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Para lá das ruas. Vhils e Mr. A ‘expõem' em Brooklyn

Para lá das ruas. Vhils e Mr. A ‘expõem' em Brooklyn

Rosto em cimento (IG de Vhils) Mariana Madrinha 21/06/2019 14:35

A exposição Beyond the Streets abre hoje portas em Nova Iorque, com 150 artistas a retratar a “urgência coletiva de usar a rua como tela”.

Há dois nomes portugueses nesta que é uma verdadeira celebração da arte urbana num dos seus grandes berços: a exposição Beyond the Streets, inaugurada hoje em Williamsburg, Brooklyn (Nova Iorque). Vhils e o lusodescendente Mr. A - ou Alexandre Farto e André Saraiva - fazem parte do leque de 150 artistas convidados por Roger Gastmn, antropólogo, autor de The History of American Graffiti [uma espécie de tratado sobre a arte urbana nos EUA] e o curador desta exposição que ocupa um edifício de dois andares no bairro nova-iorquino. 

Desta vez, Alexandre Farto (1987) não esculpiu uma parede já existente, tendo criado o seu próprio suporte a partir de cimento - uma técnica que tem vindo a trabalhar deste 2014. Leva então para Beyond the Streets um rosto feminino sacado de um material difícil, “mundano e duro”, adjetivou o próprio nas suas redes sociais. “ É preciso habilidade e tempo para conseguir ter os detalhes e a elegância necessários para criar uma cara humana”, escreveu, sustentando que “humanizar” um material como cimento tem sido um dos desafios mais difíceis da sua carreira. O trabalho que hoje pode ser visto em Brooklyn já tinha sido apresentado na versão californiana de Beyond the Streets, realizada em Los Angeles no ano passado. 

Já André Saraiva - filho de portugueses e nascido na Suécia em 1971 - estará representado com um dos seus graffitis. O writer, que criou a sua identidade artística na década de 90 - “Monsieur A” (Mr.A) -, já levou a sua icónica personagem de olhos a piscar e sorriso rasgado a cidades de todo o mundo. “A minha personagem sorri, e claro que pode ser um sorriso luminoso, de encantamento ou de uma certa poesia, como também pode ser irónico ou até amargo”, dizia ao Público no ano passado. 

Atualmente a viver em Nova Iorque, Mr.A cresceu em Paris e, já reconhecidíssimo internacionalmente, começou há cerca de meia dúzia de anos a trazer as suas latas a solo luso.

As ruas como palco simbólico

Beyond the Streets, que pretende refletir sobre o caminho e a implantação da arte urbana na paisagem citadina - aqui mostrada fora de contexto: dentro de um edifício - vai buscar nomes a todos os cantos do globo, como o do argentino Felipe Pantone, o dos alemães 1UP Crew ou o japonês Takashi Murakami. O trabalho do coletivo feminista Guerrilla Girls - que a partir de amanhã estarão representadas no Poster Mostra, em Marvila, Lisboa - está também presente, assim como o do icónico Jean-Michel Basquiat.

Segundo a síntese disponibilizada pela organização no site, a exposição e a escolha dos seus atores exploram “a urgência coletiva de usar a rua como tela”. “As ruas funcionam como o palco público simbolicamente importante que é tanto local como universal, a base para protestos públicos e ações anónimas e, embora o assunto varie e os meios sejam muitos, é na esfera pública que as mensagens encontram um lar”, notam.

Beyond the Streets ficará patente em Williamsburg até ao final de agosto.

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