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Autora brasileira lança poemário em Braga

Autora brasileira lança poemário em Braga

Joaquim Gomes 22/06/2019 14:12

“Pés Pequenos pra Tanto Corpo” publicado em Portugal e Brasil

O livro de poemas “Pés Pequenos pra Tanto Corpo”, publicado em Portugal e Brasil, “é um poemário para vazar os cansaços”, segundo a sua autora, Manuella Bezerra de Melo.

A obra contém texto de orelha da vencedora do Prémio Agustina Bessa Luís, a portuguesa Judite Canha Fernandes, do Funchal, é o segundo livro de poemas da autora, que em 2017 publicou Desanônima (autografia), para além do livro infantil Existem Sonhos na Rua Amarela (Multifoco, 2018).

É o segundo livro de poemas de Manuella Bezerra de Melo, publicado pela Editora Urutau em Portugal e no Brasil, com a primeira apresentação ao público marcada para este sábado a meio da tarde pelas na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, no centro da cidade de Braga.

Há dois anos a viver em Portugal, onde está a tirar o mestrado em Teoria da Literatura na Universidade do Minho, após uma experiência na Região de Córdoba, na Argentina, a autora é entusiasta das mudanças e “encontra nas distâncias os silêncios necessários pra ouvir os poemas que escreve; e cedo ou tarde sempre vai embora”.

Segundo afirmou este sábado ao Sol, “tenho a impressão que uma voz me manda embora e dessa inquietude é que crio e os poemas pra mim evitam a morte dos meus silêncios, e por isto, a minha”.

Manuella bezerro de Melo afirma que “como estou sempre em trânsito, nunca descanso, desta caminhada vem o peso do cansaço”, explica ela, que vivia em Braga e atualmente mora em Guimarães, cidade chamada de berço de Portugal, mas estas são somente duas das várias cidades que já chamei de casa”.

Pós-graduada em Literatura Brasileira e interculturalidade, a autora acredita que o novo livro “relaciona o trânsito entre Brasil e Portugal, a vivência migrante, o olhar distante - mas atento - ao país e a língua materna, a hibridação lusófona do entre-lugar europeu e latino, os sentimentos de dor e empatia e o profundo respeito aos outros do mundo”.

Manuella não esconde certo carácter político na obra, referindo que “leio a sociedade pela literatura, vivo neste tempo, escrevo neste tempo, sou entusiasmada pelas vivências dele. Vejo a literatura como um direito, um espaço pra enfrentar a hegemonia”, concluindo que “por isso, escrevo não só sobre o peso de carregar seu corpo exausto, mas também sobre a dor das mulheres e as violências por que passam seus corpos, sobre opressões, utopias e liberdade, mas também sobre a angústia de ser espectadora privilegiada e inútil da barbárie, ou como diz Judite ‘A sua busca é algo que vai me escapar sempre...versos que me ofereceram um lugar parado no tempo, o colapso dos ruídos à minha volta, o esquecer de minha própria consciência que parece nunca querer dormir”.

Jornalista nascida em Pernambuco, terra de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, Manuella Bezerra de Melo já foi repórter, especializou-se depois em Literatura Brasileira e Interculturalidade, sendo poeta, cronista, autora e contadora de histórias infanto-juvenis.

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