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Irão. Trump lança ofensiva cibernética e aumenta sanções

Irão. Trump lança ofensiva cibernética e aumenta sanções

AFP João Campos Rodrigues 24/06/2019 10:23

Pode ser o prelúdio de uma ofensiva convencional ou sinal de uma guerra de posições. Decisão surge após Trump cancelar um ataque aéreo.

O conflito entre os EUA e o Irão parece ter passado dos céus do Golfo Pérsico para a arena cibernética. Os sistemas militares iranianos terão sido alvo de uma ofensiva dos EUA, que incapacitou as sofisticadas defesas antiaéreas do país, segundo a imprensa norte-americana. Os principais alvos terão sido as instalações da poderosa Guarda Revolucionária do Irão, responsável pelo abate de um drone dos EUA, na quinta-feira.

O ciberataque dos Estados Unidos já estava a ser preparado há semanas, em resposta aos supostos ataques iranianos contra navios petroleiros no Golfo de Oman. O Irão também terá tentado penetrar os sistemas informáticos dos EUA, tanto militares como de outros áreas, como as finanças e o setor energético. Este conflito cibernético pode ser o prelúdio de uma ofensiva convencional ou mais um sinal de uma longa guerra entre Washington e Teerão.

Esta última possibilidade ganha peso após Trump anunciar um reforço “enorme” das pesadas sanções norte-americanas ao Irão – que já é alvo de um bloqueio económico com grandes custos humanitários. Ainda assim, o Presidente deixou o recado que uma intervenção militar no Irão ainda “está em cima da mesa” – apesar dos receios de que o conflito possa incendiar todo o Médio Oriente.

Recuo É de notar que a ofensiva cibernética norte-americana teve luz verde após o Presidente dos EUA, Donald Trump, cancelar um ataque aéreo contra o Irão, quando os aviões já estavam no ar e com os alvos na mira, segundo o The New York Times. Trump justificou o recuo com a descoberta de que o ataque mataria cerca de 150 iranianos, twitando que não seria uma resposta “proporcional” ao abate de um drone não tripulado. Mas há grandes dúvidas que o Presidente não tenha sido informado dos custos humanos previamente.

Uma explicação óbvia para o cancelamento da operação passa pelo conflito dentro da própria Casa Branca, onde fações mais e menos belicistas disputam a atenção do Presidente. O próprio Trump reconheceu, este domingo, que o seu Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, “geralmente toma uma posição mais dura” – dando como exemplo o seu apoio entusiástico à invasão do Iraque. Apesar das reticências de altos quadros das forças armadas, há várias outras figuras de peso – para além de Bolton – que há muito defendem um ataque contra o país dos aiatolas, como é o caso do Secretário de Estado, Mike Pompeo, e da diretora da CIA, Gina Haspel.

Um aliado inesperado da fação menos belicista tem sido Tucker Carlson, o polémico apresentador da Fox News. O apresentador lançou pesadas críticas a uma possível ofensiva militar contra Teerão no seu programa de quinta-feira à noite, que Trump não esconde seguir avidamente – tendo twitado ao vivo reações ao programa Tucker Carlson Tonight em pelo menos 20 ocasiões.

Outro dado a ter em consideração é a revelação de que o episódio de quinta-feira poderia ter um resultado mais dramático, caso fosse abatido um avião norte-americano tripulado, com 38 pessoas a bordo, que voava perto do drone. Algo que até Trump gabou, considerando que foi uma “decisão muito inteligente”.

 

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