pouco em todos os domínios, com especial ênfase nas maiores empresas”. Uma das explicações encontrada pela presidente do CDS é que “as exigências e as críticas em relação às mulheres são superiores às dos homens. As mulheres sofrem todo o escrutínio que os homens sofrem, mais um: o da sua aparência. Estou convencida de que esta exigência suplementar é também um dos fatores que dissuade a participação das mulheres”.

Assunção Cristas relata ainda, neste capítulo, que ao observar as reuniões do CDS depressa percebeu que as mulheres falam muito menos do que os homens. “Mas por que razão as mulheres não falam ou falam menos? Muitas vezes a resposta é porque já tudo foi dito, porque os homens tendencialmente gostam de se ouvir e de se repetir, mesmo quando não têm nada muito diferente para dizer. Esta é uma parte da resposta. A minha experiência e intuição dizem-me que as mulheres não falam porque não se sentem confortáveis em expor se e em sujeitar-se à crítica pública”, escreve Assunção Cristas.

A família está sempre presente no livro que foi ontem apresentado por Pedro Mexia em Lisboa. Cristas conta que todos os filhos apoiam a decisão de estar na vida política, mas nem sempre foi assim por causa dos horários. “Quando fui eleita deputada, as reações foram muito diferentes: a Maria do Mar, hoje grande apoiante, era uma crítica profunda por causa dos horários extensos, o Zé Maria um defensor acérrimo, fazendo reparos à irmã porque o que eu estava a fazer era ‘muito importante’, o Vicente menos vocal, mas sempre atento e entusiasmado. Hoje, a Luz, que nunca conheceu outro contexto, é uma apoiante indefetível. Dito isto, nenhum liga muito ao facto de a mãe ‘aparecer na televisão’. Esse não é o ponto importante e ainda bem”.

O prefácio de “Confiança” é escrito por Tiago Machado da Graça, marido, e não faltam elogios à líder do CDS por conseguir “conciliar, de forma harmoniosa, ser mulher, mãe e estar na política”.

Tiago Machado da Graça conta que a família acompanha, muitas vezes, Assunção Cristas nas deslocações pelo país. “Acontecia muitas vezes andar a visitar as feiras com uma série de gente e eu e os miúdos darmos a volta à feira no sentido contrário”. Já a líder CDS escreve que “o Tiago” é o seu “primeiro e maior suporte, é também o meu maior crítico, mas sempre com uma doçura e delicadeza que só o amor explica”.

A segunda parte do livro é dedicada às propostas da líder do CDS para Portugal. Combater a pobreza, apostar num “Estado Social de parceria”, valorizar os cuidadores informais ou travar a queda da natalidade são alguns dos temas abordados. Na apresentação do livro, ontem à tarde em Lisboa, marcaram presença vários militantes e dirigentes do CDS, mas também destacadas figuras do PSD. Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não faltaram ao lançamento do primeiro livro da líder do CDS.

 

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